Menu
Entre interesses

Governo Bolsonaro estimula criação de frentes partidárias

Ao menos dez já foram oficialmente criadas, como as bancadas da bala e de ruralistas até focadas em questões específicas como a da Previdência

14 de fevereiro de 2019
8:46 - atualizado às 8:47
Deputado Marco Feliciano - Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

A escolha do presidente Jair Bolsonaro de dialogar com o Congresso via frentes parlamentares, e não por meio de líderes partidários, teve como efeito a multiplicação do número de grupos criados em defesa de alguma causa no Congresso.

Em menos de duas semanas, pelo menos dez foram formadas oficialmente - das tradicionais, como as que reúnem as bancadas da bala e de ruralistas, até as focadas em propostas específicas, como a que vai defender a reforma da Previdência.

Esta última tem como autor o novato Kim Kataguiri (DEM-SP). Ele tenta tirar do papel a Frente Parlamentar Mista para Defesa e Fomento do Livre Mercado, que vai defender a aprovação da reforma no Congresso. O deputado, um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), quer se cacifar para ser o relator da proposta na Câmara e tem se reunido com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Ele, no entanto, nega que a frente será usada para projetá-lo pela relatoria. "A frente é algo perene, que vai ser usada para discussões nos próximos anos", disse.

Até agora, porém, Kim só reuniu 68 assinaturas, número insuficiente para registrar o grupo. Para criar uma frente parlamentar no Congresso, os parlamentares precisam reunir, no mínimo, 198 assinaturas e precisam do aval do presidente da Casa.

Até as mais poderosas, como a ruralista, a da segurança e a evangélica, precisam ser recriadas a cada nova Legislatura. A série de reportagens Os Donos do Congresso, publicada no ano passado pelo jornal "O Estado de S. Paulo", mostrou como estes grupos são influentes na defesa dos seus interesses. Ao longo dos quatro anos do mandato anterior, mais de 300 frentes foram criadas. Poucas, porém, logo no início do mandato, como agora.

Corrupção

Outra prioridade do governo, o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro, também terá uma bancada para defendê-lo no Congresso. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) propôs a Frente Ética de Combate à Corrupção, que até já se reuniu com o ministro, e vai atuar em defesa de seu projeto. O grupo é um dos maiores da Casa ao reunir 215 deputados e 6 senadores. A lista vai de Zeca Dirceu (PT-MS) a Alexandre Frota (PSL-SP).

Escalado pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para fazer a articulação com os parlamentares, o secretário especial da Casa Civil, Carlos Manato (PSL-ES), afirmou que a intenção do governo é abrir espaço para as frentes, mas sem esquecer dos partidos. "A missão é o diálogo com os deputados e senadores. O que nós queremos é que os deputados votem com a consciência deles pelo mérito do projeto. Não queremos que votem porque emenda foi empenhada ou não", disse.

O deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) reconheceu ser uma incógnita se esta negociação com frentes dará certo, mas disse que há uma expectativa para que os grupos sejam protagonistas no Congresso. "Bolsonaro constituiu assim seu governo.

Ninguém sabe qual será a eficácia política quanto à governabilidade. Há uma expectativa de que as frentes se mobilizem e não só entreguem votos, mas também agilizem o diálogo necessário com a sociedade, espero que dê certo", afirmou o parlamentar, que está em seu quarto mandato.

Jardim participou nesta quarta-feira, 13, de evento realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) com outros parlamentares. A intenção é criar uma nova frente para defender os interesses do setor.

A tática de se reunir em grupos não tem sido usada apenas para defender propostas específicas. A oposição também inaugurou a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Democracia e dos Direitos Humanos, que propõe um enfrentamento "às concretas ameaças de retrocesso aos direitos democráticos no País". A ideia é alinhar a atuação de entidades civis com a de parlamentares de partidos como PSOL, PT e PCdoB.

Assinaturas

Dentre as frentes registradas até agora, chama a atenção a presença dos deputados Jorge Solla (PT-BA) e Hugo Motta (PRB-PB) em oito delas. Solla disse que está sendo solicitado para assinar a criação de diversas frentes e que, embora apoie, não participará de todas. "A assinatura é de apoio ao parlamentar para que a frente se materialize." Ele disse ser ativo apenas na Frente Parlamentar Mista em Defesa do SUS. A bancada ainda não foi recriada neste ano. Na Legislatura passada, teve adesão de 214 deputados e 26 senadores.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
Acima das expectativas

Localiza registra lucro líquido de R$ 181,4 milhões no 4º trimestre

Receita líquida consolidada no último trimestre do ano passado cresceu 24,9% ante o verificado um ano antes, para R$ 2,259 bilhões

Após Maduro fechar fronteira

EUA pressionam Brasil para garantir segurança na entrega de ajuda humanitária à Venezuela

Presidente venezuelano acusa os americanos de usarem os carregamentos como desculpa para tramar um golpe de Estado

Com venda de ativos

CSN quer captar R$ 5 bilhões até o fim do ano

Meta de captação é parte da estratégia de reduzir seu endividamento e de atingir a relação entre dívida e geração de caixa para 3 vezes

NA MIRA DO CADE

Disney deve abrir mão de “Fox Sports” para conseguir aprovação de compra da Fox pelo Cade

Venda foi a solução encontrada para resolver a principal preocupação do órgão em relação ao negócio já que a Disney é proprietária dos canais ESPN

Após tragédia de Brumadinho

Vale enfrenta 3ª ação coletiva nos EUA

Nova ação foi protocolada na Corte Distrital Sul de Nova York e foi movido por dois escritórios especializados neste tipo de processo: Pomerantz LLC e Bronstein, Gewirtz & Grossman

Vídeo

‘Hawkish’ vs. ‘Dovish’: o que falcões e pombos têm a ver com os bancos centrais (e com o seu bolso)

Você sabe o que significa dizer que um banqueiro central é mais hawkish ou mais dovish? Não, não estou falando de zoologia, mas de política monetária, e isso pode afetar o desempenho dos investimentos

A Bula do Mercado

Mercado mede riscos de tempo e diluição da Previdência

Ao investidor, cabe entender o quanto do conteúdo da proposta até a aprovação está embutido nos preços dos ativos

Temporada de balanços

Olha a Magalu aí gente! Magazine Luiza supera expectativa de analistas e registra lucro líquido anual de R$597,4 milhões em 2018

Nas estimativas dos analistas ouvidos pela Bloomberg, a previsão era de um lucro líquido de R$ 389 milhões no ano passado

E aí, CVM?

Gafisa ‘rasga’ estatuto para nomear 2 novos conselheiros em meio à atrapalhada troca de comando

Três conselheiros que sobraram dos 7 eleitos em outubro indicaram Oscar Segall e Augusto Cruz para compor quadro após renúncia de Mu Hak You e seu filho. 5 advogados societários consultados pelo Seu Dinheiro consideraram manobra irregular – o certo seria a convocação de assembléia de acionistas

Companhia de cosméticos

Natura supera previsões do 4º trimestre e fecha o ano com lucro líquido de R$ 548,4 milhões

Resultado do quarto trimestre foi impactado por um Ebitda superior e por despesas financeiras menores

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu