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Luciana Seabra
Advogada do Investidor
Luciana Seabra
É CFP®, especialista em fundos de investimento e sócia da Empiricus

Se investidor profissional estiver certo, semana vai ser boa para quem investe em Bolsa e LTNs

O fato de o resultado de Bolsonaro nas urnas ter sido superior às intenções de votos nas últimas pesquisas deve animar os mercados nesta segunda-feira, especialmente as ações

7 de outubro de 2018
21:54 - atualizado às 22:31

A pizza encomendada para o comitê extraordinário da noite neste domingo desceu macia nas grandes gestoras de fundos. Ainda que seja necessário esperar o segundo turno para saber quem vai presidir o país, a votação expressiva de Jair Bolsonaro agradou. A expectativa, de forma geral, é de ganhos para o chamado kit Brasil: real, juros e especialmente Bolsa.

"A última pesquisa Ibope dava 39% para Bolsonaro, muito menos do que o resultado das urnas de fato. Considerando que à medida que ele ia melhorando nas pesquisas, o mercado ia melhorando, devemos ter um bom dia pela frente", disse para mim Marco Antonio Macchi, diretor de investimentos da MZK.

A equipe de ex-tesoureiros do HSBC esperou pelo resultado reunida, no que parecia uma semi-final de Copa do Mundo, nas palavras de Ronaldo Zanin, também sócio da gestora. O maior temor era o crescimento de Ciro Gomes, que, conforme as últimas pesquisas, tinha chance de vencer Bolsonaro no segundo turno.

Haddad não é tão temido quanto Ciro. "Ele provavelmente não implementaria o programa de governo, faria estelionato eleitoral", diz Macchi.

Ainda que o programa e o discurso público de Haddad causem repulsa no mercado, nos bastidores se conta que a portas fechadas com investidores ele tem flertado com a direita – elogia Marcos Lisboa, Fernando Henrique Cardoso e critica Marcio Pochmann.

Além do temor limitado com o concorrente, o que deve mesmo movimentar o mercado nesta segunda é a dianteira do candidato do PSL. "A probabilidade de Bolsonaro ganhar está menor nos preços da Bolsa do que veio nas urnas", disse João Braga, gestor de renda variável da XP.

João também se animou com o resultado para governo de Minas Gerais, com a dianteira inesperada de Romeu Zema, que, na opinião dele, deve favorecer Cemig e Copasa.

Marcelo Giufrida, sócio-fundador da gestora de multimercados Garde, também considera que a Bolsa deve refletir a dianteira de Bolsonaro, segundo afirmou para Vinícius Pinheiro na sequência da divulgação do TSE.

Também nas estimativas da MZK, a maior probabilidade de ganhos no curto prazo é na Bolsa, que pode subir mais de 5%, chegando pelo menos aos 90 mil pontos. Além disso, o real tende a se valorizar para perto de R$ 3,75.

Para quem carrega títulos prefixados, a visão de Macchi também é bastante positiva. Especialmente para os vencimentos intermediários, entre 2021 e 2027, a projeção é de ganhos fartos, com a redução do estresse eleitoral.

A primeira análise de peso vinda do exterior, da revista The Economist, não foi assim tão positiva. Michael Reid, editor e colunista para América Latina, afirmou no Twitter que via à frente uma longa noite escura para as democracias brasileira e latina.

O gestor de ações da Alaska, Henrique Bredda, que vinha manifestando o apoio ao candidato do PSL destacou o que considera ter sido um erro da revista, bastante lida pelos agentes de mercado no exterior.

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