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2019-07-15T15:42:15-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
320% do PIB

Dívida global sobe a US$ 246 trilhões e endividamento de emergentes bate recorde

Instituto Internacional de Finanças (IIF) mostra que quanto menor o juro, maior o endividamento mundial, que está para bater o recorde visto no começo de 2018

15 de julho de 2019
15:42
Ratoeira da dívida
Imagem: Shutterstock

Impulsionado pela queda nas taxas de juros, a dívida global subiu em US$ 3 trilhões no primeiro trimestre do ano, atingindo US$ 246 trilhões, ou 320% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Tal montante está apenas US$ 2 trilhões abaixo da máxima histórica registrada no primeiro trimestre de 2018.

Os dados são do Instituto Internacional de Finanças (IIF), que também captaram elevação no endividamento das economias emergentes para a linha recorde de US$ 69 trilhões, ou 216 do Produto Interno Bruto (PIB).

dívida global

O cenário sugere que o endividamento continuará aumentando, já que as condições financeiras são favoráveis a isso em âmbito mundial. Por outro lado, cresce a preocupação sobre como carregar essa montanha de dívida. No lado corporativo, menores perspectivas de crescimento elevam o risco para as empresas muito alavancadas.

Para as economias emergentes, a preocupação é com as dívidas de curto prazo e o efeito que flutuações no apetite ao risco pode ter sobre os cerca de US$ 3 trilhões em títulos que vão vencer até o fim de 2020.

Estados Unidos

A dívida total dos EUA subiu em US$ 2,9 trilhões desde o primeiro trimestre de 2018, atingindo novo recorde a US$ 69 trilhões. Sem surpresa, diz o IIF, a dívida do governo, de 101% do PIB foi o principal driver desse movimento.

Para o IIF, mesmo com os juros caindo o custo de carregamento não terá grande alívio. A simulação de um corte de 1 ponto percentual no custo do endividamento mostra queda de US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões sobre um gasto anualizado de mais de US$ 830 bilhões com encargos da dívida.

No setor corporativo, a avaliação do IIF é de “luz amarela”, já que a dívida das empresas não financeiras subiu a 75% do PIB. Segundo o IIF, embora a redução no custo do dinheiro dê um alívio às empresas endividadas, esse quadro não teve ter grande impacto sobre a confiança empresarial, em função das preocupações com a guerra comercial e menor crescimento econômico.

China

Na China, diz o IIF, com a dívida total (governo, empresas e famílias) se aproximando de 310% do PIB, ou algo como US$ 40 trilhões, a desalavancagem continua sendo uma preocupação do governo. Neste começo de ano, apesar da redução n endividamento das empresas, a tomada de dívida por outros segmentos seguiu firme, sugerindo maior atuação de governo regionais e bancos no mercado.

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Brasil

Quando saiu o relatório fechado sobre o endividamento em 2018, centramos atenção na dívida pública brasileira em comparação com outros pares e o cenário continua o mesmo.

A dívida pública do Brasil, na métrica da IIF, é de 87,6% no primeiro trimestre, contra 84,6% no primeiro trimestre do ano passado. Dívidas maiores apenas com Singapura (112,6%), Egito 915) e Líbano (152,7%). A média dos emergentes é de 50,5% do PIB.

Ainda sobre o Brasil, o IIF mostra que a dívida das famílias equivale a 27,8% do PIB, contra a média emergente de 38,8%. Já a dívida das empresas é pequena se comparada aos pares, totalizando 41,6% do PIB, contra 92,6% do PIB dos emergentes. Já a dívida do setor financeiro se mostra um pouco acima dos demais, ficando em 38,5% do PIB, ante 34,5% da média.

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