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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Reforma da Previdência

O próximo governo terá que fazer escolhas difíceis, diz Pedro Malan

Em palestra, ex-ministro e um dos pais do Plano Real disse que definir prioridades é necessário, embora não seja da nossa tradição; e que reforma da Previdência será tanto mais custosa quanto mais demorar a ser feita

25 de novembro de 2018
13:16 - atualizado às 15:36
Pedro Malan: “A reforma da Previdência é inevitável, e o custo de fazê-la será tanto maior quanto mais ela demorar a ser feita” - Imagem: Clayton de Souza/Estadão Conteúdo

“O próximo governo terá que fazer uma coisa que não é muito da nossa tradição: fazer escolhas difíceis e definir prioridades”. Estas são palavras do ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Pedro Malan, um dos pais do Plano Real.

Em palestra em São Paulo durante o evento de aniversário de nove anos da Empiricus, o economista reiterou, como seria de se esperar, a urgência de se equalizar as contas públicas e priorizar a reforma da Previdência.

“A reforma da Previdência é inevitável, e o custo de fazê-la será tanto maior quanto mais ela demorar a ser feita”, disse.

Para o economista, é ilusório e enganoso achar que o desequilíbrio nas contas públicas - nosso grande desafio de curto, médio e longo prazo - será resolvido apenas com aumento de produtividade e retomada do crescimento.

“O grau de percepção já mudou, mas ainda tem muita gente que acha que o déficit da Previdência não existe. A reforma previdenciária é a mais urgente, até para restaurar o clima de confiança, para o resto do mundo, na nossa capacidade de lidar com nossos problemas”, defendeu.

Malan disse acreditar que já exista compreensão em relação à necessidade de equacionar o problema fiscal, mas que ela ainda é insuficiente: “Deixam a desejar o entendimento da população em geral e o grau de comprometimento das lideranças políticas”.

Exemplo disso seria o aparente paradoxo de a população brasileira ter mostrado nas urnas seu descontentamento com a classe política e a qualidade dos serviços públicos, mas continuar esperando que o Estado resolva todos os problemas.

“Há uma crítica ao setor público, mas ao mesmo tempo há desejo e expectativa de que o Estado faça mais e melhor aquilo que já não está fazendo direito. Falta compreensão de que o Estado não gera recursos, seus recursos vêm da tributação e têm limites”, disse.

Em sua exposição, Malan lembrou que as rápidas e atípicas expansões populacional e urbana do Brasil ao longo do século 20 contribuíram para um aumento de demandas a serem atendidas pelo Estado, de infraestrutura a saúde, educação e saneamento, passando pela redução da pobreza e das desigualdades.

“Mas ao responder a tudo isso sem definir prioridades, geramos hiperinflação. Naquele período, estávamos tentando compatibilizar todas aquelas demandas. Mas não queremos mais fazer essa experiência, de usar a inflação para atender às demandas sociais”, observou.

Privatizações

Perguntado sobre as privatizações, o ex-ministro disse que estas não deveriam ser usadas para gerar recursos, mas sim para tornar a economia mais eficiente e competitiva.

“O governo fez bem em privatizar as distribuidoras da Eletrobrás, ou o contribuinte acabaria pagando pela ineficiência. O programa de venda de ativos da Petrobras também estava funcionando. Mas não tem sentido trocar um monopólio público por um privado. A Petrobras tem praticamente o monopólio do refino. Se for possível estimular a competição, melhor”, respondeu.

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