Menu
2019-06-07T18:44:37+00:00
Fala, senador!

‘O sistema político ficou falido, não serve mais’, diz Tasso Jereissati

Depois de três mandatos como governador do Ceará e 12 anos de experiência no Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE) demonstrou preocupação com a onda dos colegas de consultar as redes sociais antes de votar

4 de junho de 2019
12:17 - atualizado às 18:44
Tasso Jereissati
Tasso Jereissati - Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Um dos parlamentares mais experientes no Congresso, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo não ver saída para a sucessão de crises no atual sistema político, o qual considera "torto e falido". "Não serve mais. É crise após crise. Não tem clima mais para impeachment, e essas questões de um mau governo ou de um desgoverno levam à crise institucional", disse.

O tucano, que passou a ser um dos conselheiros do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), aposta no parlamentarismo como alternativa, mas avaliou ser inoportuna uma discussão mais aprofundada do tema neste momento, "porque seria considerado golpe, ilegítimo e irracional".

Depois de três mandatos como governador do Ceará e 12 anos de experiência no Senado, Tasso demonstrou preocupação com a onda dos colegas de consultar as redes sociais antes de votar. "A população nem sempre está com a razão e isso começa com o julgamento de Jesus Cristo e Barrabás."

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

O sr. tem participado de discussões sobre o parlamentarismo. Isso vai ser analisado pelo Congresso?

Há uma preocupação em relação às crises políticas, desencontros e até antagonismos entre os Poderes. Sem estabilidade, o País não cresce. Pode passar a reforma da Previdência, (mas), se não houver um clima de estabilidade e confiança, vamos continuar com os mesmos problemas. A economia está mal. Todo governo procura estabilidade e a oposição tenta desestabilizar. Mas, aqui, o próprio governo cria crises para desestabilizar e cria um clima que não é propício ao investimento, que é fundamental.

E sobre o parlamentarismo?

Algumas pessoas, inclusive eu, defenderam - não para agora porque seria considerado golpe, ilegítimo e irracional, mas para o futuro -, começar uma discussão sobre parlamentarismo. A minha ideia, e do próprio senador José Serra (PSDB-SP), autor da proposta, é que o sistema político que estamos vivendo ficou torto e falido, não serve mais. É crise após crise. Não tem clima mais para impeachment, e essas questões de um mau governo ou de um desgoverno levam à crise institucional. No parlamentarismo, o Congresso vai ter mais compromisso na hora de votar ou deixar de votar em função de que seu mandato vai estar em jogo também.

E o sr. tem esperança no governo do presidente Jair Bolsonaro?

A área econômica está no rumo certo. Mas pode se tornar um governo extremamente ineficiente em função de outras áreas. É um governo liberal na economia, mas conservador nos costumes e comportamento social. Sou menos pessimista porque acho que a economia está indo na direção correta. Existe uma possibilidade grande de essas reformas serem aprovadas no Congresso. Há uma consciência de que elas são necessárias, apesar dos desacertos do governo, e as reformas vão andar por si só. Ele (Bolsonaro) se complica muito se mantiver essa visão retrógrada em relação à liberdade das pessoas e suas opções de vida e manifestação de opiniões.

O sr. também consulta as redes sociais antes de votar?

Antigamente, eram proibidas manifestações na galeria do Senado, sob o princípio de que os senadores não poderiam votar sob pressão das galerias. As votações eram de acordo com a convicção. Agora, as pessoas votam com medo de apanhar das redes sociais. E a população nem sempre está com a razão, a começar com o julgamento de Jesus Cristo e Barrabás. É preciso ter equilíbrio. As redes sociais devem ser ouvidas, mas tem de seguir as convicções, porque o nível de informações que você tem é maior que a multidão como um todo.

O sr. será o relator da reforma da Previdência no Senado. Como vai conduzi-la?

A reforma é essencial. Só tenho medo porque está se apostando tudo nela. Ela é essencial para evitar que o País não caia no precipício, mas não resolve todos os problemas. Ela vai dar as condições para a gente crescer e tomar iniciativas. Há uma certa visão de que o governo precisa agir e motivar um crescimento econômico mais acelerado. Meu medo é de que fique essa expectativa de que passou e está tudo resolvido. Não está.

E o governo indicou alguma alternativa?

Até agora, não. Estamos na expectativa, mas, concretamente, ainda não. E acho que isso está quebrando o ânimo dos investidores do mercado, porque parece música de uma nota só: Previdência.

E a reforma tributária?

A reforma tributária é mais difícil de aprovar do que a da Previdência. Se ele (Bolsonaro) imagina uma reforma tributária que vai elevar a arrecadação, não é o que a população nem o setor produtivo estão esperando. Se o ministro da Economia (Paulo Guedes) conseguir aprovar isso em três anos, eu dou um beijo na testa dele.

O sr. defendeu o pacto entre os Poderes. É o caminho?

É uma boa iniciativa. No Brasil, está todo mundo contra todo mundo. É preciso, como sociedade, ter alguma visão comum de rumo de Estado, que as pessoas se compreendam e marchem para pontos que são comuns a todos. A iniciativa é boa, mas precisamos muito do saneamento, educação, que está parada, e é importante porque vivemos no mundo do conhecimento. Não adianta ter reforma da Previdência se não tiver uma população preparada para esse mundo novo da internet, da inteligência.

O sr. é um dos conselheiros de Davi Alcolumbre. Vai aconselhá-lo a assinar o acordo?

Não conheço o texto, mas imagino que seja mais de propósitos e intenções do que uma coisa concreta. Acho que vale como um gesto das autoridades. Mas não vejo muito sentido um papel escrito. Existe uma má vontade grande com o governo. Tanto no Senado como na Câmara e isso precisa ser desfeito.

Essa má vontade é normal em início de governo?

Claro que não. Há uma inexperiência enorme, falta de aptidão para governar muito grande e um desconhecimento da coisa pública. Isso é uma coisa inédita. Eu nunca vivi isso. É tão novo para mim quanto para um garoto de 18 anos que está chegando agora. E ainda tem essa influência dos filhos (de Bolsonaro) de uma maneira negativa para o próprio governo, que cria um atrito e desestabiliza, que é contra o governo. Bolsonaro ainda não conseguiu cair a ficha: sou o presidente da República e é preciso estabilidade, que é importante cada coisa que falo e que tem reflexos e consequências. E precisamos ter a condição necessária para fazer as coisas acontecerem. No momento que cair essa ficha, as coisas vão melhorar e (ele pode) até dar umas palmadas nos filhos.

O PSDB já comandou o Ministério da Educação. Como o sr. vê o trabalho do atual ministro?

Eu pensei até que era brincadeira quando vi o ministro (Abraham Weintraub) cantando o musical de Gene Kelly. Isso é uma coisa que leva a uma frustração muito grande a quem está preocupado com o País. Dá um certo desânimo. A sensação que temos é de uma educação parada.

O sr. foi relator da MP do Saneamento, que caducou. Como pretende reverter isso?

O saneamento está entre os problemas mais sérios no Brasil e, infelizmente, não é dada a relevância. Crianças brincam em cima do esgoto. A iniciativa privada precisa ser atraída para investir por uma razão simples: são necessários R$ 550 bilhões nos próximos dez anos para chegar a 80% da cobertura.

O sr. vai apoiar o governador de São Paulo, João Doria, à Presidência em 2022?

É muito cedo. Qualquer governador de São Paulo é um "candidatável" a presidente. Mas minha vida política ensina que temos muita água para rolar embaixo da ponte até lá. Aprendi isso quando FHC era senador, não era lembrado para candidato à reeleição do Senado porque tinham opções mais fortes, e acabou virando presidente da República. Tem muita água para correr ainda.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Objetivo muito distante

Maia diz ser ‘temerário’ falar em privatização da Petrobras até 2022

Presidente da Câmara ressaltou que, por ser a Petrobras uma empresa de capital aberto, o assunto da venda fica mais delicado

Mas e o prazo?

Jereissati diz que relatório da reforma da Previdência não será mais entregue nesta sexta-feira

Pelo cronograma inicial, o relatório seria lido na comissão na próxima quarta-feira, 28

Seu Dinheiro na sua noite

Quem manda é o lucro

Vermelho ou verde? Para facilitar a vida de míope mal curado, deixo sempre as duas cores bem berrantes na tela de cotações que fica a meu lado para saber rapidamente quando a bolsa e as principais ações do Ibovespa estão em alta ou em queda. Hoje foi o típico dia em que um único ponto […]

Ninguém segura!

Azul fecha acordo com aérea regional Asta e amplia operações em Mato Grosso

Focada em viagens ligadas ao agronegócio, a ASTA existe desde 1995 e, atualmente, opera onze voos diários no Mato Grosso

Falta gás

Apesar de espera positiva por FGTS, mercado de trabalho ainda trava ímpeto de compra

Analistas da FGV afirmam que o saldo positivo do Índice de Confiança do Consumidor em agosto deve ser encarado com certa cautela

Ninguém mexe!

Governo não cogita alterar meta fiscal, diz Ministério da Economia

Meta limita o déficit primário do governo para este ano a R$ 139 bilhões

Se deu bem

Conselho da Anatel aprova termo que troca multas contra a TIM por iniciativas de melhora de atendimento

Acordo prevê a troca de R$ 627 milhões em sanções por uma série de iniciativas que a companhia deverá assumir e colocar em prática

Em debate no Congresso

Campos Neto diz estar seguro que PL da autonomia do BC blindará a instituição e a UIF, ex-Coaf

Declarações foram feitas nesta manhã durante a posse do novo presidente da UIF, Ricardo Liáo

Tá difícil de acreditar

Confiança de micro e pequeno empresário cai 7,6% nos primeiros sete meses do ano

Para 53% dos pessimistas com a economia, são as incertezas políticas que justificam sentimento negativo

No meio do caminho tinha uma pedra

Relator da Previdência no Senado diz que indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada atrapalha tramitação da reforma

Indicação ainda não foi oficializada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, pai do deputado

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements