Menu
2019-10-28T08:27:47+00:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
entrevista

Investidor estrangeiro está em compasso de espera, diz presidente do braço de investimentos do BNP Paribas

Apesar de dizer que o Brasil está no caminho de um “círculo virtuoso na economia”, Luiz Sorge enxerga riscos internos e externos no horizonte da renda variável

28 de outubro de 2019
8:27
Presidente do braço de investimentos do BNP Paribas, Luiz Sorge.
Presidente do braço de investimentos do BNP Paribas, Luiz Sorge. - Imagem: Reprodução/ Youtube / Abrapp

Ao renovar seu patamar máximo histórico por três vezes, a Bolsa retomou o protagonismo dos investimentos na semana passada, que também ficou marcada pela aprovação final da reforma da Previdência - um dos motivos do otimismo dos gestores. Mas, para o presidente do braço de investimentos do BNP Paribas, Luiz Sorge, o momento ainda é de cautela.

Apesar de dizer que o Brasil está no caminho de um "círculo virtuoso na economia", o executivo do banco enxerga riscos internos e externos no horizonte da renda variável e, por isso, evita projeções de curto prazo. "O investidor estrangeiro está em compasso de espera", diz ele, que tem R$ 60 bilhões sob gestão.

Como outra prova de moderação, destaca a prudência dos fundos de pensão, que ainda não viraram a chave da renda fixa. "Os institucionais estão com 10% a 20% na Bolsa", destaca. "A renda fixa continuará sendo o porto seguro do investidor."

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

A seguir, os principais trechos da entrevista.

O Ibovespa renovou níveis recordes. A aprovação da reforma da Previdência abriu alguma porta nova para os investidores?

Sem dúvida, e a tendência é de alta. Mas temos aí dois vetores: o do investidor local e o do global. No ano, a gente teve R$ 31 bilhões de saídas no mercado secundário e R$ 26 bilhões de entradas nos lançamentos, dois IPOs (sigla em inglês para oferta inicial de ações), o que dá um déficit líquido de R$ 5 bilhões. Isso significa que o investidor global está em compasso de espera. Sim, há uma redução na aversão a risco por parte do investidor local. Mas não dá para pensar que, somente com a animação do investidor local, a gente vá puxar de maneira mais consistente a Bolsa.

E como atrair esse investidor estrangeiro?

O Brasil precisa mostrar crescimento sustentável com controle de gastos (públicos). Além das reformas da Previdência e trabalhista, tem de ter um complemento com reformas micro, que já se iniciaram, com a Lei de Liberdade Econômica. Mas mesmo essa lei depende de regulamentações para ser implementada. Estava conversando sobre o Brasil com o pessoal das agências de risco. Para rebaixar ou promover a nota de um país, eles olham se o crescimento é sustentável, se a tendência de gastos do país versus o Produto Interno Bruto (PIB) está favorável. Isso tudo faz entrar em um círculo virtuoso e gera confiança nos investidores. O Brasil está tomando medidas para criar esse círculo virtuoso, mas ainda não começou a rodar, seja por inércia do crescimento, seja pela falta de confiança, seja por aspectos técnicos efetivos. Só o fato de dizer que o Brasil vai economizar R$ 800 bilhões com a reforma da Previdência não significa que vai mesmo economizar ou que o País entrou em uma tendência de queda da relação dívida/PIB.

Quando voltaremos a ver mais fluxo externo na Bolsa?

Infelizmente, o investidor deve voltar com a mesma velocidade do crescimento do Brasil, com uma inércia ainda pesada e olhando no detalhe o que está acontecendo no País. Espero uma volta para o médio prazo. Uma consistência maior em dois a três anos, mas com algum fluxo em 2020. Há dez anos, os fundos internacionais de países emergentes alocavam 16% do capital no Brasil. Hoje essa alocação é de 8%. China era 15%, hoje é 27%. O Brasil também foi ultrapassados pela Coreia do Sul, que hoje recebe 9% dos fundos, e por Taiwan, que tem 10%.

Nesta quarta, o Copom vai definir a taxa básica de juros, a Selic. O mercado espera um corte de 0,5 ponto porcentual. Qual a chance de o BC surpreender o mercado?

Chance sempre tem, mas não acredito. Todos os indicadores sugerem essa queda dos juros. O nível de atividade econômica está baixo, a inflação está baixa, tudo demanda ainda queda de juros, em linha com o que está acontecendo no mundo. Há espaço para queda e nossa visão é que (a Selic) chegue, até o fim do ano, a 4,5%.

Uma Selic a 5% ao ano coloca a caderneta de poupança e boa parte dos investimentos de renda fixa no zero a zero, quando descontada a inflação. O que vai acontecer com a renda fixa?

A renda fixa continuará sendo o porto seguro do investidor, mas talvez com a visão sofisticada, quer seja na poupança ou nos fundos, de um local para os recursos de curto prazo. Para o investidor ter uma rentabilidade destacada, vai ter de pensar em fundos de investimentos e outros elementos em um prazo um pouco mais alargado. Quanto mais novo o investidor e quanto mais de longo prazo for o seu objetivo, maior é o risco que ele vai ter de tomar.

E como ganhar mais na renda fixa?

Na renda fixa, há formas de gerar algum prêmio para o investidor com juros base baixos. As duas mais conhecidas são alongar a carteira (comprar títulos de longo prazo) e ficar mais suscetível a uma oscilação maior do valor dos títulos. Outra é alocar em fundos que investem em crédito corporativo, como as debêntures de empresas, ou as letras, emitidas pelos bancos. Mas é preciso que o investidor saiba no que está investindo, porque crédito tem risco de a empresa não pagar e tem marcação a mercado, o que pode fazer com que o investimento tenha, em um dia ou em um mês, um retorno negativo.

O sr. espera uma forte migração da renda fixa, que hoje é 86,5% dos investimentos locais, para a variável?

Isso vai depender do investidor institucional. Hoje, os fundos de pensão estão alocados em 10% a 20% em renda variável. No mundo, essa média é de 40% a 50% em aplicação em ações. Mas vamos supor que eles cheguem entre 30% e 40%, um aumento de 20 pontos porcentuais. Daí a gente está falando em um fluxo de R$ 200 bilhões só de fundos de pensão. Ou seja, acho que temos dois atores no mercado de ações que ainda não atuaram, o institucional e o internacional.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Diplomacia

Bolsonaro e líderes tentam vender o peixe dos Brics a empresários

Presidentes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul contam a empresários o que têm feito para melhorar o ambiente de negócios

Na ponta do lápis

Natura, brMalls, Qualicorp… os balanços que movimentam os mercados nesta quinta-feira

Resultados das companhias vieram mistos, com dados positivos e negativos para todos os lados. Confira cada um deles

Seu Dinheiro na sua noite

A quarta-feira 13 da Via Varejo

Assim como no cinema, as histórias das empresas com ações na bolsa podem ser divididas em vários gêneros, para todos os gostos. Existem as comédias, estreladas por aquelas companhias que vivem arrancando sorrisos de seus acionistas com crescimento das operações e do lucro. Temos também os faroestes, de empresas em setores que enfrentam forte competição. […]

Corrupção em SP

Lava Jato fecha acordo de leniência de R$ 214 milhões com Andrade Gutierrez

Documento refere-se a ilícitos cometidos pela companhia em obras do Metrô de São Paulo, Prefeitura de São Paulo, CPTM, DERSA, EMTU e CODESP nos governos do PSDB

Medidas do governo

Pesquisa mostra que 57% dos brasileiros reprovam congelamento de salários de servidores

Levantamento da XP mostra também que o conhecimento sobre o pacote de reformas estruturais apresentado no início deste mês é limitado

O Disney Plus vem aí

Te cuida, Netflix: o novo serviço de streaming da Disney já tem 10 milhões de usuários

As ações da Disney dispararam com a informação de que, em apenas um dia, o novo serviço de streaming da companhia já conta com 10 milhões de usuários. E agora, Netflix?

Próximos passos

Banco dos BRICS quer trabalhar com mais empréstimos em moedas locais

NDB tem como foco o financiamento de projetos no Brasil, na Rússia, na Índia, na China e na África do Sul

Trato feito

Grupo Prumo e Siemens AG assinam acordo de cooperação em projetos de energia

Assinatura ocorreu durante a reunião do BRICs, em cerimônia que contou com a presença dos principais executivos das companhias envolvidas

Ficou difícil

Negociação EUA-China trava por questão de compras agrícolas, dizem fontes

Impasse sobre agricultura cria outro obstáculo no caso, conforme Pequim e Washington tentam fechar a fase 1 do acordo

Mantendo relações

Bolsonaro confirma viagem à Índia em janeiro de 2020

Mais cedo, presidente teve reunião com o presidente da China, Xi Jinping, para a assinatura de acordos bilaterais

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements