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Nicholas Sacchi
Crypto News
Nicholas Sacchi
COLUNISTA

O inverno chegou para as criptomoedas… e elas se uniram para não passar frio

Só em 2018, foram 115 acordos de fusões e aquisições, com previsão de que atinjam 145 até o fim do ano. Um salto de 209% em relação ao ano anterior.

19 de outubro de 2018
15:05 - atualizado às 18:22
Sansa Stark, de Game of Thrones - Imagem: Divulgação

Um corvo veio da Cidadela. Um corvo branco. O inverno está aqui. (Sansa Stark, dama de Winterfell)

Pois é, caro leitor. Parece que George Martin já preconizava o inverno das criptos em sua série Game of Thrones. O episódio "Winter is here" foi ao ar no dia 16 de julho do ano passado, mas parece que ninguém ouviu com atenção as sábias palavras de Sansa.

Na época, o interesse pelas criptomoedas estava numa curva ascendente, perto de se tornar uma mania que levaria o preço de diversos ativos às alturas. Junto com os preços, diversas empresas foram surgindo no segmento. Não seriam só os criptoativos que floresceriam, mas toda uma nova economia.

O inverno continua aqui. O mercado segue numa pirambeira desde janeiro. Se você não se preparou, provavelmente congelou ou sangrou até a morte. O mercado todo passou por isso.

Mas essa é uma etapa importante do ciclo de amadurecimento do mercado. A consolidação.

Prova disso é que, em meio à queda, o número de fusões e aquisições no ecossistema de blockchain e criptoativos atingiu o nível recorde neste ano, segundo dados de uma pesquisa feita pela JMP Securities.

Só em 2018, foram 115 acordos de M&A, com previsão de que atinjam 145 até o fim do ano. Um salto de 209% em relação ao ano anterior.

Natural, já que, com a queda no valor das criptomoedas, nem todas as empresas conseguem se sustentar em seu modelo de negócio, principalmente se tiverem sido mal administradas nos tempos de bonança.

Qual a vantagem de se unir?

Para as empresas que já se consolidaram nesse mercado, adquirir outra empresa é um baita negócio. Além de conseguir aumentar sua base de clientes, você traz para dentro de casa uma equipe inteira de profissionais qualificados, tão difíceis de serem encontrados no mercado nesse setor.

E, com os preços dos criptoativos em baixa, parece ser um momento ideal para a aglutinação do mercado, visto que o preço de muitos dos ativos ainda possui uma forte ligação com o bitcoin, então boas empresas podem ser adquiridas por verdadeiras pechinchas.

A Coinbase lidera os acordos de M&A nesse setor, sendo que das dez aquisições feitas pela empresa, oito ocorreram neste ano.

Ao adquirir a Earn.com — uma empresa que permite aos usuários realizar pagamentos e recebimentos em criptomoedas em troca de executar tarefas simples, como responder a e-mails — a Coinbase conseguiu seu primeiro chefe de tecnologia, Balaji Srinivasan, ex-CEO da Earn.

Há vários outros exemplos de aquisições, como a equipe da criptomoeda Tron, que adquiriu o BitTorrent, um aplicativo de compartilhamento de arquivos P2P. Ou a Binance, uma das maiores exchanges do mundo, que adquiriu a Trust Wallet, uma provedora de carteira de tokens de Ethereum para celular.

Mais uma vantagem para as adquirentes: ao englobar uma empresa, você recebe, de quebra, uma solução tecnológica que demoraria alguns meses para desenvolver por conta própria.

No final das contas, acaba sendo bom para todo mundo. Para o mercado, que fica mais maduro, com empresas mais sólidas e melhores alternativas de investimento, e para você, que tinha ficado com um picolé na mão, sem roupa, na nevasca, mas que, com o amadurecimento do ecossistema, já começa a ver uma luz no fim do túnel.

Fique tranquilo, a próxima temporada já está logo ali.

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