Menu
2019-08-27T08:54:12+00:00
Crescimento no país

‘O Brasil não vai voltar a crescer 3% ao ano’, diz Marcos Lisboa

“Primeiro: o Brasil vai crescer menos daqui para frente. O Brasil tinha uma população que crescia 4% ao ano. Agora, cresce menos de 1%. Se você quer crescer 3%, a produtividade tem de crescer 2%”, destacou o presidente do Insper

27 de agosto de 2019
7:59 - atualizado às 8:54
PIB
PIB -

As reformas estruturantes do País estão andando devagar - daí a lentidão na recuperação econômica -, e a única medida que o governo pode tomar para que o PIB cresça de forma mais expressiva é acelerar essa agenda. Ainda assim, a economia brasileira não vai mais repetir números superiores a 3%, pois a população não cresce mais como antes, segundo o economista Marcos Lisboa, presidente do Insper.

“Tudo indica que o Brasil não vai voltar a crescer 3% de forma sustentável. O que aprendemos no passado é que, se a gente consegue sinalizar que o Brasil está enfrentando com rigor a questão fiscal, isso dará maior segurança sobre o futuro da economia”, diz ele, que foi secretário de política econômica entre 2003 e 2005.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

As reformas estão avançando, mas ainda não há um resultado prático na vida das pessoas...

Opa, parou de piorar.

Não deveríamos esperar um resultado mais significativo?

Não. Fizemos muito pouco até agora. Olha a questão do déficit dos Estados. O que fizemos para resolver isso? A agenda está andando muito devagar.

Com mais velocidade nas reformas, sairemos da estagnação?

Tem de fazer muita reforma. Primeiro: o Brasil vai crescer menos daqui para frente. O Brasil tinha uma população que crescia 4% ao ano. Agora, cresce menos de 1%. Se você quer crescer 3%, a produtividade tem de crescer 2%. A produtividade do Brasil não cresce isso há 40 anos. Uma série de intervenções pioraram a produtividade. A incerteza sobre os investimentos aumentou. Você começa o projeto e não sabe quais serão suas obrigações. Olha o fracasso das concessões dos aeroportos no governo Dilma. A área de infraestrutura não consegue investir hoje no Brasil. Segundo: desde o segundo governo Lula, você voltou a fechar a economia. Terceiro: em vez de fazer reforma da Previdência lá atrás, o Brasil começou a inventar maneiras de aumentar a arrecadação para fechar as contas. Em vez de se fazer reformas para corrigir problemas estruturais e de aceitar as regras da competição - que é melhor ter acesso a máquinas mais eficientes do exterior, porque isso ajuda a produtividade interna -, fomos pelo caminho oportunista. O problema foi ficando maior e o ambiente de negócios, pior.

Mas aumentar a velocidade das reformas é suficiente para o Brasil crescer mais?

A sociedade não quer fazer reforma. A culpa é nossa. Como não fizemos a reforma da Previdência dos Estados agora? A parte tributária: o setor privado resiste, porque grupos isolados têm receio de pagar mais. Abertura comercial: setores de bens de capital resistem.

Se há necessidade de reformas, mas a sociedade resiste, o PIB poderá crescer mais de 1%?

Não vou fazer previsão. Se o País quiser um crescimento de 3% sustentável, tem de fazer reformas, o que implica perdas para alguns grupos. O Brasil hoje é o resultado de uma sociedade que acha normal a distribuição de benefícios: política de proteção regional, barreiras comerciais, incentivos tributários... A boa notícia é: não tem problema novo. Todos esses problemas já existiam antes, alguns há 20 anos, como o da Previdência. Quanto mais demora, pior a situação fiscal. A conversa de abertura comercial começou, mas não andou. Tem muitas medidas que estão na mão do secretário de Comércio Exterior (Marcos Troyjo) que poderiam estar sendo tomadas, como redução de restrições não tarifárias.

A agenda micro está parada?

Isso podia estar andando. A grande degradação do País é (nas áreas) tributária, de comércio exterior e de previsibilidade para investimento em infraestrutura. A da infraestrutura está andando mais. O ministro Tarcísio de Freitas está fazendo um trabalho de normalizar o processo. Se acertar, vai ser um salto para o País.

Mas as concessões devem demorar para impulsionar o PIB, não?

Nada é rápido. Esse tipo de agenda de reforma para crescimento demora muitos anos. A Inglaterra fez a reforma rápido, com (a primeira-ministra Margaret) Thatcher. Foram três anos de sofrimento, mas depois o crescimento foi rápido. Austrália e Nova Zelândia preferiram fazer essa agenda lentamente para não criar muita dor no caminho. Mas tiveram seis, oito anos de crescimento medíocre.

Para aliviar essa situação no curto prazo, não se deve adotar alguma medida?

Deve-se acelerar a agenda de reformas.

Mas as reformas não vão ter impacto já. Enquanto isso, há 13 milhões de desempregados...

Não sei o que fazer nesse caso. Estamos atrapalhando a redução do desemprego ao demorar para fazer o ajuste. Consigo imaginar várias medidas de estímulo no curto prazo, mas que vão piorar a economia no médio prazo.

Liberação do FGTS prejudica no curto prazo?

Está batendo um pouco de ansiedade porque o diagnóstico estava otimista. Tudo indica que o Brasil não vai voltar a crescer 3% de forma sustentável nos próximos anos. O que aprendemos no passado é que, se a gente consegue sinalizar que o Brasil está enfrentando com rigor a questão fiscal, reduzindo gastos obrigatórios e enfrentando a situação dos Estados, isso dá maior segurança sobre o futuro da economia. Isso auxilia a retomada da produção e do emprego.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

quem disse que tá ruim?

Novatas de tecnologia na bolsa americana têm desempenho acima do S&P 500 – mesmo levando em conta Uber e Lyft

Levantamento feito por publicação americana leva em conta 13 IPOs de tecnologia deste ano nas bolsas e mostram que os papéis, juntos, valorizaram mais que o S&P 500

tensão

Drones atacam instalações de petroleira na Arábia Saudita

Reivindicado pelos rebeldes houthis que combatem a intervenção saudita no vizinho Iêmen, ataque atingiu duas refinarias da Aramco

oportunidades à vista

Brasil consegue abertura do mercado egípcio para lácteos e Bolsonaro comemora

Produtores brasileiros poderão exportar, já a partir de outubro, produtos como leite em pó e queijos para o mercado egípcio

unicórnio vai à bolsa

Startup de escritórios compartilhados WeWork reduz poderes do CEO

Prestes a estrear na bolsa, a WeWork enfrenta a preocupações de investidores por conta de seu modelo de negócio.

olha a dupla aí

Com IPO da C&A e avanço da Amazon, mercado espera aceleração de investimentos no varejo

Especialistas avaliam a oferta pública inicial de ações da rede de lojas de vestuário e a escalada da varejista fundada por Jeff Bezos

novela com o bilionário

Executivo das criptomoedas pagou US$ 4,6 milhões por almoço com Warren Buffett – mas encontro pode não acontecer

CEO da Tron, Justin Sun, venceu leilão beneficente que promove um encontro com o lendário investidor, mas história teve desdobramentos inesperados

olhos lá na frente

Mineradora tem projeto de R$ 9,1 bi com megabarragem no Norte de MG

Projeto prevê uma das maiores barragens de rejeitos do País, mas é condenado por entidades como o Movimento dos Atingidos por Barragens; empresa afirma que o modelo é seguro

o melhor do seu dinheiro

MAIS LIDAS: Uma empresa que vale zero?

Mais lida da semana, matéria conta as duras críticas de um analista quanto ao negócio da Tesla, do bilionário Elon Musk. Veja outras notícias que bombaram no Seu Dinheiro nos últimos sete dias.

agora vai?

CSN negocia retomada da ferrovia Transnordestina

Já foram investidos na obra R$ 6,2 bilhões e ainda faltam R$ 6,7 bilhões para concluir os 48% da ferrovia que restam para ser feitos

o futuro já chegou

Carros elétricos são estrelas em evento de Frankfurt

No Salão de Frankfurt, praticamente todos os estandes tem os automóveis movidos a energia elétrica ou híbridos como atrações principais

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements