Menu
2019-10-14T14:39:38+00:00
propostas à mesa

Com uso de gatilhos, governo pode ter alívio de R$ 202 bi no orçamento

Projeto que aciona de maneira mais rápida medidas de contenção de gastos já previstos na constituição, mas aprovação depende do Congresso

13 de setembro de 2019
13:51 - atualizado às 14:39
Shutterstock_
Projeto ganhou nesta semana o apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes.

O Orçamento de 2020 pode começar com um alívio de R$ 202,6 bilhões entre redução de despesas, aumento de receitas e diminuição da dívida pública, caso o Congresso Nacional aprove uma proposta que aciona mais rapidamente medidas de contenção dos gastos já previstos na Constituição e cria novos freios para as contas.

O projeto ganhou nesta semana o apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes, e pode incorporar a ideia do governo e de técnicos do Congresso de suspender a correção automática de despesas como o salário mínimo - o que ampliaria o impacto da proposta.

Para a área econômica, a proposta pode resolver o problema do teto de gastos até 2026, e, junto com a reforma da Previdência, abrir o caminho para o Brasil voltar a ter o grau de investimento das agências internacionais.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

A maior parte do ajuste (R$ 109,6 bilhões) viria da economia de despesas com o acionamento de medidas já previstas na regra do teto de gastos (mecanismo que limita o crescimento das despesas à inflação), chamadas de gatilhos, e de novas ações, como a redução de jornada e salário de servidores públicos e a suspensão do pagamento do abono salarial (benefício de até um salário mínimo pago a quem ganha no máximo dois salários mínimos).

Há ainda ganhos previstos de R$ 6 bilhões em receitas com cobrança adicional na Previdência de servidores ativos e inativos e R$ 18,9 bilhões com a suspensão de repasses do FAT ao BNDES, além da possibilidade de abater R$ 68,15 bilhões da dívida pública a partir da desvinculação de recursos hoje parados em fundos do governo.

Alinhamento

Os números foram apresentados na terça-feira a Guedes pelo deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), autor da proposta que está sendo usada para redesenhar as regras fiscais. O deputado Felipe Rigoni (PSB-ES), que será o relator na comissão especial, também participou do encontro. Um integrante da equipe econômica disse ao jornal O Estado de S. Paulo que o Ministério da Economia está "alinhado" na PEC do Pedro Paulo e avaliando as outras medidas que poderão ser incorporadas na proposta.

O Ministério da Economia trabalhava num plano para reduzir as despesas obrigatórias, mas traça agora uma estratégia junto com o Congresso por conta das dificuldades com o teto de gastos já no ano que vem. Mesmo com a aprovação das reformas, essas despesas comprimem os gastos com investimento e custeio da máquina pública para um nível muito baixo, de apenas R$ 89 bilhões.

O grupo agora analisa a possibilidade de incorporar gatilhos de desindexação de despesas, ou seja, desobrigar o governo de conceder os reajustes automáticos previstos na legislação. Essa medida conta com o apoio do ministro da Economia, que desde a transição fala na necessidade de dar maior flexibilidade ao Orçamento Federal.

Social

Levantamento do Tesouro mostra que dois terços (67,7%) das despesas primárias da União são corrigidas automaticamente por algum indexador. A mais significativa é a de benefícios previdenciários, que crescem à medida que o salário mínimo cresce. Mesmo aposentadorias e pensões acima do piso também são corrigidas todo o ano pela inflação. Outros exemplos são o abono salarial, seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC, pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda).

Os mínimos da saúde e da educação também são corrigidos conforme a inflação, mas Pedro Paulo disse ao Estadão/Broadcast que esses dois permaneceriam intocados num primeiro momento. "Não podemos fazer desvinculação de saúde e educação, mas estamos vendo quais outros gatilhos podemos colocar para a desindexação", disse o autor da proposta. A correção do salário mínimo pela inflação é prevista na Constituição. Para técnicos do Congresso, "agora chegou a hora" de entrar nessa discussão. Os gatilhos do teto já preveem a suspensão de qualquer aumento real do piso nacional, mas a proposta pode incluir um mecanismo que desobrigue o governo também de reajustar o valor nominal para repor a inflação.

Para o deputado Pedro Paulo, os gatilhos previstos têm potencial para fazer um ajuste nas contas do governo do tamanho ou maior do que a reforma da Previdência. "Vamos atacar a despesa e o problema da rigidez. Estamos perdendo autonomia sobre orçamento e isso está espremendo o investimento público", disse Pedro Paulo. Ele ressalta que as contas públicas estão descontroladas, mas alerta que ainda pode haver a possibilidade de um shutdown (paralisação)descontrolado e de um quadro mais grave de deterioração fiscal.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

Sem crise

Sabesp tem lucro líquido de R$ 1,209 bilhão no 3º trimestre, alta de 113,9%

A Sabesp reportou forte expansão no lucro líquido e no Ebitda no terceiro trimestre deste ano, impulsionada pelo início das operações em Santo André e Guarulhos

Más notícias

A Braskem fechou o trimestre no vermelho e viu sua receita cair 18% em um ano

Empresa cujas ações têm o pior desempenho do Ibovespa no ano, a Braskem reportou um prejuízo líquido de mais de R$ 800 milhões no terceiro trimestre

Vídeo

Como levar a inflação em conta na hora de investir

Ela pode corroer a sua rentabilidade! Saiba por que você deve tomar cuidado com a inflação na hora de investir, até mesmo quando ela está baixa

O vai e vem dos mercados

Bolsas de Nova York fecham sem direção única, com S&P 500 em patamar recorde de fechamento

O índice Dow Jones fechou estável, em 27.784,61 pontos, o Nasdaq teve leve recuo de 0,04%, a 8.479,02 pontos, e o S&P 500 subiu 0,09%, a 3.096,82 pontos

Seu Dinheiro na sua noite

Show dos atrasados

Uma importante tradição da internet brasileira foi quebrada neste ano. Estou falando do #ShowDosAtrasados do Enem. As imagens de pessoas desesperadas chegando para a prova depois do horário simplesmente não aconteceram. Mas, no mercado financeiro, os atrasados de sempre não decepcionaram. Que o diga a agência de classificação de risco Fitch, que decidiu hoje manter […]

Investimento em ação

Petrobras inicia produção de petróleo e gás natural na plataforma P-68

Plataforma, do tipo FPSO, está localizada a aproximadamente 230 km da costa do Estado do Rio de Janeiro

220% do PIB

Dívida de países emergentes vai a US$ 71,4 trilhões e tem novo recorde histórico

Dados do IIF mostram que Chile, Coreia do Sul e Argentina foram os mercados onde os passivos mais aumentaram na comparação ano a ano

Definindo estratégias

Em encontro do PT, Lula diz que partido não nasceu para ser sigla de apoio

Comentário foi feito em meio a discussões de que o PT poderia compor candidaturas de outros partidos de esquerda nas eleições municipais do ano que vem

320% do PIB

Dívida global bate novo recorde a US$ 250 trilhões

Levantamento é do Instituto Internacional de Finanças (IIF) que estima que endividamento vai continuar subindo até o fim do ano

Tesourada mexicana

Banco Central do México corta taxa de juros em 25 pontos-base, para 7,5%

Decisão foi tomada por maioria, mas dois dirigentes votaram por um corte maior, a 7,25% ao ano

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements