Menu
Com dívida de R$ 3,8 bilhões

Credores questionam recuperação da Queiroz Galvão Energia na Justiça

Questionamentos envolvem os credores que assinaram o plano de recuperação da QGE, um dos braços do grupo envolvido na Lava Jato

12 de fevereiro de 2019
8:14
Funcionários da Queiroz Galvão - Imagem: Divulgação/Queiroz Galvão

Credores da Queiroz Galvão Energia (QGE) entraram na Justiça para questionar o plano de recuperação extrajudicial da empresa, que tem dívida de R$ 3,8 bilhões.

Um deles, a Eng Participações, acusa a companhia de conluio para beneficiar dois credores que teriam participação no grupo. O caso já chamou a atenção do Ministério Público do Estado de São Paulo, que se manifestou semana passada sobre o processo.

O promotor Joel Bortolon Junior afirmou que vai aguardar o prazo para apresentação de todas as impugnações dos credores, que termina dia 19 de fevereiro, para “se manifestar a respeito de possível indeferimento do plano de recuperação extrajudicial”. No fim de janeiro, o juiz responsável pelo processo já havia sinalizado que poderia impugnar o plano caso seja confirmado o conflito de interesse.

Os questionamentos envolvem os credores que assinaram o plano de recuperação da QGE, um dos braços do grupo envolvido na Lava Jato. Ao contrário do que ocorre no processo judicial, numa recuperação extrajudicial o plano precisa ser assinado previamente por credores detentores de mais de 60% da dívida afetada. Só depois disso é feito o pedido de homologação da recuperação. No caso, da QGE, a aprovação alcançou 68,2%. Com esse quórum, o plano passou a valer para todos os demais credores.

Opções

Pela proposta apresentada, uma das opções aos credores é o pagamento de 2% da dívida após dez anos da homologação do plano. Há também a alternativa de permuta do montante por ações de sociedade de propósito especifico (SPE), que terá a QGE como holding; e a troca de 10% dos créditos por debêntures emitidas pela SPE e 90% por bônus de subscrição de ações ordinárias da mesma empresa.

Para os credores que não assinaram o plano, a proposta é uma provocação. Mais o problema maior está na composição de quem aceitou a proposta (chamados de credores signatários), afirma o advogado que representa a Eng Participações, Ronaldo Cramer, do escritório Nunes Ferreira, Vianna Araújo, Cramer, Duarte Advogados. Ele afirma que, nos últimos tempos, esses credores compraram créditos que os bancos tinham com a QGE e passaram a praticamente controlar a empresa. Isso ocorreu por meio de dois fundos de investimentos, que seriam controlados pela gestora Castlelake - conhecida como fundo abutre, que investe em empresas em dificuldades, diz ele.

Na petição da Eng, os advogados afirmam que tiveram acesso ao contrato confidencial entre a empresa e os credores. No documento, dizem eles, a Queiroz cede aos credores signatários (que assinaram ao plano) o “direito de eleger executivos para comandar a administração do grupo e assume a obrigação de pagar a eles R$ 200 milhões (por meio da emissão de debêntures da holding Queiroz Galvão)”. A QGE foi procurada, mas não quis se pronunciar. A Castlelake não respondeu.

A insatisfação da Eng Participações, que detém algo em torno de R$ 250 milhões de créditos a receber, também é de outros detentores da dívida da Queiroz. A Casa dos Ventos, empresa que desenvolve e vende projetos de energia eólica, também questiona o plano da QGE na Justiça. A empresa vendeu parques eólicos para o grupo e tem o direito de receber um porcentual da produção dos empreendimentos em operação e daqueles que ainda serão concluídos. A Casa dos Ventos foi procurada, mas não quis falar sobre o assunto.

O pedido de recuperação extrajudicial da QGE foi feita no fim de novembro por causa da inadimplência com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Sem o pagamento, o órgão poderia expulsar a empresa do ambiente de negócios, o que complicaria ainda mais sua situação financeira.

Grupo

A recuperação da QGE faz parte de uma reestruturação mais ampla do grupo Queiroz Galvão, que deve cerca de R$ 10 bilhões. As negociações se arrastam desde 2016 e ainda não foram concluídas. Não está descartado o pedido de recuperação judicial ou extrajudicial.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
Berkshire Hathaway

Até ele perde! Empresa de Warren Buffett tem prejuízo no 4º tri, e tombo da Kraft Heinz deu uma bela mãozinha

Prejuízo da empresa de alimentos, controlada por Buffett junto com a turma de Jorge Paulo Lemann, pesou nos resultados da Berkshire Hathaway

Novidades

O que mudou na declaração de imposto de renda em 2019

Principal novidade é a obrigação de informar CPF de dependentes e alimentandos, independentemente de idade; confira todas as mudanças e a atualização dos valores

Reforma da Previdência

Proposta de reforma para militares deve chegar ao Congresso antes de 20 de março

Segundo Rogério Marinho, secretário especial de Previdência e Trabalho, mudanças devem ser apresentadas ao Congresso antes do término do prazo de 30 dias estabelecido inicialmente

Em busca de um novo líder

Oi ainda sonda Amos Genish, ex-presidente da Vivo, para comandá-la

Em busca de novo líder para a sua reestruturação, operadora quer ex-presidente da Vivo e da Telecom Itália no comando, mas executivo recusou convite, por ora

Siga o dinheiro

Receita Federal entra na dança e passa a investigar miliciano ligado a Flávio Bolsonaro

Fisco vai ampliar a cooperação com o MP do Rio e investigar alvos da Operação Os Intocáveis; entre eles, está o ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, cujas mãe e esposa trabalharam para o filho do presidente

Bon Vivant

Noronhe-se como os famosos! Fernando de Noronha tem luau de chefs, ‘sea coach’ e, claro, praias paradisíacas

Roteiros exclusivos e experiências customizadas são os ingredientes para incrementar a visita um dos lugares mais lindos do planeta onde dá praia o ano todo. Você também merece pisar no paraíso e curtir uns dias de folga.

É cilada, Bino

Mais de 930 moedas digitais deixaram de existir em 2018. Saiba quais são as apostas alternativas mais seguras para este ano

As informações são do site Deadcoins. Diante de tantos projetos mal-sucedidos no ano passado, criptomoedas como o Ethereum, Ripple e Iota permaneceram e são algumas das opções interessantes para 2019

Reforma da Previdência

À BBC, Mourão diz que Congresso aprova “qualquer coisa” para militar

Mourão justificou que a tramitação é muito mais rápida no caso dos militares porque, para isso, é necessário apenas um projeto de lei, que requer maioria simples dos votos

Mais um empecilho?

Tipo novela mexicana… Justiça concede liminar para suspender assembleia da Embraer que decidirá sobre acordo com Boieng

O juiz destacou que “não se visualiza nesta decisão qualquer ameaça ou comprometimento da economia do País ou situação provocadora de crise na medida que busca conservar uma situação que se encontra consolidada no tempo e eventual oscilação em preços de ações da Boeing ou da Embraer são considerados efeitos metajurídicos normais de qualquer decisão judicial sem a tônica de representar repercussão nos interesses do País”

O melhor do Seu Dinheiro

O Ministério da Economia adverte

Tem uma piada antiga sobre o fulano que vai comprar um maço de cigarros na padaria e, ao ler na embalagem que fumar causa impotência sexual, pede para o balconista trocar por um que causa câncer. Eu me lembrei da anedota ao me deparar com uma espécie de advertência do Ministério da Economia: o atual […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu