O último touro… ainda não entrou na arena!
A alta da bolsa brasileira deve continuar por um bom tempo e os movimentos de queda do Ibovespa são apenas correções

Eu estava pensando ontem sobre como o mercado de ações em Nova York iria reagir à vitória dos democratas nas eleições para a Casa dos Representantes, em Washington. Isso apesar da manutenção - e pequeno aumento - da maioria republicana no Senado.
Eu não sabia se as Bolsas iriam subir ou descer com o resultado eleitoral. A única coisa sobre a qual eu estava convicto era que o Ibovespa acompanharia o Dow, fosse para cima, fosse para baixo ou até mesmo na estabilidade. Pois foi justamente o que não aconteceu.
Nova York ganhou 545,29 pontos (+ 2,13%) e o Ibovespa desceu na contramão, caindo 954,57 (- 1,08%). Os mercados se divorciaram hoje.
Dando uma de profeta do passado, vamos supor o que deve ter sucedido.
O índice Dow Jones se valorizou porque Donald Trump vai agora encontrar um freio para seus seguidos despropósitos. Se ele quiser prosseguir combatendo moinhos de vento (Irã, China, imigrantes miseráveis da América Central, etc.), a Casa dos Representantes irá vetar suas decisões. E talvez até impeça o descarrilamento do Obama Care, uma das fixações de Trump.
O touro precisa de ração
Quanto ao mercado de ações brasileiro, que se encontra em um bull market formidável, precisa se alimentar diariamente de notícias boas no front interno. Um touro de alta linhagem consome uns 50 quilos de ração a cada 24 horas.
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Jair Bolsonaro está agora naquela fase difícil de escolher ministros, levar estocadas do Congresso antes mesmo de assumir (como o aumento dos salários dos ministros do STF, aprovado ontem irresponsavelmente pelo Senado) e começar a tomar decisões nas diversas áreas de governo.
“ The buck stops here (a conversa fiada termina aqui)”, eram os dizeres de uma pequena placa que o ex-presidente norte-americano, Harry S. Truman (1945 - 1953), mantinha em sua mesa no Salão Oval da Casa Branca.
Logo, Bolsonaro se conscientizará de que terá que resolver todas as pendências, inclusive conflitos entre os homens de sua equipe.
Como o novo governo é liberal, privatista, reformista e parte do cenário está sob controle (inflação, taxa de juros, reservas internacionais, etc.), acho que a alta da Bolsa vai continuar por um bom tempo e que movimentos como o de ontem são apenas correções, ou saudável realização de lucros, como gostam de dizer os traders.
Outro dia, um leitor me escreveu dizendo que os investidores internacionais estão vendidos a descoberto no Ibovespa. Já um comentarista econômico disse hoje em um jornal que o dinheiro externo ainda não entrou na Bolsa.
Se há players importantes shorts no índice de ações e se não estão entrando recursos de fora, isso significa que o mercado ainda vai subir muito, mas muito mesmo.
Creio que o caro amigo leitor entendeu minha linha de raciocínio.
Se há vendidos pesados e a Bolsa está seguidamente fazendo novos highs, eles vão ter de se cobrir. Poucas coisas são tão bullish como um shortcovering movido pelo pânico.
Quanto aos investidores de fora, se realmente ainda não entraram, o Ibovespa tem um enorme espaço para se expandir.
O que determina o fim de um bull market é quando todos estão comprados. No momento em que o último touro entra na arena, chegou a vez dos ursos. Sempre foi assim através dos tempos.
Isso ainda não aconteceu na Bovespa desta vez.
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