Menu
2019-10-14T14:31:17-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
Nos bastidores da política econômica

Mantega vazou informações sobre taxa Selic para André Esteves do BTG, disse Palocci

Banco de Esteves, BTG é alvo de busca e apreensões da Polícia Federal e da Procuradoria da República no âmbito da Operação Estrela Cadente

3 de outubro de 2019
15:52 - atualizado às 14:31
André Esteves
Imagem: Reprodução/Youtube

O ex-ministro petista e delator Antônio Palocci (Fazenda/Governo Lula e Casa Civil/Governo Dilma) detalhou em delação premiada suposto esquema de vazamento de informações privilegiadas sobre alterações da taxa básica de juros, a Selic, do Banco Central, envolvendo o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e o ex-ministro Guido Mantega (Fazenda/Governos Lula e Dilma).

O banco é alvo de busca e apreensões da Polícia Federal e da Procuradoria da República no âmbito da Operação Estrela Cadente, etapa da Lava Jato deflagrada nesta quinta, 3.

Palocci foi preso em setembro de 2016, na Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato. Condenado pelo então juiz federal Sérgio Moro a 12 anos e 2 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e acuado por outras investigações da Lava Jato, Palocci fechou acordo de delação premiada, inicialmente, com a Polícia Federal no Paraná.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Em novembro de 2018, ele foi solto e deu início a uma longa série de depoimentos. As revelações do ex-ministro petista provocaram a abertura de diversas frentes de investigação. Uma delas culminou na Operação Estrela Cadente.

A Selic é a taxa de juros que influencia todas as demais e ajuda a controlar a inflação. Ela é revista a cada 45 dias pelo Comitê de Políticas Monetárias (Copom), do Banco Central, a partir de indicadores da atividade econômica do País e do cenário externo.

No anexo 9 de sua extensa delação premiada - ao todo, são 84 anexos -, Palocci afirma que, em agosto de 2011, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega teria participado de uma reunião com o então presidente do BC, Alexandre Tombini, e a ex-presidente Dilma Rousseff.

Na ocasião, Tombini foi informar a posição do BC em reduzir, pela primeira vez em dois anos, a taxa Selic de 12,42% para 11,90%. Foi a primeira vez que ocorreu uma guinada para baixo nos juros após tendência de alta que vinha ocorrendo desde 2009.

Mantega então teria repassado a informação privilegiada para André Esteves, comunicando sobre a futura posição do BC em baixar a Selic.

O banqueiro, por sua vez, "realizou diversas operações no mercado financeiro, obtendo lucros muito acima da média dos outros operadores financeiros", segundo a delação de Palocci.

Os lucros vieram do Fundo Bintang, administrado pelo PTG Pactual, criado em 2010. "Essas operações, contrariando todos os operadores do mercado, apostaram nas oscilações para baixo da taxa básica de juros e renderam mais de 400% de lucro no ano", disse o ex-ministro delator.

Segundo Palocci, o patrimônio do fundo cresceu de R$ 20 milhões para R$ 38 milhões em menos de três meses.

O ex-ministro diz que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu investigação para apurar o caso, que foi encerrada sem constatação de irregularidades. "Comentou-se intensamente que André Esteves tinha, finalmente, por intermédio de Guido Mantega, conseguido 'grampear o Banco Central'".

Em contrapartida pela informação privilegiada, Palocci afirma que Esteves pagou R$ 9,5 milhões como doação oficial da campanha de Dilma, em 2014, e repassou 10% dos lucros obtidos para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em forma de vantagens indevidas.

Estrela Cadente

As relações de Esteves e o vazamento de informações do Copom são alvo da Operação Estrela Cadente, deflagrada nesta quinta, 3, pela Polícia Federal a partir da delação de Palocci.

Os agentes cumprem mandado de busca e apreensão na sede do BTG Pactual em São Paulo. O foco são vazamentos ocorridos entre 2010 e 2012.

A Procuradoria informou que investiga vazamentos de resultados de reunião do Copom ocorridos nos anos de 2010, 2011 e 2012, "inseridos em contexto de obtenção de vantagens ilícitas mútuas entre banqueiro e agentes públicos do alto escalão do governo federal da época".

"A investigação, instaurada a partir de colaboração premiada de Antônio Palocci, apura o fornecimento de informações sigilosas sobre alterações na taxa de juros Selic, por parte da cúpula do Ministério da Fazenda e do Banco Central, em favor de um fundo de investimento administrado pelo BTG Pactual, que, com elas, teria obtido lucros extraordinários de dezenas de milhões de reais", destaca o Ministério Público Federal.

Operação Estrela Cadente investiga a suposta prática, entre outros, dos crimes tipificados nos artigos 317 (corrupção passiva) e 333 (corrupção ativa), ambos do Código Penal, artigo 27-D, da Lei n° 6.385/76 (informação privilegiada), e o artigo 1.º, da Lei nº 9.613/98 (lavagem e ocultação de ativos).

Na operação, está sendo cumprido um mandado de busca e apreensão, expedido pela Justiça Federal de São Paulo, no endereço sede do Banco BTG Pactual em São Paulo, "para levantamento de novas evidências sobre o caso sob investigação".

Propinas

Palocci também afirmou que o fornecimento de informação privilegiada sobre a Taxa Selic ao banco BTG Pactual teria rendido propinas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e R$ 9,5 milhões à campanha presidencial da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014.

"Vale dizer que, com relação ao fundo Bitang, foi aprovisionado para Luiz Inácio Lula da Silva 10% em vantagens indevidas sobre o lucro que o fundo obteve com as informações privilegiadas fornecidas por Guido Mantega", afirmou o delator.

Nesta quinta, 3, a Polícia Federal deflagrou a Operação Estrela Cadente e fez buscas na sede do Banco BTG, em São Paulo. A investigação é baseada na delação de Palocci.

Em seu relato, o ex-ministro detalhou. "As porcentagens que André Esteves pagava de vantagem indevida a Luiz Inácio Lula da Silva eram de 10% sobre o ganho dele nas operações."

Segundo o ex-ministro, o petista tinha fundos no BTG, e suas vantagens indevidas foram rentabilizadas.

Defesas

O Banco Central informa que não foi comunicado sobre o conteúdo da Operação Estrela Cadente.

O BTG Pactual esclarece que "em relação às diversas notícias veiculadas sobre a operação denominada Estrela Cadente, recebemos pedidos de informação do MPF referentes à operações realizadas pelo Fundo Bintang FIM. O Fundo possuía um único cotista pessoa física, profissional do mercado financeiro que também era o gestor credenciado junto à CVM, que nunca foi funcionário do BTG Pactual ou teve qualquer vínculo profissional com o Banco ou qualquer de seus sócios. O Banco BTG Pactual exerceu apenas o papel de administrador do referido fundo, não tendo qualquer poder de gestão ou participação no mesmo".

O criminalista Fabio Tofic Simantob, que defende o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, disse, em nota, que o também ex-ministro Antônio Palocci juntou "fatos aleatórios" e criou uma "narrativa falsa" no que diz respeito às acusações de vazamento da taxa Selic para o banqueiro André Esteves.

Tofic argumentou que "nem o Ministério Público Federal caiu na ladainha de Palocci", em alusão à resistência dos procuradores em aceitar a delação do ex-ministro.

"Palocci fez um admirável feito. Conseguiu juntar fatos aleatórios, sem qualquer relação uns com os outros, para criar uma narrativa falsa mas que fosse capaz de seduzir a polícia, já que nem o MPF caiu na sua ladainha", disse o advogado, em nota.

Com a palavra, Lula

A reportagem fez contato com a Assessoria do ex-presidente Lula. O espaço está aberto para manifestação.

Com a palavra, Dilma

A propósito do novo vazamento da delação do senhor Antonio Palocci, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

1) Não há provas que atestem a veracidade das informações prestadas pelo senhor Antonio Palocci à Polícia Federal. Ele mentiu e a imprensa continua a veicular suas acusações de maneira leviana.

2) A delação do senhor Antonio Palocci não apresenta provas ou sequer indícios de que a presidenta Dilma Rousseff teve conhecimento ou participação direta em supostas ilegalidades. Não há provas que atestem que ela sabia ou tivesse autorizado o BTG Pactual a ter acesso a quaisquer informações sigilosas no âmbito do governo federal, inclusive relativas às informações do Conselho de Política Monetária (Copom).

3) Presidentes da República jamais participaram, atuaram ou interfeririam em reuniões do Copom ou do Banco Central.

4) É lamentável que, mais uma vez, procedimentos judiciais - que correm sob segredo de Justiça - sejam vazados à imprensa.

5) Isso ocorre justamente quando pesam indícios de abusos e irregularidades cometidas por autoridades do Judiciário. Parece que o objetivo é tirar o foco das suspeitas de abuso de autoridade e conduta ilegal por parte dos operadores do Direito, conforme as revelações da Vaza Jato.

6) Tais "denúncias" chegam no momento em que vêm a público também revelações de abusos confirmados até pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, em seu livro de memórias.

7) Em cinco anos de Lava Jato, jamais foram apresentadas provas de que a ex-presidenta Dilma Rousseff tivesse conhecimento ou participação em malfeitos.

8) A verdade já veio à tona. A Justiça prevalecerá.

*Com Estadão Conteúdo.

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

INVESTIMENTOS

Suzano anuncia investimentos de R$ 4,4 bilhões em 2020

Além disso, a Suzano vai investir mais R$ 400 milhões em aquisição e/ou formação de terras e florestas

acordo EUA x CHINA

Casa Branca sinaliza que assinará acordo comercial limitado entre EUA e China

Trump se reuniu com importantes assessores econômicos e comerciais por uma hora nesta quinta-feira. A fonte disse que o acordo pode ser confirmado já nesta sexta-feira

INVESTIMENTOS

Para Freitas, decisão da S&P é “excelente” para atrair investimentos

O ministro prevê que a melhora de perspectiva para o Brasil pelas agências de rating vai impulsionar investimentos para as mais de 40 concessões que pretende vender em leilões em 2020

seu dinheiro na sua noite

Café com gosto amargo para a B3

Estive na manhã de hoje em um evento promovido pela bolsa brasileira B3 com advogados, representantes de bancos e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a xerife do mercado de capitais brasileiro. Com o Ibovespa alcançando mais um recorde hoje, em meio a um volume histórico de ofertas de ações realizadas no mercado brasileiro, 2019 […]

112.199,74 pontos

Copom, S&P e Trump dão força ao mercado e fazem o Ibovespa quebrar novos recordes

Impulsionado pelo corte na Selic, pela visão otimista da S&P em relação ao Brasil e pela perspectiva de acerto entre EUA e China, o Ibovespa rompeu o nível dos 112 mil pontos pela primeira vez

PROBLEMAS NO BALANÇO

Via Varejo confirma fraude contábil, com impacto de até R$ 1,4 bilhão no resultado do 4º trimestre

Segundo o documento, houve manipulação da provisão trabalhista da companhia e diferimento indevido na baixa de ativos e contabilização de passivos

RECOMENDAÇÃO

UBS eleva ações da Localiza para compra e inicia cobertura de Unidas e Movida como neutra

O UBS também aumentou o preço-alvo dos papéis ordinários da empresa para R$ 56, ante R$ 47,80, o que representaria uma alta de quase 23% em relação ao fechamento do pregão da última terça-feira

Altas e baixas

Sabesp, MRV e varejistas: os destaques da bolsa nesta quinta-feira

As ações da MRV e das varejistas aparecem entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira, enquanto os papéis da Sabesp têm o pior desempenho do dia

Elevando as recomendações

Varejo em foco: o Credit Suisse está otimista com as ações da B2W e das Lojas Americanas

O Credit Suisse elevou as recomendações e preços-alvo para as ações da B2W e Lojas Americanas, citando perspectivas mais favoráveis para ambas as empresas no futuro

COM MENOS DÍVIDAS

CSN espera reduzir endividamento em quase R$ 8 bilhões

De acordo com Ribeiro, as principais medidas serão o pagamento mínimo de dividendos e a venda de ativos como a subsidiária da CSN na Alemanha. “Estamos em um processo bastante avançado de venda”, afirmou

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements