Menu
2019-08-22T18:07:32+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Nuvens carregadas

O tempo feio no exterior desanimou o mercado e fez o Ibovespa cair mais de 1%

Dúvidas quanto aos próximos passos do BC dos EUA deixaram os céus do mercado financeiro carregados, derrubando o Ibovespa nesta quarta-feira (22)

22 de agosto de 2019
10:29 - atualizado às 18:07
Nuvens carregadas
As nuvens carregadas vistas lá fora quase fizeram com que o Ibovespa perdesse o nível dos 100 mil pontos - Imagem: Shutterstock

O Ibovespa até chegou a colocar o pé para fora de casa nos primeiros minutos da sessão desta quarta-feira (22). Deu um ou dois passos no campo positivo, olhou para os céus e viu uma enorme nuvem de dúvida pairando sobre os mercados. O clima, definitivamente, não estava convidativo para um passeio ao ar livre.

Ventos frios e tempo feio, uma combinação perfeita para ficar na defensiva e esquecer o mundo lá fora. E foi exatamente isso que o Ibovespa fez: passados os primeiros instantes de pregão, o índice deu meia-volta e virou ao campo negativo. Entrou em casa, se enfiou embaixo das cobertas e não saiu mais de lá.

Ao fim do dia, o principal índice da bolsa brasileira teve baixa de 1,18%, aos 100.011,28 pontos, na mínima da sessão. O mercado de câmbio também ficou acuado com o clima fechado: o dólar à vista fechou em alta de 1,19%, a R$ 4,0780 — a maior cotação de encerramento desde 20 de maio, quando valia R$ 4,1034.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

O problema todo não é a falta de sol nesta quinta-feira: o que deixou os mercados apreensivos é a instabilidade na previsão do tempo. Afinal, o que encobre os céus é a dúvida em relação aos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano): ele continuará cortando os juros nos Estados Unidos, ou o ajuste visto em julho foi apenas pontual?

E os satélites não conseguem definir um padrão para o clima: em certos momentos, uma corrente de ar parece afastar as nuvens para longe, mas, em outros, uma súbita frente fria deixa a nebulosidade ainda mais intensa — e ameaçadora.

Ao que tudo indica, essa instabilidade climática tende a acabar apenas nesta sexta-feira (23): o presidente do Fed, Jerome Powell, irá discursar no simpósio de Jackson Hole — uma espécie de encontro dos principais bancos centrais do mundo — e deve dar pistas mais claras sobre o que a instituição fará daqui para frente.

Mas, enquanto essa postura não é conhecida, os mercados preferiram assumir uma postura mais cautelosa — na dúvida, é melhor se proteger contra uma tempestade. Com isso, o Ibovespa ficou a um triz de perder novamente o nível dos 100 mil pontos e o dólar deu mais um passo rumo aos R$ 4,10.

Nuvens ameaçadoras

O Fed já cortou os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto na reunião de julho, mas os mercados querem mais — só que, até o momento, não há clareza quanto à postura da instituição. E, embora os agentes financeiros acreditem que o tempo irá melhorar amanhã, a previsão do tempo ainda não crava que as nuvens vão se dissipar.

Por isso, o discurso de Powell, amanhã, é visto como crucial: desde a reunião anterior, o Fed e suas autoridades têm assumido uma postura evasiva, sem deixar muito claro se o corte de julho foi apenas pontual ou se marcava o início de um ciclo de ajustes negativos.

Hoje, dois dirigentes do Fed — Esther George e Patrick Harker — deram declarações indicando que são contrários a uma nova redução nos juros. No entanto, a postura das autoridades não trouxe uma onda extra de cautela, uma vez que George e Harker são sabidamente mais conservadores.

"Existe uma grande mudança de cenário desde a última reunião do Fed", diz Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, lembrando que a guerra comercial. com a China passou por uma piora relevante nas últimas semanas. "Segue uma cautela maior do mercado, aguardando o Powell. Ele sim deve indicar com mais clareza qual vai ser o próximo passo, a direção a ser tomada".

E por que os mercados querem tanto um novo corte de juros nos EUA? Por um lado, os agentes acreditam que uma redução nas taxas irá estimular a economia americana e neutralizar possíveis efeitos negativos da guerra comercial.

Mas, por outro, os mais recentes dados da economia dos EUA indicam que a atividade do país ainda não dá sinais nítidos de desaceleração — ao contrário do que é visto na China e na Alemanha, por exemplo. Assim, o argumento de que é preciso reduzir os juros para gerar estímulo econômico perde força.

Em meio à instabilidade climática e às nuvens ameaçadoras, as bolsas americanas passaram o dia dando sinais de cautela: o Dow Jones (+0,19%) conseguiu sustentar leve alta, mas o S&P 500 (-0,05%) e o Nasdaq (-0,36%) fecharam em queda.

Na Europa, contudo, a sessão teve um tom mais negativo: o índice de confiança do consumidor da zona do euro voltou a cair, elevando o pessimismo em relação à economia no velho continente. Como resultado, as bolsas da região caíram em bloco — o índice pan-continental Stoxx 600 recuou 0,40%.

Tempo fechado

A questão dos juros americanos mexe com as negociações em escala global, uma vez que taxas mais baixas nos EUA diminuem a rentabilidade dos investimentos no país — e, consequentemente, aumenta a atratividade dos ativos de países emergentes, que são mais arriscados, mas oferecem retornos mais atraentes.

Sem ter certeza quanto aos próximos passos do Fed, os agentes financeiros preferem assumir uma abordagem mais cautelosa, reduzindo a exposição aos ativos emergentes. Isso se reflete especialmente no mercado de câmbio: moedas como o real, o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno perdem força ante o dólar.

Além disso, as incertezas em relação à Argentina e a nebulosidade ainda grande no front da guerra comercial também penalizam a cesta de mercados emergentes como um todo.

Day after

Vale lembrar que as perdas registradas pelo Ibovespa nesta quinta-feira ocorrem após os ganhos de 2% registrados na sessão de ontem, quando o noticiário local relacionado às privatizações de empresas estatais animou as negociações por aqui.

O pacote anunciado pelo governo, no entanto, foi menor que o esperado: ao todo, a lista de ativos a serem vendidos engloba 11 empresas, e não 17, como foi anunciado anteriormente pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. A relação oficial não incluiu a Eletrobras.

Apesar disso, os mercados seguem animados com as ações da estatal, dadas as sinalizações de que a privatização da companhia terá amplo respaldo do Congresso quando estiver pronta para sair do papel. Nesta quinta-feira, Eletrobras ON (ELET3) subiu 4,07% e Eletrobras PNB (ELET6) avançou 4,02% — os ativos tiveram ganhos de mais de 11% ontem.

Já as ações da Petrobras devolvem parte dos avanços de quase 6% registrados na véspera, quando notícias referentes à possibilidade de privatização da empresa também animaram os mercados. Os papéis PN (PETR4) tiveram baixa de 0,90% e os ONs (PETR3) recuaram 0,97%.

Dólar em alta

Sem ter certeza quanto aos próximos passos do Fed — e ao estado da economia global —, os agentes financeiros voltam a assumir uma postura mais defensiva no mercado de câmbio, preferindo a segurança do dólar ao retorno mais arriscado das divisas emergentes.

E nem mesmo a venda de US$ 550 milhões pelo Banco Central no mercado à vista trouxe tranquilidade ao câmbio nesta quinta-feira. A autoridade monetária fará operações diárias como essa até 29 de agosto — ontem, foram vendidos US$ 200 milhões.

DIs para cima

A curva de juros fechou em alta, acompanhando a pressão no dólar e a cautela em relação ao Fed. Na ponta curta, os DIs para janeiro de 2020 subiram de 5,37% para 5,38%, e os com vencimento em janeiro de 2021 avançaram de 5,35% para 5,38%.

No vértice mais longo, as curvas para janeiro de 2023 terminaram em alta de 6,34% para 6,37%, e as com vencimento em janeiro de 2025 foram de 6,83% para 6,88%.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

De volta à velha política

Governo se rende às indicações políticas para aumentar base

Presidente foi convencido por ministros da área política de que premiar partidos leais a suas propostas seria a única forma de aprovar reformas

Grandes planos

“Vamos lançar nosso banco digital em mil lojas antes da Black Friday”, diz CEO da Via Varejo

Roberto Fulcherberguer tem trabalhado para que o sistema de vendas pela web esteja tinindo para a próxima Black Friday

Passou!

Centauro aprova plano de outorga para opção de compra de ações neste ano

Plano prevê que a quantidade máxima de ações vinculadas será de 7.943.848

Seu Dinheiro no domingo

Quanto rendeu o Seu Dinheiro em um ano?

Você sabe quanto o Seu Dinheiro rendeu em um ano? Não estou falando aqui do montante que você tem aplicado no banco. Mas do Seu Dinheiro mesmo, esse projeto independente de jornalismo e educação financeira que eu coordeno junto com a Olivia Alonso e que tem um time de feras como o Vinícius Pinheiro, o […]

Olhe e copie

5 coisas inteligentes que pessoas com consultores financeiros fazem com o próprio dinheiro que lhes dão uma vantagem

Nem todos querem ou podem pagar um planejador financeiro próprio. Mas que tal dar uma espiada no que eles andam aconselhando?

Enquanto isso, na Assembleia da ONU...

Promessa de ‘afagos’ teria convencido Bolsonaro a aceitar jantar com Trump

No pacote de gestos, a expectativa de auxiliares do Planalto é que Bolsonaro sente-se próximo de Trump

Poucos amigos

Major Olímpio diz que há estratégia no Congresso para desgastar Bolsonaro

Senador afirmou que parlamentares “votam projetos absurdos e depois jogam no colo do presidente a questão de vetar ou não esses dispositivos”

Série: os mais ricos do Brasil

Abilio Diniz: um bilionário bom de briga

Ele transformou a pequena doceria do pai na maior rede varejista do país e aos 82 anos continua na ativa

Papo de poder

Maia conversa com Bolsonaro sobre pauta de votações da Câmara para próxima semana

Entre os itens da pauta está o projeto de lei que trata do registro, posse e comercialização de armas

Após operação da PF

Governo Bolsonaro já avalia substituto para líder no Senado

Dois nomes cogitados para ocupar o cargo de Fernando Bezerra Coelho devem ser discutidos por aliados com o presidente quando ele retornar dos Estados Unidos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements