Menu
2019-07-03T10:04:25+00:00
na arena

Depoimento de Moro na Câmara acaba em tumulto

Após quase oito horas de sabatina, a sessão foi encerrada depois que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) chamou Moro de “juiz ladrão” e “o mais corrupto da história do Brasil”

3 de julho de 2019
10:02 - atualizado às 10:04
CCJ – Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. - Imagem: Pedro França/Agência Senado

O depoimento do ministro da Justiça, Sérgio Moro, à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara terminou nesta terça-feira, 2, em tumulto. Após quase oito horas de sabatina, a sessão foi encerrada depois que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) chamou Moro de "juiz ladrão" e "o mais corrupto da história do Brasil". Cercado por seguranças e deputados do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, Moro deixou a sala da CCJ por uma porta lateral sob gritos de "fujão" entoados por petistas.

A confusão pôs fim a uma audiência que já havia se transformado em uma arena de embates entre deputados da oposição e o ex-juiz da Lava Jato. Protegido por bolsonaristas, mas sem contar com a mesma "blindagem" que teve quando foi ao Senado, há duas semanas, Moro se irritou com perguntas, usou de ironia nas respostas, partiu para a ofensiva e afirmou que acompanha como "vítima" as investigações da Polícia Federal sobre a troca de mensagens atribuídas a ele com procuradores da Lava Jato. Os diálogos foram divulgados pelo site The Intercept Brasil.

"O senhor vai entrar, sim, nos livros de História como um juiz que se corrompeu, como um juiz ladrão. A população não vai aceitar como fato consumado um juiz que ganhou uma recompensa por fazer com que a democracia brasileira fosse atingida. É o que o senhor é: um juiz corrupto. O mais corrupto da história do Brasil", disse Braga.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Durante o bate-boca, parlamentares do PSL, em pé, também começaram a gritar "ladrão" para colegas da oposição que assistiam à cena. "Acho que prestei informações, respondi, houve até alguns ataques. No final, um deputado absolutamente despreparado, que não guarda o decoro parlamentar, fez uma agressão, umas ofensas inaceitáveis", afirmou o ministro a jornalistas. "Moro me chamar de desqualificado, para mim, é um elogio", rebateu o deputado.

Convidado para explicar diálogos publicados pelo The Intercept Brasil, o ministro disse não reconhecer a autenticidade das conversas com o coordenador da Lava Jato em Curitiba, Delton Dallagnol, e outros procuradores e classificou como "revanchismo" as críticas recebidas. "Há uma tentativa criminosa de invalidar condenações", insistiu ele. "Se, durante as investigações da Lava Jato, eu tivesse deixado a corrupção florescer, não sofreria esses ataques. Qual foi a mensagem que revela que tem inocente condenado? Que inocentes?", provocou.

'Balão vazio'

Desde o início da audiência, a oposição se revezou nos ataques e o clima esquentou, com ásperas discussões entre deputados. Dois dias depois das manifestações de rua em apoio à Lava Jato, porém, o ministro parecia mais seguro. "Se as minhas mensagens não foram adulteradas, não tem nada ali, nada. É um balão vazio cheio de nada", comparou.

Irônico, Moro chegou a dizer que se fala muito da anulação do processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - preso desde abril do ano passado -, mas também é preciso perguntar se alguém defende o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ) e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque. "Precisamos de defensores destas pessoas. Que elas sejam colocadas imediatamente em liberdade, já que foram condenadas pelos malvados procuradores da Lava Jato, pelos desonestos policiais e pelo juiz parcial", disse Moro.

Houve gritos e dedos em riste na sala da CCJ. "Dispenso a ironia!", protestou a deputada Maria do Rosário (PT-RS). O ministro mexia nos papéis e desviava o olhar, quando questionado pela oposição. "Eu gostaria que o senhor me olhasse nos olhos. Desconfiem de quem baixa a cabeça!", afirmou a petista.

Na tentativa de provocar os adversários, deputados do PSL levantavam folhas de papel sulfite com apelidos dados por diretores da Odebrecht a políticos do PT beneficiados com recursos nas campanhas. Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) comandava a tropa, segurando "placas" com as inscrições "Solução" - apelido atribuído a Maria do Rosário - e "Montanha", alcunha dada ao deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Os petistas, por sua vez, empunhavam cartazes com a reprodução do PowerPoint que virou piada nas redes, usado pelo Ministério Público Federal para condenar Lula.

Moro demonstrou impaciência com deputados do PT, do PSOL e da Rede, que cobraram seu afastamento do cargo, e deixou sem resposta algumas perguntas como, por exemplo, se a PF pediu ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que investigasse movimentações feitas pelo jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, conforme publicado pelo site O Antagonista.

O ministro reagiu com nervosismo ao ser questionado pela deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT, se tinha contas no exterior. "Se alguém tem algum elemento contra mim, que apresente. Não sou eu investigado por corrupção", respondeu Moro, em referência às apurações da Lava Jato contra Gleisi. O deputado Boca Aberta (PROS-PR) deu um troféu para o ministro e afirmou que a taça simbolizava o combate à corrupção.

'Escolinha do Professor Raimundo'

"Isso aqui parece a Escolinha do Professor Raimundo", reclamou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Felipe Francischini (PSL-PR), aos deputados que a todo momento interrompiam a audiência do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Os "alunos" eram deputados que se provocavam durante a "aula", com direito até a "gemidão" do WhatsApp no meio de uma pergunta.

Entre os "travessos" estavam, do lado governista, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o líder do PSL, Delegado Waldir (GO). Na oposição, os petistas Paulo Pimenta (RS) e Zeca Dirceu (PR). Dirceu bateu boca com Éder Mauro (PSD-PA), que sentou em seu lugar. Francischini interveio. "Imagina se eu ainda precisar ficar cuidando do lugar de quem foi ao banheiro", disse o relator, completando com o bordão do icônico personagem de Chico Anysio: "E o salário, ó!"

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Startup no banco dos réus

STJ vai decidir se condomínios podem proibir aluguéis por aplicativos como Airbnb

Tribunal julga recurso para anular uma decisão que proibiu um casal de Porto Alegre de alugar um apartamento por meio do aplicativo Airbnb

Santiago em chamas

Chile põe Exército nas ruas após protestos que deixaram três mortos

Manifestantes saíram às ruas contra o aumento de preço do metrô de Santiago, que passaria do equivalente a US$ 1,12 para US$ 1,16. Ontem, o governo anunciou a suspensão do reajuste

Seu dinheiro no domingo

Bancão X Fintech, um duelo que vi ao vivo

Você pode apostar comprando ou vendendo ações dos bancos e fintechs na bolsa. A batalha está longe de acabar, mas já temos o ganhador, o cliente

Varejo

Compras pela internet devem crescer 18% na Black Friday deste ano

Expectativa para a Black Friday de 2019 no e-commerce é de faturamento acima de R$ 3 bilhões. O dia de promoções no varejo neste ano será em 29 de novembro

Disputa política

Eduardo Bolsonaro publica vídeo com campanhas do PSL que citam presidente

No vídeo, protagonistas da nova crise, como os deputados Delegado Waldir (PSL-GO) e Joice Hasselmann (PSL-SP), pedem votos para si próprios mencionando Bolsonaro

Débito e crédito

Luiz Frias: o empresário da mídia que virou bilionário com as maquininhas

Conheça o herdeiro da Folha de S.Paulo e entusiasta da internet que revolucionou mercado de meios de pagamentos no Brasil com a PagSeguro

Ações para uma vida

Conheça os 5 maiores investimentos da carteira do bilionário Warren Buffett

Em junho deste ano, a holding de Warren Buffett detinha na carteira ações de 47 companhias. Mas cinco delas representavam 69% do total em valor de mercado. Confira quais são as queridinhas do “oráculo de Omaha”

QUER GANHAR DINHEIRO?

5 estratégias para lucrar na bolsa olhando apenas os gráficos

Quem souber interpretar esses movimentos pode ter insights valiosos sobre a tendência de preços.

Impasse sem fim

Hoje não? Hoje sim. Parlamento britânico volta a adiar votação sobre acordo do Brexit

Foi um duro golpe para primeiro-ministro Boris Johnson, que poderá se ver obrigado a pedir à União Europeia o adiamento da saída do Reino Unido

Sócios na bolsa

Banco do Brasil atrai mais de R$ 7 bilhões em recursos de pessoas físicas em oferta de ações

Uma parcela de 30% da emissão do Banco do Brasil foi destinada ao varejo, embora a demanda fosse suficiente para cobrir o total da oferta, de R$ 5,8 bilhões

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements