Menu
Angela Bittencourt
Blog da Angela
Angela Bittencourt
é jornalista e editora da Empiricus
2019-07-11T10:06:24+00:00
Blog da Angela

Previdência: rombo global caminha para 400 trilhões de dólares e desafia governos e gestores

Embora a maioria da população esteja convencida da necessidade da reforma das aposentadorias, há resistência às mudanças. Para o governo, porém, importa a economia de quase 1 trilhão de reais nos próximos dez anos

11 de julho de 2019
10:06
idosos
Imagem: shutterstock

Amizade, felicidade, amor e dor são temas que me interessam. Representam a essência de homens e mulheres aos 10, 20, 40, 60, 80 anos e até mais nesses tempos em que podemos chegar aos 100 e inteiros — com sorte e com a ajuda da moderna medicina, você concorda? Já passei dos 60, já me aposentei, mas penso no futuro e também por isso revisito as “Marguerites”, que li avidamente há mais de três décadas e são exemplos indiscutíveis do tanto que se pode fazer após os fatídicos 60 anos.

Marguerite Yourcenar e Marguerite Duras são escritoras francesas que não nasceram na França e que dedicaram suas vidas aos temas que muito me interessam e antecipei lá em cima: amizade, felicidade, amor e dor. Marguerite Yourcenar nasceu na Bélgica. Marguerite Duras nasceu no Vietnã. A primeira faleceu aos 84 anos; a segunda, aos 82.

Ambas foram reconhecidas por trabalhos que se eternizaram. Yourcenar, nascida Crayencour, publicou seu primeiro romance aos 17 anos, foi a primeira mulher a ocupar um assento na Academia de Letras da França e levou 30 anos para escrever sua obra mais conhecida, “Memórias de Adriano” — uma biografia do imperador romano, escrita na primeira pessoa, que impressiona pela densidade de sentimentos e reconstrução de uma época. Duras, nascida Donnadieu, escreveu mais de 50 livros e foi premiada pelo roteiro de uma obra-prima do cinema francês que nunca saiu de cartaz entre jovens de distintas gerações, “Hiroshima, Meu Amor” — referência à cidade destruída pela bomba atômica, lançada pelos Estados Unidos em agosto de 1945.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

As octogenárias “Marguerites” ultrapassaram em quase 30 por cento uma estimativa padrão que prevalece na maioria dos países e considera uma “vida de trabalho” aquela que começa aos 25 anos e termina aos 65.

Eu ainda trabalho, você sabe. Há quatro meses escrevo esta coluna às quintas-feiras. É um privilégio. Para alguns colegas de profissão, mais críticos, eu cometo uma injustiça. Estaria ocupando o lugar de outro trabalhador na folha do INSS ou na folha da Empiricus. Não vejo assim. Cumpri todas as exigências legais e estou capacitada para a atual jornada.

Investing in (and for) Our Future 

No estudo “Investing in (and for) Our Future” , publicado pelo Fórum Econômico Mundial, Maha Eltobgy, chefe de investimentos em infraestrutura, e Han Yik, responsável por investidores institucionais, informam que cerca de 40 anos de trabalho dá direito à aposentadoria na maioria dos países.

Veja você que a Nova Previdência, que deve ter seu texto-base aprovado em dois turnos de votação na Câmara até esta sexta-feira, praticamente baliza a aposentadoria no Brasil a parâmetros internacionais. O texto em votação prevê idade mínima para aposentadoria de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres. O tempo de contribuição é de 20 anos para homens e 15 para mulheres. Servidores públicos da União — assim como professores e policiais federais — terão outras regras de transição.

Embora a maioria da população esteja convencida da necessidade da reforma das aposentadorias, há resistência às mudanças. Para o governo, porém, importa a economia de quase 1 trilhão de reais nos próximos dez anos.

Os regimes de previdência são reformados ou atualizados ao longo do tempo por uma razão: as pessoas vivem mais, enquanto as taxas de natalidade recuam. “Pela primeira vez, [no mundo] há mais pessoas com mais de 65 anos do que com menos de cinco. E a expectativa de vida dos idosos nunca foi melhor”, diz o estudo do Fórum Econômico, que trata do déficit previdenciário em constante agravamento, inclusive, “porque muitas pessoas simplesmente não economizam o suficiente para a velhice e os regimes públicos de aposentadorias enfrentam dificuldades sem precedentes para equilibrar a entrada de dinheiro, via contribuições, nos sistemas previdenciários e as saídas em pagamento de benefícios”.

Déficits são acumulados mundo afora. No Brasil, o rombo previsto para este ano é de 200 bilhões de reais.

O estudo do Fórum Econômico Mundial é dedicado, especialmente, a formuladores de políticas públicas, patrocinadores de planos de aposentadoria e gestores de ativos. Mas o estudo recomenda que os cidadãos façam suas economias e seus investimentos individuais de olho no futuro em que estarão fora do mercado de trabalho.

EUA e China: uma disputa além das tarifas 

Aos gestores dos sistemas de aposentadoria e de seus déficits, o Fórum Econômico recomenda expansão da cobertura para mais indivíduos (que representarão mais contribuintes); uso de tecnologia para tornar a gestão mais eficiente; e otimização de aplicações dos recursos para maximizar o retorno obtido.

O Fórum Econômico explica que planos tradicionais de benefícios definidos vêm dando lugar a planos de contribuição definida. As contribuições em contas individuais devem ser investidas preferencialmente em uma ampla faixa de diferentes ativos — incluídos dinheiro em caixa, títulos, ações. O estudo reconhece que essa gestão impõe desafios e alerta para a necessidade de inovação nos investimentos.

Para o estudo, foram selecionadas oito economias (Índia, China, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Holanda, Reino Unido e Japão) e constatou-se que, em 2015, esse grupo apresentava conjuntamente um rombo de 70 trilhões de dólares nos regimes de aposentadoria. Em 2050, o rombo será de 400 trilhões de dólares. As populações desses oito países reúnem 3,36 bilhões de pessoas — quase a metade da população mundial, de 7,6 bilhões, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Sobre o Brasil, sinto decepcionar, ficamos de fora do estudo...

Do grupo analisado, Estados Unidos e China são os países que apresentavam os maiores déficits em 2015. Em 2050 não será diferente. Nos Estados Unidos, o rombo passará de 28 trilhões de dólares para 137 trilhões de dólares; e, na China, de 11 trilhões de dólares para 119 trilhões de dólares. Esses dois déficits serão equivalentes a 64 por cento do rombo estimado em 400 trilhões de dólares para as oito economias.

Agora vai!

Com o quórum absoluto de 513 deputados eleitos em outubro, a Câmara aprovou ontem a reforma da Previdência no primeiro turno de votação. Por 379 votos a favor e 131 contrários, o projeto do governo passou. A folga de 71 votos acima do mínimo exigido para chancelar uma emenda à Constituição turbina o prestígio do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), desautoriza a avaliação de que o governo é incompetente no quesito articulação e sugere que velhas práticas não foram abandonadas. A liberação de emendas parlamentares trouxe — aos que não tinham — a convicção de que a reforma é essencial para o país andar para a frente, embora não tenha a virtude de bombar o crescimento.

Nesta quinta-feira, serão avaliados os destaques e a votação em segundo turno da proposta, que deve se prolongar até amanhã, sexta-feira. Confirmado o cronograma de Maia, na volta do recesso, em 1º de agosto, a reforma será prioridade no Senado.

Nesta manhã, o Ibovespa abre em alta e supera 107 mil pontos e o dólar declina ao patamar de 3,73 reais. Ontem, o índice chegou a ultrapassar os 106.600 pontos para depois fechar aos 105.817 pontos; o dólar cravou 3,75 reais; os juros desabaram e o CDS de cinco anos caiu a 131 pontos, o menor desde setembro de 2014. Parte desse movimento se deve à euforia que dominou os negócios nas Bolsas americanas, sob forte impacto de declarações de Jerome Powell. O presidente do Fed, o banco central dos Estados Unidos, sinalizou no Congresso que a instituição cortará o juro em 31 de julho.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Vai ficar no papel?

Alcolumbre diz que há receio em autorizar privatização da Eletrobras

Presidente do Congresso relatou que 48 senadores do Norte e do Norte são contra, o que tornaria inviável a aprovação de um projeto com esse modelo

Acelerou

Preço médio dos imóveis residenciais sobe 0,36% em agosto

Dados foram divulgados nesta quinta-feira pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança

Ainda não é suficiente

Secretário da Previdência diz que para reforma ser sustentável, “precisamos de camada de capitalização”

Equipe econômica, no entanto, já trabalha em outras medidas como combate à fraude na concessão de aposentadorias e pensões e na gestão dos sistema

Será que vai melar?

Parlamento da Áustria aprova resolução obrigando governo a vetar UE-Mercosul

Movimento ocorre a poucos dias das eleições parlamentares na Áustria, antecipadas para o próximo dia 29 de setembro

Clima tenso entre os brothers

UE está pronta para impor tarifas retaliatórias contra os EUA, diz ministro da França

Bruno Le Maire comentou que a UE se prepara para eventuais sanções contra os EUA por causa de uma disputa sobre subsídios no setor de aviação

De olho na reforma

Câmara e Senado construirão proposta conjunta sobre reforma tributária, diz Maia

O presidente da Câmara também não descartou a ideia de criação de uma comissão mista (com senadores e deputados) para tratar da reforma tributária

O futuro da energia

Shell diz que seu plano é investir US$ 3 bilhões por ano em renováveis no mundo

Presidente da petroleira no Brasil afirmou que não há um prazo para definir os investimentos e que o importante é que os projetos “façam sentido”

De olho nas contas públicas

Governo deve descontingenciar entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões, diz secretário

Com a arrecadação maior nos últimos meses, a ideia é liberar parte do orçamento, que foi contingenciado nos meses anteriores

Será que cai mais?

Na contramão do mercado, Itaú mantém projeção para Selic em 5,0% no fim do ano

Segundo relatório da instituição, o banco seguirá observando os dados para a inflação e a taxa de câmbio do Banco Central para decidir por uma nova reavaliação

'impacto nulo'

Relator da reforma da Previdência apresenta novo parecer e acata apenas uma das 77 emendas

Emenda acatada retira do texto ponto que obrigava os servidores que entraram antes de 2003 a contribuírem por 35 anos, no caso dos homens, e 30 das mulheres, para ter direito à totalidade de gratificação por desempenho

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements