Menu
2019-10-14T16:23:06-03:00
De olho na agenda econômica

Retomada dos investimentos está à espera da aprovação das reformas

Presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse acreditar que a reforma pode ser aprovada entre agosto e setembro. Dessa forma, os primeiros benefícios da mudança de ventos trazida pela Previdência seria sentida no final do ano

28 de junho de 2019
8:50 - atualizado às 16:23
Previdência Social,Reforma da Previdência

À medida que o Congresso se mobiliza para garantir a aprovação da reforma da Previdência - e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, estima já ter os 308 votos necessários na Casa -, o ânimo de bancos e grandes empresas sobre a economia brasileira começa a melhorar. Entre os vencedores do prêmio Finanças Mais, uma parceria entre o ‘Estadão/Broadcast’ e a Austin Rating, o consenso é de que as mudanças na Previdência podem ser o “gatilho” para tirar projetos ambiciosos de investimento na gaveta, fazendo a economia retomar o crescimento em 2020.

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse acreditar que a reforma pode ser aprovada entre agosto e setembro. Dessa forma, os primeiros benefícios da mudança de ventos trazida pela Previdência seria sentida no final do ano. “No último trimestre do ano, vamos capturar o benefício dessas reformas e entrar em 2020 num cenário muito mais favorável para o País crescer”, destacou. O executivo cobrou ainda que, na sequência da Previdência, venham novas regras tributárias e a independência do Banco Central.

‘Empurrão’

As reformas estruturais da economia - como a da Previdência e também a tributária - deverão dar a injeção de ânimo que os empresários precisam para voltar a investir de forma definitiva, tirando projetos do papel, afirmou o diretor de relações com investidores do Banco Daycoval, Ricardo Gelbaum. O executivo ressalvou, porém, que a economia não enfrenta problemas estruturais graves, além da questão das contas públicas. “Está ruim, mas está bom. Não há inflação e os bancos estão desalavancados. O céu está claro.”

Detentor de uma carteira de US$ 400 milhões em crédito para o agronegócio, o Banco Cargill vê potencial de dobrar o ritmo de crescimento da sua carteira após a aprovação da reforma. Segundo o vice-presidente do banco, Antônio Luis Pascale, a expansão ficou na ordem de 10% nos últimos dois anos. Se a reforma da Previdência passar no início do segundo semestre, a taxa de expansão poderá subir para 15% a 20% a partir do ano que vem.

“A expectativa para a economia nacional é positiva, pois o ambiente para negócios está mais saudável de modo geral”, disse Pascale. “Mas todo mundo ainda carrega um certo conservadorismo, aguardando para tomar algum novo passo de investimento.”

Para o presidente da Bradesco Vida e Previdência e da Bradesco Capitalização, Jorge Nasser, a longa discussão da reforma da Previdência, que já se estende por quase três anos, serviu para mudar a mentalidade do brasileiro sobre a necessidade de garantia de renda com uma poupança privada. O consenso sobre a necessidade de mudar o sistema à medida que a população envelhece foi absorvida pelo cidadão comum, em sua visão.

Por causa da crise econômica, no entanto, essa disposição em debater o tema ainda não se reflete em uma corrida para os planos de previdência privada. “Digamos que está havendo uma caminhada, que pode ficar mais rápida em 2020, caso a economia cresça mais rápido e o desemprego diminua”, ressaltou. “Mas as pessoas já entenderam que essa situação não pode ficar como está.”

No time dos que estão com o pé no acelerador mesmo em um cenário ainda difícil para a economia está Leila Pereira, presidente da Crefisa. A companhia, que trabalha com crédito para pessoas “negativadas” (com restrição para tomar empréstimos), espera um crescimento de sua carteira de clientes no segundo semestre.

“Apesar de o Brasil estar parado, estamos contratando profissionais para aumentar a nossa produção. Temos mais de mil lojas no Brasil e estamos trabalhando com a expectativa de aumentar a nossa carteira”, ressaltou a executiva. Leila ponderou, porém, que as reformas são vitais para melhorar o cenário. Ela se disse “muito esperançosa” com a aprovação. “As reformas têm de passar. Sem isso, o Brasil não tem saída.”

Banco Central

Presente no evento Finanças Mais para falar sobre aspectos da atuação do Banco Central, o diretor de política monetária do BC, Bruno Serra, afirmou que a questão da reforma da Previdência tem influência em uma eventual decisão da instituição em reduzir a Selic - taxa básica de juros -, que atualmente está em 6,5% ao ano. “Não somos nós que ligamos a política monetária às reformas, mas o cenário exige”, afirmou.

Por outro lado, ele disse que a definição da meta inflacionária pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) tem pouco impacto sobre a política monetária. “Definição da meta de inflação pelo CMN não impacta estratégia atual do BC”, disse.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

A segunda vida da bolsa

Entre as muitas histórias geniais de Machado de Assis, uma das minhas favoritas é um conto chamado “A Segunda Vida”, sobre um homem que diz ter morrido e voltado para uma nova existência aqui na Terra. O escritor se vale de uma premissa que parece sobrenatural para tratar de um tema bem próximo de todos […]

MARCO DO SANEAMENTO

Para BNDES, não faltam recursos para o Brasil investir no setor de saneamento

Montezano afirmou que o novo marco regulatório do saneamento, que está tramitando no Congresso, vai abrir uma nova fase no banco

Nadando no dinheiro

Ibovespa nas máximas e dólar a R$ 4,14: o retrato de uma semana quase perfeita para os mercados

O Ibovespa cravou a quinta alta consecutiva nesta sexta-feira e chegou a mais um recorde de fechamento, aso 111.125,75 pontos. O dólar à vista acumulou perdas de mais de 2% na semana, voltando a R$ 4,14

Ouça o que bombou na semana

Podcast Touros e Ursos: Sinais de força da economia brasileira

Repórteres do Seu Dinheiro trazem em podcast semanal um panorama sobre tudo o que movimentou os seus investimentos nesta semana

SAQUES DO FGTS

Caixa libera saque do FGTS para não correntistas nascidos em setembro e outubro

Serão pagos R$ 3,3 bilhões para aproximadamente 9,1 milhões de pessoas

CAPITALIZAÇÃO DA ELETROBRAS

Eletrobras está condenada à morte, diz Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a falta de recursos para investimentos está condenando a Eletrobras à morte. Ele destacou que a estatal tem feito somente um terço do necessário para manter sua posição o mercado. “A Eletrobras precisava investir R$ 16,5 bilhões todo ano para manter a fatia de mercado, Hoje ela […]

Altas e baixas

Via Varejo, Cyrela e MRV: os destaques do Ibovespa nesta sexta-feira

A perspectiva de manutenção dos juros em níveis baixos deu forças às ações de varejistas, como a Via Varejo, e de construtoras, como MRV e Cyrela

novo unicórnio na área

Estúdio de games brasileiro recebe aporte do Benchmark e é avaliado em US$ 1 bi

Wildlife Studios anunciou um aporte de US$ 60 milhões; empresa foi criada em 2011 com o investimento inicial de US$ 100

mercado de trabalho

EUA criam 266 mil postos de trabalho em novembro, acima do esperado

Os Estados Unidos criaram 266 mil empregos em novembro, segundo dados com ajustes sazonais publicados hoje pelo Departamento do Trabalho. O resultado veio bem acima das previsões de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que variavam de 128 mil a 215 mil vagas, com mediana de 183 mil. Já a taxa de desemprego caiu de 3,6% […]

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta sexta-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements