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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Esquenta dos mercados

Mercados locais devem abrir animados pelos balanços nos EUA

Bom desempenho das bolsas americanas no feriado devem levar Ibovespa a abrir em alta; hoje tem Ibope e balanços nos EUA

15 de outubro de 2018
8:21 - atualizado às 8:24
Mercado já não espera um Bolsonaro muito liberal, mas está de olho em propostas para privatizações e reformas - Imagem: Seu Dinheiro

Bom dia investidor! A bolsa brasileira deve abrir em alta nesta segunda-feira (15) depois de sessão bastante positiva em Nova York na sexta, feriado no Brasil.

Os balanços de empresas como os bancos Wells Fargo e o Citigroup animaram os investidores e levaram as bolsas americanas a fechar em alta.

Com isso, os ADR brasileiros - recibos de ações negociados no exterior - tiveram alta, o que indica abertura positiva para os mercados neste início de semana.

Os juros dos títulos públicos americanos com prazo de dez anos continuam elevados, acima de 3%, e subiram no último pregão.

Permanece a preocupação com uma alta de juros pelo Fed mais rápida que o esperado, devido ao aquecimento da economia americana, o que eleva a aversão a risco.

O petróleo também continuou subindo na sexta, com a previsão de aumento da produção por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e de redução da demanda para o ano que vem pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Mesmo assim, a temporada de balanços prossegue nesta segunda e deve manter os mercados animados.

Na quinta-feira passada, as preocupações em relação ao ritmo do aperto monetário pelo Fed, a escalada dos preços do petróleo e a tensão comercial entre EUA e China contaminaram os mercados locais, levando o Ibovespa a fechar em queda de 0,91%, aos 82.921 pontos. Na semana, porém, o índice acumulou alta de 0,73%.

Liberal, mas nem tanto

No mercado, diz-se que a vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais já está precificada. Agora o foco são as declarações sobre seu plano de governo, especialmente reformas e privatizações.

O mercado já sabe que não pode mais esperar um governo tão liberal quanto gostaria. No fim de semana, Bolsonaro voltou a fazer declarações nacionalistas.

Disse que acolhe 90% das ideias de Paulo Guedes (ministro da Fazenda em seu eventual governo), mas que o mercado vai gostar de seu plano de privatização. "A ideia é vender, primeiro, as quase 50 estatais criadas pelo PT", disse.

O candidato disse ainda que as estatais estratégicas, como BB, Caixa, Furnas e o setor elétrico, não serão privatizadas.

Tal viés do presidenciável já não é surpresa para o mercado. Declarações similares na semana passada levaram o mercado a corrigir a euforia anterior, notadamente em relação às estatais. Eletrobrás terminou a semana com perda de 9%, e Petrobras, de 4%.

Já Paulo Guedes defendeu, no feriado, a venda de todas as distribuidoras da Eletrobrás e alguns casos de geração, como a eólica. O mercado espera que Guedes consiga convencer Bolsonaro ao máximo de privatização.

Em relação à reforma da Previdência, no entanto, o mercado se preocupa, pois o candidato já andou defendendo uma reforma mais branda e sinalizando que ela pode demorar a ocorrer.

A pesquisa de intenção de voto do BTG/FSB, divulgada nesta madrugada, mostra Bolsonaro com 59% dos votos válidos contra 41% de Haddad.

A pesquisa mostrou ainda um índice muito maior de rejeição para Haddad (53%) do que para Bolsonaro (38%).

Dólar

Com a convicção de que Bolsonaro chegará ao Planalto já amplamente antecipada também no câmbio, o dólar trava no intervalo de R$ 3,70 a R$ 3,80, acomodando o entusiasmo recente.

A moeda caiu 2,07% na primeira semana depois da eleição, mas na quinta fechou em alta de 0,35%.

O Commerzbank projeta que o dólar pode terminar o primeiro trimestre de 2019 em R$ 3,90, mas pode cair a R$ 3,50 se Paulo Guedes conseguir aprovar a reforma da Previdência. Para 2018, o banco reduziu a previsão de R$ 4,30 para R$ 3,80.

Hoje tem Ibope e balanços nos EUA

Hoje à noite serão divulgadas as pesquisa do Ibope e da TV Record/Real Time, além das pesquisas estaduais do Instituto Paraná em São Paulo e no Rio de Janeiro, e do Correio Braziliense, no Distrito Federal.

No Brasil, teremos o boletim Focus, do Banco Central, e os dados da balança comercial semanal.

Nos Estados Unidos, às 9h30, serão divulgados o índice Empire State e as vendas no varejo em setembro. A temporada de balanços prossegue com gigantes do setor financeiro, começando hoje pelo Bank of America.

Nesta segunda também termina o prazo para que a Itália e outros países da zona do euro apresentem seus planos orçamentários à Comissão Europeia.

Na China, serão divulgados os índices de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) em setembro.

A balança comercial chinesa, divulgada no feriado, mostrou alta inesperada das exportações (14,5% em setembro, contra previsão de 8,8%), apesar da guerra comercial com os EUA.

Com isso, o superávit comercial cresceu para US$ 31,69 bilhões, bem acima do esperado de US$ 18 bilhões.

A escalada protecionista de Trump não impediu que o déficit americano com a China batesse novo recorde. O superávit chinês com os EUA cresceu de US$ 31,1 bilhões em agosto para US$ 34,1 bilhões em setembro.

*Com informações do Bom Dia Mercado, de Rosa Riscala. Para ler o Bom Dia Mercado na íntegra, acesse www.bomdiamercado.com.br

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