Menu
Ivan Sant’Anna
Seu Mentor de Investimentos
Ivan Sant’Anna
É trader no mercado financeiro e autor da Inversa
2019-02-04T11:37:50+00:00
SEU MENTOR DE INVESTIMENTOS

Um mercador e workaholic de 78 anos

A época em que mais trabalhei em minha vida foi durante o bull market de ações ocorrido no Brasil de 1969 a 1971. Eu chegava no escritório às seis da manhã (não podia ser antes pois o prédio só abria às seis) e saía tarde da noite.

4 de fevereiro de 2019
11:36 - atualizado às 11:37

Caro leitor,

De vez em quando, um dos leitores de minhas newsletters escreve perguntando: “Como é que você tem disposição para o trabalho aos 78 anos de idade?”

Acho que posso dar uma resposta abrangente para todos que questionam isso: “Se não gostasse tanto de trabalhar, acho que não teria chegado aos 78. São trinta e sete anos de cigarros (parei em 1990) , toneis e mais toneis de Jack Daniel’s, diabetes, arritmia cardíaca, hipertensão arterial...”

Aos domingos, escrevo esta coluna Os Mercadores da Noite. Na segunda, terça e quarta-feira, a Warm Up PRO. Na quinta e na sexta, trabalho em uma ficção, ainda sem nome, ambientada no mercado financeiro do Brasil. No sábado, colaboro com o Trading Journal que sai às segundas.

Cada um desses escritos é precedido de uma série de pesquisas. Às vezes opto por temas atuais. Em outras, por assuntos não casuísticos, como o de hoje. Também leio. Leio muito. Ficções, não-ficções, biografias. Mais de 50 livros por ano, boa parte deles tijolaços.

Acontece que no mercado financeiro quase todo mundo é obcecado pelo trabalho. O dia é curto para a gente. Basta dar um pulo às dez horas da noite no escritório da Inversa, ou na trading desk de alguma instituição financeira. Vai encontrar gente trabalhando.

Às vezes, envio à meia-noite um texto para a Inversa. Sempre peço para que alguém acuse o recebimento. E não raro a resposta chega na hora:

“Recebido, Ivan. Bom trabalho. Estamos aqui programando o schedule da semana que vem.”

Tenho um amigo, Antonio Carlos de Andrade, que trabalhou comigo na corretora Fator e na financeira Decred no final dos anos 1960. Não é que ele me enviou um WhatsApp outro dia me “acusando” de ser workaholic desde aquela ocasião.

O bull market de 1969

A época em que mais trabalhei em minha vida foi durante o bull market de ações ocorrido no Brasil de 1969 a 1971. Eu chegava no escritório às seis da manhã (não podia ser antes pois o prédio só abria às seis) e saía tarde da noite.

Em maio de 1970, voltando para casa, desmaiei ao volante, no Aterro do Flamengo. Felizmente, antes, ao começar a me sentir tonto, deu para parar o carro. Depois, só fui abrir os olhos no setor de emergência de um hospital.

“Estafa, pura estafa, nada mais do que estafa”, diagnosticou o médico. Como tratamento, impôs um mês de férias. Fui então para o México, assistir à Copa do Mundo, achando que a Fator, da qual eu era sócio, diretor operacional e floor trader, iria falir sem a minha presença.

Não é que quando voltei, após o tricampeonato, os negócios haviam melhorado. Eu não era tão imprescindível assim.

Quando o bull market terminou, no inverno de 1971, passei a trabalhar no open. Foi a época em que mais se lucrou no mercado e, ao mesmo tempo, se trabalhou menos. Entre 9 e meio-dia, se negociava dinheiro. De 16 às 17 horas, comprávamos e vendíamos papéis do Tesouro. E só.

Éramos conhecidos pejorativamente pelo colunista Zózimo Barrozo do Amaral como “gravatinhas”. Fortunas surgiram da noite para o dia.

Algumas prevalecem até hoje.

E como se esbanjava dinheiro.

Pegar um avião na noite de sexta-feira para ver o Fluminense jogar um amistoso em Sevilha, na Espanha, ou assistir a um Grand Prix de Fórmula 1 em Johanesburgo, na África do Sul, sempre voando de primeira classe, era rotina em minha vida.

No meu caso, a esbórnia acabou no final da tarde de 11 de maio de 1977, quando o Banco Central decretou intervenção no Banco Independência. Paguei do meu bolso o prejuízo das pessoas que haviam comprado, da Fator, CDBs do banco.

Fiquei sem praticamente um centavo. Vivia do salário de minha primeira mulher.

Após um período sabático, ou sorumbático, que durou um ano, comecei a operar nos mercados internacionais de futuros e commodities. Atuava como broker e como trader. Só aceitava clientes altamente especulativos, gente que arriscava 100 ou 200 mil dólares para ganhar no mínimo um milhão.

Para outros, ainda mais audaciosos, eu vendia o tempo. Explicando melhor: shorteava calls e puts, operação na qual o ganho é limitado e o prejuízo, infinito.

Não vou citar nomes (os caras podem não gostar), mas entre meus especuladores havia gente conhecida, muitos famosos até hoje.

Só larguei o mercado quando me apaixonei por duas pessoas, dois homens. Seus nomes: Julius Clarence e Clive Maugh. Quem leu o livro Os Mercadores da Noite sabe de quem estou falando. Por eles, troquei os números pelas letras.

Nunca mais tive moleza, como nos tempos do open, nem quis ter. Passei a achar ver televisão, ir ao cinema, almoçar ou jantar fora, dormir..., um desperdício de tempo. Essas atividades me davam sensação de culpa.

A Os Mercadores... seguiram-se Rapina, Armadilha para Mkamba, Caixa-preta, Plano de ataque, 1929 e mais outros doze livros.

No início de 2017, comecei a trabalhar para a Inversa. Além desta coluna, não por coincidência chamada Os Mercadores da Noite, colaboro com o Trading Journal e escrevo artigos para a Warm Up PRO. Como se não bastasse, participo, sempre na Inversa, de cursos e aulas presenciais.

Em todas essas oportunidades procuro transmitir minhas experiências, falando sobre as grandes tacadas que dei e as tamancadas desmoralizantes que levei no lombo.

Este ano, a Inversa irá lançar um projeto inédito meu, e não reedições de livros como Os Mercadores da Noite e 1929. Só que, como já está concluído e entregue, estou trabalhando no próximo projeto. Depois emendarei com outro e ainda mais um outro.

Talvez mais. Vai depender do coração, não no sentido sentimental, mas do comportamento da víscera (que era como o poeta João Cabral de Melo Neto o chamava). Nós, os mercadores do dinheiro, somos assim.

Como escreveram Ataulfo Alves e Mário Lago, em Ai que Saudades da Amélia, "...o que se há de fazer.”

(Esta coluna foi publicada na Inversa Publicações. Para acompanhar os conteúdos gratuitos do Ivan Sant'Anna na Inversa, entre aqui. Ele também escreve uma newsletter matinal chamada Warm Up Pro, para experimentar, acesse aqui.)

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Vem que vem!

Banco N26, o “Nubank alemão”, levanta mais US$ 170 mi e diz que o seu próximo destino pode ser o Brasil

Com isso, ele elevou o seu valor de mercado para US$ 3,5 milhões e passou a figurar entre as startups europeias mais valiosas e entre as dez principais fintechs do mundo

De volta para o dono

Lava Jato recupera mais R$ 67 mi no exterior

Os valores foram transferidos para contas judiciais vinculadas ao processo e integram os mais de R$ 13 bilhões que são alvo de recuperação pela Lava Jato ao longo de cinco anos de operação, destaca a Procuradoria

Seu Dinheiro na sua noite

O herói improvável

As histórias que mexeram com o Seu Dinheiro hoje

De olho nos valores

Preço médio dos imóveis residenciais sobe 0,36% em junho em dez capitais

A pesquisa mostrou que, no mês, todas as dez capitais pesquisadas tiveram alta nos preços médios: Brasília (0,04%), Fortaleza (0,06%), Salvador (0,08%), Porto Alegre (0,16%), Rio de Janeiro (0,18%), Belo Horizonte (0,19%), Curitiba (0,19%), Goiânia (0,22%), Recife (0,38%) e São Paulo (0,68%)

DE OLHO NO GRÁFICO

Bitcoin em nova alta e S&P no sinal amarelo

Fausto Botelho está estupidamente otimista com o bitcoin, que pode ter uma nova onda de valorização. Já o S&P, principal índice americano, pode trazer um terremoto para o resto do mundo

De olho nos próximos recebidos

Preparação de atendimento pela Caixa contribuiu para adiamento de saque do FGTS

Em 2017, para que 25,9 milhões de trabalhadores retirassem R$ 44 bilhões das contas inativas (de contratos anteriores) do FGTS, a Caixa preparou um esquema de atendimento que previu a abertura das agências mais cedo e nos fins de semana no período, que foi de 10 de março a 31 de julho

Entenda o caso

Depois de fixar o preço dos papéis em R$ 1,10 no follow-on, ações da Tecnisa despencam mais de 9%

O mais provável é que a queda vertiginosa esteja associada ao fato de que o papel esteja se ajustando ao preço estipulado na oferta de ações

A hora é agora

Como consultar o seu saldo do FGTS

Medida que injeta até R$ 30 bilhões na economia deve ser anunciada na próxima semana. Saiba como consultar o seu saldo do FGTS

Novidades na prateleira

RCI Brasil, das montadoras Renault e Nissan, passa a oferecer CDB com liquidez diária e rentabilidade de 102% do CDI

A desvantagem é que o valor inicial de aplicação do investimento é um pouco alto. No caso do Banco Sofisa, por exemplo, o valor inicial de aplicação é de R$ 1. Já no Inter e no C6 Bank, a aplicação inicial é de R$ 100

Aos números

Economia com reforma da Previdência após 1º turno fica em R$ 914,3 bilhões

Impacto fiscal ao longo de 10 anos sobe a R$ 933,5 bilhões, considerando aumento CSLL sobre os bancos. MP de fraudes pode render outros R$ 200 bilhões

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements