Menu
2019-08-10T10:08:22+00:00
Medida polêmica

Mudança no IR pode custar até R$ 40 bilhões

Embora seja promessa de campanha e tema recorrente do presidente, a ampliação da faixa dos que não pagam o IR enfrenta resistência da equipe econômica

10 de agosto de 2019
10:08
O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro - Imagem: Marcos Corrêa/PR/Flickr/Planalto

A proposta do presidente Jair Bolsonaro de aumentar a isenção da tabela do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos (R$ 4.990), que voltou a ser defendida ontem, traria uma perda de arrecadação de cerca de R$ 39 bilhões. Hoje, quem ganha até R$ 1.903,98 por mês está isento de declarar o IR. A proposta de Bolsonaro atingiria 11,2 milhões de pessoas. O cálculo não leva em conta o fim das deduções médicas na declaração de IR, medida em estudo pela equipe econômica.

"Vou continuar batendo nesta tecla, porque acho que quem ganha até cinco mínimos em grande parte, quase todo mundo tem o imposto retornado para eles. Se a gente puder facilitar a vida deles, seria muito bom no meu entender", declarou o presidente ontem na portaria do Palácio da Alvorada, ao ser questionado sobre a proposta do governo de reforma tributária.

Embora seja promessa de campanha e tema recorrente do presidente, a ampliação da faixa dos que não pagam o IR enfrenta resistência da equipe econômica. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, não é possível conceder o benefício nesse momento. Segundo um integrante da equipe econômica, é uma questão de difícil equacionamento "matemático" diante do ajuste fiscal.

Mesmo assim, a orientação dada à Receita é buscar uma solução que contemple o pedido do presidente. Entre elas, um mecanismo de correção da tabela pela inflação, o que também envolve perda de arrecadação. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o custo é entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões para cada ponto porcentual de correção.

O cálculo da economia com o fim das deduções médicas é difícil de ser feito porque muitos contribuintes devem optar pelo modelo simplificado (em que há um desconto único de 20% para qualquer faixa).

O presidente disse que a ideia é diminuir "um pouco" a alíquota de 27,5%, que incide hoje sobre ganhos acima de R$ 4.664,68 mensais. A proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes, é "abaixar um pouquinho" a alíquota do IR e compensar com o fim das deduções com gastos médicos e educação. Deduções permitem diminuir o valor do imposto a ser pago ou aumentar a restituição a receber. Do total de R$ 45,9 bilhões de subsídios na área de saúde, em 2017, R$ 15,1 bilhões são com deduções médicas no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). O equivalente a 32,8% do total de subsídios em saúde e 8,9% da arrecadação do IRPF.

A ideia é reduzir as alíquotas e reajustar a tabela do IR pela inflação, o que não acontece desde 2015. "Isso eu já falei com eles. Pelo menos corrigir de acordo com a inflação, porque não passou a ser Imposto de Renda, passou a ser redutor de renda", afirmou o presidente.

Bolsonaro negou que o governo vá recriar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPFM). "Já falei que não existe CPMF". Pela proposta de reforma tributária em elaboração pelo Ministério da Economia, a contribuição seria criada para compensar a desoneração da folha de pagamento em todos os setores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Investindo em energia

BNDES aprova empréstimo de R$ 1,26 bilhão para complexo eólico da Engie na Bahia

Investimento total no complexo é de R$ 1,6 bilhão, incluindo as linhas de transmissão associadas

Mais um passo

Comissão especial da Câmara aprova texto principal da reforma da Previdência dos militares

Votação é terminativa, mas o projeto pode ir ao plenário da Casa se for apresentado um requerimento com 51 assinaturas

Falando de mercado imobiliário

Preço dos imóveis residenciais no país cresce 0,32% em setembro, diz Abecip

No acumulado dos últimos 12 meses, o preço dos imóveis teve aceleração, chegando a 2,55% em setembro ante 2,33% em agosto

QUINTA-FEIRA, ÀS 11H

Os 90 anos da crise de 1929: uma conversa ao vivo com Ivan Sant’Anna

Ivan Sant’Anna e a equipe do Seu Dinheiro farão uma transmissão ao vivo nesta quinta-feira (24), às 11h00, para discutir o crash da bolsa de Nova York — evento que está completando 90 anos

This time is different?

Dólar alto e juro baixo? Para Verde Asset essa é uma equação possível

Em artigo, gestora do renomado Luis Stuhlberger detalha o que poderia ser o novo normal da economia brasileira

E a crise continua...

Major Olimpio pedirá destituição do diretório comandado por Eduardo Bolsonaro

Episódio é mais um capítulo da disputa travada por bolsonaristas e o grupo do deputado federal Luciano Bivar, presidente da sigla, pelo comando do partido

No entra e sai de dólares

Fluxo cambial total em outubro até dia 18 é negativo em US$ 6,224 bilhões

Já o fluxo cambial do ano até 18 de outubro ficou negativo em US$ 19,195 bilhões

Agendado

Tasso Jereissati diz que votação da PEC paralela da reforma da Previdência na CCJ do Senado será em 6 de novembro

Projeto prevê a possibilidade de Estados e municípios aderirem às novas regras de aposentadoria e pensão no País

Questão dos praças

Governo fecha acordo com o PT para votação da reforma da Previdência dos militares

Relator incluiu pedido pelo PT de modificar o texto para criar um adicional de 10% sobre o salário para todos os militares em posição de comando

O desfile vai começar?

Para Bradesco, reforma deve ser carro “abre-alas” para outras que o país precisa

Para o presidente do banco, Octavio de Lazari, a aprovação da reforma da Previdência permitirá tração na recuperação da economia brasileira

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements