Menu
2019-10-14T16:00:02+00:00
De olho no futuro

‘Privatização ajuda país a atrair investimentos’

Rodolfo Spielmann, gestor do Canada Pension Plan Investiment Board (CPPIB), afirmou que o fundo está olhando diversos negócios no Brasil – de empresas da Petrobras e de energia a fintechs e operações do setor financeiro

30 de julho de 2019
9:02 - atualizado às 16:00
Bandeira do Brasil com moedas na frente
Imagem: Positiffy/Shutterstock

Um dos maiores fundos de pensão do mundo, o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) quer ampliar sua presença no Brasil. No ano passado, a gestora se tornou sócia do Grupo Votorantim na Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Neste ano, participou de consórcio para comprar a TAG, gasoduto da Petrobras, mas perdeu o páreo para a francesa Engie.

O gestor do CPPIB para a América Latina, Rodolfo Spielmann, afirmou ao Estado que o fundo está olhando diversos negócios no Brasil - de empresas da Petrobras e de energia a fintechs e operações do setor financeiro. Com mais de US$ 300 bilhões sob gestão, o fundo quer ampliar presença em países emergentes como o Brasil. Por aqui, o CPPIB tem quase US$ 5 bilhões investidos.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Por que o CPPIB quer aumentar sua participação no Brasil?

Estamos presentes em todo o mundo. Cerca 85% dos investimentos estão fora do Canadá - a maior parte nos Estados Unidos. Depois, direcionados para Europa, Ásia e América Latina. Queremos crescer em economias emergentes, como China, Índia e Brasil.

Mas no Brasil a presença ainda é pequena. Por quê?

Não é. A América Latina como um todo responde por 4% do total - só Brasil tem 1,5% e pode atingir de 2% a 3%. É muito.

O CPPIB está esperando as reformas para avançar?

Não traçamos perspectiva política. Temos uma visão macro e microeconômica. Sob o ponto de vista macro, o Brasil está bem melhor do que um par de anos atrás. Inflação baixa, juros em queda e continuamos com política monetária responsável. Agora, com a reforma da Previdência, o País pode endereçar também a questão fiscal.

O sr. já dá a reforma da Previdência como certa?

Não. Não dá para dar o que não se tem ainda.

Mas tem um otimismo no mercado financeiro.

É um leve otimismo depois de anos de recessão. Mas a reforma ainda não foi aprovada (em segundo turno).

O mercado financeiro e o governo têm a percepção que, após a aprovação da Previdência, os investidores estrangeiros vão voltar ao País. O sr. Concorda?

A reforma da Previdência não vai ser a bala de prata. A Previdência é o principal foco, mas é o primeiro passo. Está longe de ser a solução para tudo. Faltam outras mudanças.

Quais?

A tributária, por exemplo. Mesmo que seja a simplificação para depois eventualmente vir uma redução da carga. Temos em curso um programa de privatização, que terá o duplo beneficio de contar com a gestão privada. A privatização não só proporcionará o melhor serviço e eficiência, mas também impulsionará investimentos. E mais investimentos atraem concorrentes. O Estado não tem mais capacidade de investir, sobretudo nessa cadeia de infraestrutura e energia. Privatizar é um caminho necessário para melhorar o serviço e atrair mais investimentos.

Quais empresas o CPPIB avalia nesse pacote de privatização?

Olhamos todos os tipos de negócios - sejam empresas privadas, listadas em Bolsa e as que podem ser privatizadas. Empresas de meios de pagamento, no poder do Estado, interessam, mas queremos ter clareza sobre as regras de governança. Então, o ativo tem de ser (avaliado) após a privatização. Não dá para ser empresa mista.

E as empresas da Petrobras?

Participamos do processo da TAG. Estávamos em um dos consórcios. De modo geral, no setor de combustível, seja gasolina ou gás, estamos mais focados na extração e produção, menos na distribuição.

O fundo é sócio do grupo Votorantim. Os negócios desse setor só serão feitos com eles?

Em principio, o foco dessa parceria é em energia renovável. Os dois primeiros investimentos foram em parques eólicos e outro na Cesp. Isso pode mudar no futuro.

Ao CPPIB só interessa ser sócio, sem ter o controle?

Cada caso é um caso. Temos facilidade de fazer parcerias. Buscamos parceiros que tenham experiência em operação, seja em rodovias, gás, transmissão. Não somos operadores. Trabalhamos no conselho de administração e governança. Não damos palpite no dia a dia.

Quais outros investimentos interessam ao fundo?

Tudo. Temos quatro grandes grupos de ativos: infraestrutura para energia renovável, imobiliário, private equity (compra de participações em empresas) e crédito privado (debêntures).

Qual a meta de expansão para o Brasil e o mundo?

A estratégia até 2025 é sair de 15% para 33% do portfólio em países emergentes, como China, Índia e América Latina. Até 2025, os US$ 305 bilhões serão US$ 455 bilhões. A orientação para a América Latina é ter o mesmo peso do PIB global. Até 2025, a China ser a maior economia do mundo. A América Latina crescerá em menor ritmo, mas também crescerá.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

Adiós, hermanos

Petrobras deixa de negociar ações na bolsa de valores da Argentina

Companhia informou que os investidores argentinos que tenham ações da Petrobras poderão mantê-las na Caja de Valores ou vendê-las em mercados estrangeiros

um taxa a menos

Governo acaba com seguro obrigatório DPVAT

Medida foi assinada por Jair Bolsonaro e passa a valer já em 2020

Ponto polêmico

Excluído da MP da liberdade econômica, trabalho aos domingos volta

MP inclui a possibilidade na CLT, com a ressalva de que para os estabelecimentos do comércio deverá ser observada a legislação local

Desacelerou

Ministros de comércio dos Brics observam perda de impulso na economia mundial

Autoridades dizem concordar que a “liberalização do comércio é um elemento essencial para liberar o potencial de crescimento econômico

Seu Dinheiro na sua noite

Onde Bolsonaro encontra Dilma

Albert Einstein já dizia que é loucura repetir a mesma coisa esperando obter resultados diferentes. Pois o governo aposta em uma fórmula que já se mostrou equivocada no passado recente para tentar resolver um problema crônico do país: o desemprego. A desoneração da folha de pagamento, medida que foi adotada no governo Dilma, é um […]

Onda tecnológica

Fintechs de crédito são ‘sucesso absoluto’, diz diretor do BC

Autoridade monetária já concedeu licenças a dez SCD e quatro Sociedades de Crédito Entre Pessoas (SEP)

Programa Verde Amarelo

Bolsonaro assina medida que reduz custo para contratação de jovens

Programa atenderá jovens entre 18 e 29 anos que ainda não tiveram seu primeiro emprego. Custo da mão de obra cai entre 30% e 34% para as empresas que aderirem

Valeu, foi bom, adeus

Bolsonaro deve anunciar amanhã saída do PSL em reunião com deputados aliados

Segundo deputados do PSL, o presidente deve se manter, por enquanto, independente, até encontrar um novo partido

Esfarelando

Biscoito murcho: ações da M. Dias Branco caem após (mais um) trimestre ruim

A M. Dias Branco encerrou o terceiro trimestre com um lucro líquido de R$ 134,5 milhões, cifra 42,6% menor na base anual. Esse dado, somado a outras informações preocupantes do balanço, trouxe preocupação ao mercado

Mudanças no radar

Petrobras conquista mais prazo com ANP para vender campos em terra

Novos prazos da estatal agora são dezembro, para a maioria dos campos, e junho de 2020 para ‘uma pequena quantidade’

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements