Menu
2019-08-25T13:39:52+00:00
economia que patina

País deve andar em passo lento, mesmo com reformas

Destruição provocada pela recessão, com empresas indo à falência e milhões de trabalhadores saindo do mercado, forma cenário adverso para o Brasil

25 de agosto de 2019
13:39
Crise no Brasil
Crise no Brasil - Imagem: Shutterstock

Apesar do avanço da agenda de reformas e da queda na taxa básica de juros (Selic), a economia continua patinando e não há sinais de uma recuperação acelerada no médio prazo. Há quem projete crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem ainda abaixo dos 2% - após o 0,8% esperado para 2019.

A destruição provocada pela recessão, com empresas indo à falência e milhões de trabalhadores saindo do mercado, a perda de produtividade, as incertezas políticas que travam o investimento e o freio na economia internacional formam o cenário adverso para o Brasil.

"Nossa retomada é realmente frustrante e o ponto preocupante é que o mundo pode retardar ainda mais a recuperação", diz o economista Thiago Xavier, da Tendências Consultoria. A empresa projeta alta de 2% no PIB para 2020 e 2,6% para 2021 - número superior aos 2,5% previstos pelo mercado, segundo o Relatório Focus, do Banco Central.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

"Os 2,6% parecem uma luz de aceleração, considerando que são três anos (2017, 2018 e 2019) de PIB na faixa de 1%. Mas, se a gente analisa o período mais longo, vê a dificuldade para sair da crise", acrescenta Xavier. Cálculos da Tendência apontam que, apesar de o PIB poder voltar ao patamar pré-crise em 2021, o PIB per capita alcançará esse nível apenas em 2023.

Economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani está entre os mais otimistas do mercado, com alta de 2,5% para 2020 e 2,5% para 2021 - segundo o Focus, o crescimento médio esperado para o ano que vem é 2,2%. Padovani afirma que se trata de uma recuperação lenta, mas sólida, e que ela não pode ser considerada uma retomada normal, dado o grau de devastação que a recessão deixou, principalmente em segmentos como da construção pesada e de óleo e gás.

Ainda de acordo com Padovani, estudos indicam que reformas estruturais levam até dez anos para consolidar seus efeitos na economia. "Estamos criando condições para que, no futuro, a atividade vá bem, mas não tem uma relação automática", diz. "Temos de avançar muito no ambiente de negócios, o que inclui tributos mais simples e qualificação de mão de obra, para estar num voo de cruzeiro mais perto de 4% ao ano."

Uma melhora no nível de investimentos também é apontada como essencial para acelerar o ritmo da economia. Hoje, os investimentos são da ordem de 15% do PIB. O economista José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília, afirma que esse número teria de ir para 23% para que o País pudesse crescer entre 4% e 5%. "Vai crescer pouco nos próximos dois anos, porque falta demanda. A política fiscal é contracionista; a monetária começou a ficar levemente expansionista agora e o cenário externo é ruim", diz.

A economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da Fundação Getúlio Vargas, destaca que o fator mais forte para o aumento do investimento no País - e também do PIB - é um ambiente de previsibilidade e confiança.

Apesar de a incerteza ter recuado recentemente, diz ela, ainda está em patamar elevado. O índice de incerteza da economia, calculado pelo Ibre, recuou com a aprovação da reforma da Previdência na Câmara, passando de 119 pontos em junho para 108,4 em julho, ainda próximo de 110 pontos, considerado o nível de "incerteza elevada". "Tem várias reformas em discussão, mas falta uma agenda. A reforma tributária, ninguém sabe como será. O investidor está cauteloso", diz Silvia.

Para a economista, um dos principais entraves ao crescimento - e que pode colocar o Brasil em uma posição complexa semelhante à do México - é a perda de produtividade. "O México conseguiu toda uma estabilidade macroeconômica, abriu sua economia, mas a produtividade não veio." Segundo Silvia, isso ocorreu porque empresas pouco produtivas acabaram sobrevivendo devido a ineficiências microeconômicas.

No Brasil, investimentos mal alocados, subsídios e regimes tributários especiais, como o Simples, também podem limitar os efeitos das reformas estruturantes. "Para o País crescer 3%, sem o mundo ajudar, tem de ter reformas mais severas", acrescenta Silvia, que projeta alta de 1,8% para 2020 e 2% para 2021.

Aceleração entra no debate

Diante da lentidão da recuperação econômica, medidas que acelerem o ritmo do Produto Interno Bruto (PIB) - e aliviem a situação de 13 milhões de desempregados - começam a ganhar espaço no debate. O próprio governo federal adotou uma delas ao anunciar, no mês passado, a liberação do saque de R$ 500 das contas do FGTS.

Economista-chefe da consultoria LCA, Bráulio Borges defende como estímulo econômico a redução mais significativa da taxa básica do juros (Selic). Em julho, o Banco Central cortou a Selic pela primeira vez desde março de 2018, passando a taxa de 6,5% para 6%.

Segundo Borges, como o País está em seu terceiro ano consecutivo com inflação abaixo da meta e as projeções indicam que deverá continuar assim até 2020, a taxa de juros deveria estar mais baixa, impulsionando consumidores e investidores a tomarem crédito e, assim, movimentarem a economia.

"O próprio BC já reconheceu, em ata, que a incerteza na economia é contracionista e desinflacionária. Feita a constatação de que a inflação está abaixo na meta, o BC deveria ter respondido a isso", diz Borges. Ainda de acordo com o economista da LCA, o governo agiu corretamente ao liberar o saque do FGTS, mas o impacto da medida no PIB pode ser neutralizado pela crise argentina.

O economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani, também afirma que a política monetária é o grande instrumento econômico, mas diz também haver "um pouco de espaço" para medidas de incentivo no mercado imobiliário.

O professor da Universidade de Brasília José Oreiro defende um descontigenciamento do Orçamento do governo para estimular a demanda. Para ele, ainda assim, seria possível manter a relação entre dívida e PIB estabilizada ao aumentar o PIB.

O economista Thiago Xavier, da Tendências, afirma que acelerar os projetos de concessão na área de infraestrutura seria uma medida bem-vinda.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

tensão

Preços do petróleo disparam após ataques na Arábia Saudita

Duas grandes refinarias da empresa petrolífera Aramco foram atacadas no último sábado, 14; oferta de petróleo no mundo pode sofrer uma queda de até 5%; neste domingo, contratos futuros chegaram a saltar 19%

após ataques

Petroleira saudita diz que pretende retomar um terço da produção até esta segunda

As atividades da Aramco, a estatal saudita, foram interrompidas devido a um ataque contra suas unidades no último sábado 14

guerra comercial

‘O objetivo de Washington é usar bullying e pressão’, diz embaixador da China no Brasil

Para Yang Wanming, comércio entre Brasil e China tende a sofrer no médio e longo prazos; ele diz que a guerra comercial arruinou a confiança do mercado internacional

a hora e a vez da americana

O que a Amazon, de Jeff Bezos, quer no Brasil?

Gigante varejista dos Estados Unidos avança no Brasil com lançamento do serviço Prime, mas o que isso significa para o setor do varejo e a concorrência?

tendência

Marfrig vai exportar carne vegetal para ao menos quatro países

Companhia brasileira anunciou no início de agosto a produção e comercialização de produtos à base de proteína vegetal, numa parceria com a americana ADM

tensão

Ataque à Aramco, na Arábia Saudita, pode afetar 5% da produção mundial de petróleo

Ataques à Aramco ocorrem em meio à escalada das tensões entre os rebeldes houthis, aliados do Irã, com a Arábia Saudita, apoiada pelos EUA

Proteção para a sua carteira

Ao escalar sua seleção de ações, pense duas vezes antes de colocar Vale e Suzano na defesa

As ações das exportadoras Vale e Suzano, clássicas opções defensivas para um cenário de dólar forte, acumulam desempenho negativo no ano, pressionadas pelos preços do minério e da celulose em baixa. Se esses papéis já não têm mais o mesmo apelo defensivo de antes, quais ativos da bolsa podem ocupar o miolo da zaga do seu portfólio?

quem disse que tá ruim?

Novatas de tecnologia na bolsa americana têm desempenho acima do S&P 500 – mesmo levando em conta Uber e Lyft

Levantamento feito por publicação americana leva em conta 13 IPOs de tecnologia deste ano nas bolsas e mostram que os papéis, juntos, valorizaram mais que o S&P 500

tensão

Drones atacam instalações de petroleira na Arábia Saudita

Reivindicado pelos rebeldes houthis que combatem a intervenção saudita no vizinho Iêmen, ataque atingiu duas refinarias da Aramco

oportunidades à vista

Brasil consegue abertura do mercado egípcio para lácteos e Bolsonaro comemora

Produtores brasileiros poderão exportar, já a partir de outubro, produtos como leite em pó e queijos para o mercado egípcio

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements