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Alerta vermelho no radar

Exportações chinesas surpreendem de forma negativa em novembro com forte desaceleração

Indicadores mostraram queda de 5,4% nas exportações em relação a novembro de 2017, enquanto economistas esperavam alta de 10%

8 de dezembro de 2018
9:46 - atualizado às 13:52
Porto na China
Vários economistas já esperavam desaceleração do indicador a partir de outubro, após meses de embarques robustos - Imagem: Shutterstock

As exportações chinesas desaceleraram inesperadamente em novembro com o enfraquecimento da demanda na maioria dos mercados mundiais.  Os indicadores mostraram queda de 5,4% nos embarques em relação a novembro de 2017, perdendo ritmo em relação ao aumento de 15,6% observado em outubro. Economistas consultados pelo The Wall Street Journal previam um crescimento de 10,0% para o indicador no mês.

As exportações chinesas para economias emergentes e desenvolvidas puxaram a desaceleração. O avanço foi de 5,4% no comparativo anual - o ritmo mais lento em oito meses -, ante o aumento de 15,6% verificado em outubro.

A exceção foram os Estados Unidos, onde o forte crescimento das importações manteve a China no caminho para registrar outro superávit comercial recorde.

Vários economistas já esperavam desaceleração do indicador a partir de outubro, após meses de embarques robustos, especialmente para os Estados Unidos, devido ao movimento de antecipação às tarifas mais elevadas diante das tensões comerciais entre os dois países. Mas, ainda que essa tendência já estivesse prevista para o final do ano, a queda de novembro foi mais acentuada do que a projetada.

No entanto, os embarques aos Estados Unidos resistiram à ampla desaceleração. As exportações chinesas para o mercado norte-americano cresceram quase 10% em novembro, abaixo dos 13,2% observados em outubro, mas ainda conferindo à China um superávit mensal recorde com o país, de US$ 35,55 bilhões.

Entre janeiro e novembro de 2018, o superávit comercial da China com os Estados Unidos ficou em US$ 294,6 bilhões, bem acima do saldo positivo recorde de aproximadamente US$ 275,8 bilhões registrado para todo o ano de 2017. Os Estados Unidos colocam a diferença anual em US$ 375,2 bilhões.

Esse desequilíbrio é citado pelo governo de Donald Trump como uma das razões para a fixação de tarifas sobre as importações chinesas. Pequim retaliou a medida e, depois de ambos os lados terem estabelecido tarifas cobrindo cerca de 60% de seu comércio de bens, as nações chegaram a uma trégua no início deste mês.

A desaceleração da demanda pelas exportações da China na maioria dos mercados também alimentou uma desaceleração nas importações do país asiático. Para alguns economistas, esse movimento é um presságio do enfraquecimento mais amplo do crescimento na China e em outras partes do mundo.

As importações da China cresceram 3,0% em relação a novembro de 2017 (ante aumento de 21,4% no mês anterior), taxa inferior ao ganho de 14,4% previsto, em média, por economistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Os embarques, que têm sido um ponto brilhante na economia chinesa, podem impulsionar o crescimento no próximo ano, disse Liu Xuezhi, economista do Bank of Communications. Ele sugere que Pequim reforce medidas para impulsionar o consumo e obras de infraestrutura e estimular investimentos, reduzindo os impostos sobre importações e bens de consumo.

Já o superávit comercial da China aumentou para US$ 44,74 bilhões, ante US$ 34,0 bilhões em outubro, segundo dados da alfândega. Economistas esperavam um superávit de US$ 33,5 bilhões.

*Com Estadão Conteúdo.

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