Menu
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Dívida Pública

Estrangeiro dá adeus aos papéis da dívida brasileira

Agosto teve saque histórico de mais de R$ 20 bilhões em títulos do Tesouro Nacional

24 de setembro de 2018
14:09 - atualizado às 16:29

A promessa de firme entrada de dinheiro estrangeiro na dívida pública brasileira não se confirmou. Os dados referentes a agosto mostraram que os gringos sacaram R$ 20,6 bilhões, levando embora quase todos os R$ 22,8 bilhões que tinham aportado em julho, quando menor volatilidade e preços atraentes tinham promovido a maior entrada desde janeiro de 2015.

O saque no mês passado é o maior em termos nominais desde que os dados passaram a ser compilados em 2007. A revoada é atribuída ao período de maior aversão ao risco com relação às economias emergentes que marcou o período. Em agosto, a Argentina subiu sua taxa de juro para 45%. E seguiram as preocupações com o futuro da economia na Turquia.

Embora o quadro por aqui seja bastante distinto em comparação com esses pares, no momento em que a incerteza bate, isso tem pouca importância. Vai tudo no “pacote emergente”. Depois é possível que vejamos alguma diferenciação, mas tal processo pode ser postergado pelo vetor local de incerteza: eleição presidencial. Também em agosto o mercado local mostrou certo receio com o crescimento do petista Fernando Haddad nas pesquisas de voto.

Os estrangeiros têm preferência por papéis prefixados, que representam 89% do total dos R$ 432 bilhões que carregam em dívida pública. Esse montante equivale a 11,92% da dívida interna brasileira de R$ 3,6 trilhões no mês passado.

Essa parcela do não residente beirou os 20% durante boa parte de 2014 e começo de 2015. Mas a perda do grau de investimento em setembro daquele ano mudou a relação do estrangeiro com a dívida brasileira.

E quem comprou?

As instituições de previdência (aberta, fechada e regimes próprios) ampliaram sua participação nominal em R$ 25,2 bilhões, para 911,87 bilhões, ou 25,1% da dívida. Encostando nos fundos de investimento, que seguem como principais financiadores da dívida, com 26,3% do total, ou R$ 954 bilhões. As instituições financeiras compraram quase R$ 20 bilhões, somando R$ 830 bilhões do estoque, ou 23% do total.

Carregando a montanha

O Tesouro também atualiza mensalmente o custo de carregar esses trilhões de dívida. O custo médio acumulado em 12 meses foi de 9,88% em julho recuando de 9,97% em julho, que captou a alta da inflação provocada pela greve dos caminhoneiros.

A inflação é um dos principais indexadores da dívida pública, assim como a taxa Selic. Então, quando maior a inflação e maior o juro, mais “cara” a dívida brasileira. Para dar uma ideia, o custo da dívida chegou a ultrapassar 16% no fim de 2015 e começo de 2016.

O custo de captar dívida nova junto ao mercado segue caindo, testando mínimas da série histórica iniciada em 2010, a 8,04% ao ano. Isso é um bom indicador para sustentabilidade futura da dívida, já que o Tesouro está formando um novo estoque de dívida com custos cada vez menores, o que dá margem de manobra em caso de eventuais pioras de cenário mais à frente.

Entre os principais títulos, a LTN saiu a 8,24% ao ano. Já a NTN-B caiu de 9,4% em julho para 9,23% no mês passado. Em momentos de maior incerteza e inflação alta como no período que antecedeu o impeachment de Dilma Rousseff, o Tesourou chegou a pagar quase 17% para ofertar uma NTN-B. Esse é o tal custo da incerteza.

 

 

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
Dia 17

Buona Sera, Queiroz

Presidente dá entrevista à emissora italiana e STF entra no caso Queiroz

Governo brasileiro no Fórum Econômico Mundial

O que dirá Paulo Guedes em Davos?

Ideia é atualizar as perspectivas com relação ao futuro do Brasil, transmitindo a imagem de uma democracia vibrante e que funciona bem

Estatal vai recorrer

Petrobras tem revés no Carf e pode pagar até R$ 1,5 bilhão em processo

Petroleira informou que aguarda a intimação oficial na via administrativa e que pretende recorrer da decisão

Meios de pagamento

Em negócio bilionário de fintechs, Fiserv compra First Data por US$ 22 bilhões

A união fortalece as companhias na disputa contra os novos competidores nesse mercado. First Data é dona da marca Bin de maquininhas de cartão no Brasil

Longo prazo

Enel vende por R$ 2,9 bilhões usinas renováveis à CGNEI, da China

Valor total da transação entre as companhias foi US$ 700 milhões (cerca de R$ 2,9 bilhões); as três usinas possuem contratos de venda de energia de longo prazo (PPAs) em vigor

Ex-motorista de Flávio Bolsonaro

STF suspende investigação sobre movimentações financeiras de Queiroz

Ex-motorista do senador eleito, Queiroz é investigado por transações atípicas

câmbio

O que o mercado futuro nos diz sobre o dólar?

Cotação da moeda americana, que fez mínimas a R$ 3,68 na semana passada, volta a mirar os R$ 3,80

Passo a passo

10 regras de bolso para quem quer investir sem ter trabalho

Não quer se tornar um ás dos investimentos? Tem preguiça? Não tem tempo para se dedicar? Seus problemas acabaram! Siga essas dicas para investir no modo “easy”

Vídeo

Desaceleração da China: por que o que acontece do outro lado do mundo importa para o investidor

Por que as bolsas ao redor do mundo são afetadas pelas perspectivas para a economia chinesa? E como os investimentos dos brasileiros são afetados pelo que acontece no gigante asiático? Entenda por que você também deveria ficar sempre de olho na China

Exile on Wall Street

Cinco passos para a real educação financeira

O mercado financeiro pertence aos praticantes: as pessoas aprendem e se educam a partir da prática; o conhecimento precisa emanar da prática para a teoria. E não o contrário.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu