Ibovespa não resiste e termina o dia em queda
As ações da Gol chegaram a por a Bolsa no azul. Mas o impulso comprador foi minado pelo baixo giro financeiro e o ambiente externo negativo

Múltiplas incertezas fizeram os investidores fugirem de bolsas de mercados emergentes, como o Brasil - e procurar ativos mais seguros. Dessa maneira, a Bolsa de Valores abriu a sexta-feira em baixa. Mas durante a tarde, a ação da Gol, que chegou a subir 7,91%, sustentou momentos de alta de até 0,39%, já que o papel representa o quinto maior volume de negócios do Ibovespa. O impulso comprador, entretanto, foi sendo limado pelo baixo giro financeiro e o mau humor dos investidores com o ambiente externo negativo. A alta do petróleo também atrapalhou. O dólar operou valorizado aqui e lá fora durante todo o dia. Fechou a sexta-feira com avanço de 0,57%, a R$ 3,90. E o Ibovespa, depois de três pregões consecutivos de ganhos, encerrou o dia em queda de 0,44%, a 87.449 pontos. A semana ficou com placar negativo de 0,76%. Em dezembro, a baixa é de 2,30%
Petróleo
Durante a tarde, o futuro ministro de Minas e Energia, almirante Bento Costa Lima de Albuquerque Júnior, afirmou que o calendário de leilões de áreas de exploração de petróleo e gás, já anunciado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), será mantido no futuro governo Jair Bolsonaro. Ele destacou a importância de dar previsibilidade para o mercado. As ações da Petrobras tentaram uma virada para o terreno positivo, mas com o preço do petróleo em queda no exterior (2,62% para o WTI), não deu certo. As ações ordinárias registraram desvalorização de 0,75%, enquanto os papéis preferenciais tinham redução de 0,33%.
Voar, subir!
A Gol ON foi a estrela do dia, ainda repercutindo a autorização de capital estrangeiro ilimitado nas companhias aéreas. De acordo com o estrategista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, a medida pode ajudar no custo de captação das empresas do setor, com a entrada de controladores com maior capacidade financeira. O papel chegou a atingir 7% de valorização, puxando o Ibovespa para cima. Mas não conseguiu levar o pregão nas costas. Fechou a 7,50%
Na outra ponta, as ações da Azul operaram em queda e terminaram o dia negativos em 1,62%, uma vez que a empresa é contrária à medida que acaba com o limite do capital estrangeiro nas aéreas.
Down no hight society
Puxaram o Ibovespa para baixo os indicadores de atividade chinesa divulgados nesta sexta-feira, pois trouxeram mais sinais de arrefecimento no país oriental e zona do euro, reforçando temores sobre a desaceleração do crescimento da economia global.
Nuvem negra
Além das notícias ruins, a China também produziu nesta sexta-feira nuvens negras de poluição, literalmente. Em função da forte alta nos índices de poluição por lá, houve corte de produção de minério de ferro, que acabou subindo 4,6% no Porto de Qingdao. Resultado? Vale e siderúrgicas amargaram baixas. Vale ON de 0,55% e Usiminas PNA de 2,80%.
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Boas Festas e tchau!
O baixo volume de negócios foi outro fator que jogou contra a Bolsa nesta sexta-feira. E deve piorar: a partir da próxima terça-feira o fluxo tende a diminuir com a proximidade das festas de final de ano.
Menor consumo
Como se não bastasse tudo isso, ainda teve a queda de 1,23% do IGP-10 em dezembro ante novembro (-0,16%) - o que reflete um baixo consumo das famílias decorrente da atividade econômica fraca no País. Trata-se do menor resultado da série histórica do indicador. Outro indicador que reforça essa percepção é o volume de serviços, que teve avanço de apenas 0,1% em outubro ante setembro, na série com ajuste sazonal, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços. A taxa acumulada pelo volume de serviços prestados no ano ficou negativa em 0,2%, enquanto o volume acumulado em 12 meses registrou perda também de 0,2%.
Sai ou não sai?
E por falar em consumo, a Via Varejo liderou as quedas do Ibovespa nesta tarde, fechando o dia com redução de 7,45% nos papéis ON. No mês, a perda chega a mais de 13%. Continuam as incertezas dos investidores sobre a intenção do Grupo Pão de Açúcar (GPA) de vender a sua participação na Via Varejo, dona das Casas Bahia e do Pontofrio. Na semana passada, o presidente do Grupo Pão de Açúcar, Peter Estermann, afirmou que o processo de venda do controle da Via Varejo continua.
Cielo
O presidente do Bradesco, Octávio de Lazari, saiu em defesa da Cielo, uma das ações que mais tem caído ultimamente. Afirmou que o cenário de concorrência mudou e que a empresa precisa repensar o negócio para se tornar mais competitiva. Nesse contexto, negou que faça sentido fechar o capital da Cielo. Aí, as ações ordinárias da Cielo subiram 1,94%.
Magazine
As ações da rede de varejo subiraam 1,85%, com o anúncio da aquisição das empresas de tecnologia Softbox Sistemas de Informação, Certa Administração e Kelex Tecnologia. Segundo a empresa, a aquisição permitirá fechar parcerias com varejistas e indústrias em todos os passos para a venda online.
Suaves prestações
Cyrela ON avançou 1,64% beneficiada ainda pela manutenção dos juros em 6,5% pelo Banco Central, com o cenário mais bonzinho para o crédito no próximo ano.
Sabesp
Depois de três pregões em alta, a Sabesp foi para o vermelho, com baixa de 1,86%. Segundo operadores, foi realização de lucros apos a valorização em decorrência do anuncio de contrato de prestação de serviços para Guarulhos por 40 anos.
Amianto no talco do bebê
A ação da Johnson & Johnson tomba 9,35% e pressionava o índice Dow Jones, após a Reuters divulgar que a companhia sabia que o talco de bebê comercializado por ela continha amianto, substância cancerígena. Segundo a agência, a J&J tinha conhecimento da presença do amianto desde 1971, mas não tinha revelado isso a reguladores. A companhia agora enfrenta cerca de 6 mil processos nos EUA, com a alegação de que o talco provocou casos de câncer no ovário ou no pulmão. Às 18h03 (de Brasília), o índice Dow Jones caía 1,95%, o S&P 500 recuava 1,83% e o Nasdaq tinha baixa de 2,01%.
*Com Estadão Conteúdo
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