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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Mercados

EUA e Arábia Saudita baixam o tom e petróleo recua

Caso envolvendo desaparecimento de jornalista não deve gerar repercussões diplomáticas e quem pode dar alguma “resposta” é o setor privado

16 de outubro de 2018
10:35
Imagem: Shutterstock

A ameaça de um choque do petróleo durou pouco. Depois de mostrarem os dentes e rosnarem um para o outro, Donald Trump e Arábia Saudita resolvem trocar um sorriso, mesmo que amarelo.

Depois de falar em “punição severa”, Trump baixou o tom e disse que o rei saudita Mohammad bin Salman negou qualquer envolvimento no desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, visto pela última vez na embaixada do país na Turquia.

O reino, que falou em punições ainda mais severas, e indicou que o petróleo poderia subir de US$ 80 para US$ 100%, US$ 200 “ou mesmo o dobro disso”, também contemporizou, falando que agradece a cautela dos EUA e outro países de não se precipitarem sobre investigações ainda em curso.

Depois de uma leve alta, ontem, o barril do tipo WTI operava, há pouco, com leve queda de 0,5%, na linha dos US$ 71,40.

Trump falou na possibilidade ação de assassinos independentes e pouco depois saíram notícias de que Arábia Saudita poderia falar que esses assassinos teriam operado sem consentimento do reino, livrando a família real de envolvimento direto no caso.

O presidente americano também despachou seu secretário de Estado, Mike Pompeo, para a Arábia Saudita. E segundo a “CNN” a reunião teria durado apenas 15 minutos.

O que a leitura dos periódicos internacionais sugere é que o caso não deve gerar repercussões diplomáticas e quem deve dar alguma “resposta” a essa violação dos diretos humanos do reino é o setor privado.

Alguma movimentação nesse sentido já vem ocorrendo conforme diversas empresas estão cancelado sua participação em um evento promovido pelo rei Salman, o “Davos in the Desert”, marcado para os dias 23 a 25 de outubro.

A Arábia Saudita monta um plano para reduzir a dependência do petróleo e busca elevar a atração de investimentos externos para promover uma diversificação de sua base econômica.

Seria uma inversão de fluxo, já que os sauditas são grandes exportadores de capital por seus fundos de renda soberana.

No entanto, nessa seara, ameaças de retaliação já começaram. A “Al Jazeera” informa que o ministro de relações exteriores do Bahrain, Khalid bin Ahmed Al Khalifa, tuitou que deve ocorrer um boicote ao Uber, depois que seu presidente cancelou participação no evento. Um dos fundos do país tem US$ 3,5 bilhões investidos na empresa.

O caso está gerando uma nova discussão sobre um tema delicado, a moralidade e os negócios.

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