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2019-11-20T18:15:06-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Enquanto isso, no exterior...

Os mercados lá fora funcionaram normalmente nesta quarta-feira. E o tom foi negativo

Novos temores quanto aos rumos das negociações entre EUA e China lançaram as bolsas globais ao campo negativo nesta quarta-feira. No mercado de câmbio, o dólar se fortaleceu em escala mundial

20 de novembro de 2019
10:41 - atualizado às 18:15
Selo Mercados FECHAMENTO
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A parada dos mercados financeiros do Brasil nesta quarta-feira (20), em função do feriado do Dia da Consciência Negra, teve um timing bastante oportuno. Afinal, as bolsas mundiais operaram em queda generalizada durante todo o dia, enquanto o dólar se fortaleceu em escala global — os ativos locais, assim, ficaram de fora dessa onda negativa.

Como tem sido de praxe, as incertezas ligadas à guerra comercial entre Estados Unidos e China ditaram os rumos das negociações no exterior. Na terça-feira (19), o presidente americano, Donald Trump, voltou a dar sinalizações dúbias, afirmando estar contente com as negociações, mas ressaltando que, caso os diálogos não avancem, ele irá "aumentar as tarifas" incidentes sobre produtos chineses.

Hoje, a agência Reuters noticiou que a conclusão da primeira fase do acordo entre as duas potências deve ficar apenas para 2020. A notícia levou as bolsas americanas, que já vinham com desempenho negativo, a ampliarem as perdas na parte da tarde. Horas depois, o porta-voz da Casa Branca Judd Deere negou qualquer atraso e afirmou que as negociações seguem fazendo progressos.

As tensões sociais em Hong Kong contribuíram para aumentar ainda mais os atritos entre Washington e Pequim. Na noite passada, o Senado americano aprovou uma legislação que proíbe a exportação de itens como gás lacrimogênio e balas de borracha às forças policias da ex-colônia britânica — medida que enfureceu autoridades chinesas.

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Assim, por mais que na semana passada o clima fosse de otimismo em relação às negociações comerciais — membros do governo dos EUA chegaram a dizer que a assinatura de um acordo de primeira fase estava bem encaminhada —, fato é que, desde então, não houve nenhuma evolução concreta nas conversas.

Pelo contrário: a percepção agora é a de que ambas as partes estariam fazendo reivindicações que não encontram ecos do lado oposto, fazendo com que os diálogos voltassem a travar. E, sem saber exatamente qual o status da relação entre americanos e chineses, o mercado opta por reduzir a exposição ao risco.

Estados Unidos

Considerando esses fatores, os mercados ocidentais apareceram quase todos no vermelho As bolsas americanas abriram em queda, aprofundaram as perdas durante a tarde e no fim do dia esboçaram uma leve melhora, sem força suficiente para fechar no positivo — veja abaixo um resumo dos principais índices de Nova York no fechamento do dia:

  • Dow Jones: ↓0,41%
  • S&P 500: ↓0,38%
  • Nasdaq: ↓0,51%

E os ativos brasileiros?

Para quem quiser ter um termômetro do que poderá acontecer com o Ibovespa amanhã, quando os mercados do país voltarem do recesso, basta olhar para o comportamento dos recibos de ações (ADRs) de empresas brasileiras negociados em Nova York.

Alguns ativos de companhias do Brasil conseguiram destoar um pouco do tom dos principais índices acionários dos Estados Unidos, sustentando desempenho positivo nesta quarta. Isso abre espaço para que o clima negativo visto hoje nas bolsas globais seja de certa forma amortecido pelo Ibovespa amanhã. Mas, durante a tarde, os ativos que estavam em alta desaceleraram os ganhos, enquanto que os que vinham em baixa aprofundaram as perdas.

Veja como ficou o comportamento dos principais ADRs de companhias brasileiras no pré-mercado de Nova York:

  • Petrobras (PBR): ↑0,17%
  • Vale (VALE): ↓1,75%
  • Itaú Unibanco (ITUB): ↓0,18%
  • Bradesco (BBD): ↓0,70%
  • Ambev (ABEV): ↑0,24%
  • Embraer (ERJ): ↑0,18%
  • Gerdau (GGB) ↓0,28%
  • CSN (SID): ↓2,00%

O iShares MSCI Brazil Capped - o principal ETF de mercados brasileiros na bolsa de Nova York - virou o sinal durante a tarde e fechou no vermelho, prognóstico ruim para o pregão de amanhã por aqui. O ativo, conhecido como EWZ, caía 0,12% no fim do dia.

Europa e Ásia

No velho continente, o tom foi majoritariamente negativo desde o início do dia — o índice pan-continental Stoxx 600 fechou em queda de 0,41%. Eis um compilado das principais bolsas europeias nesta quarta-feira:

  • DAX (Alemanha): ↓0,46%
  • FTSE 1000 (Reino Unido): ↓0,84%
  • CAC 40 (França): ↓0,25%
  • IBEX 35 (Espanha): ↓0,39%
  • AEX (Holanda): ↓0,42%
  • FTSE (Itália): ↑0,06%

Os mercados asiáticos também foram impactados por essa onda de aversão ao risco em relação às negociações entre Estados Unidos e China. As principais bolsas do continente fecharam no vermelho, dando uma prévia do que iria acontecer nos mercados europeus e americanos:

  • Nikkei 225 (Japão): ↓0,62%
  • Shanghai Composite (China): ↓0,78%
  • Shenzhen (China): ↓0,82%
  • Hang Seng (Taiwan): ↓0,75%
  • Kospi (Coréia do Sul): ↓1,30%

Dólar em alta

Esse clima de cautela generalizada também pode ser sentido no mercado de câmbio: lá fora, o dólar ganha força em escala mundial, com os investidores buscando proteção na moeda americana.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta com as principais divisas do mundo — como o euro, a libra britânica, o iene japonês e o franco suíço, entre outras — fechou em alta de 0,04% nesta quarta.

Na comparação com as moedas de países emergentes, o tom é o mesmo: o dólar se fortaleceu ante o peso mexicano, o rublo russo, o peso colombiano, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso argentino.

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