Menu
2019-05-07T14:28:27+00:00
as contas não fecham

Com nível atual de gasto, Previdência chegaria a 138% do Orçamento em 2065, diz BID

Gasto do Brasil com a Previdência é, relativamente, o mais alto da região da América Latina e Caribe, segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)

7 de maio de 2019
14:28
Previdência Social,Reforma da Previdência
previdencia -

O gasto do Brasil com a Previdência é, relativamente, o mais alto da região da América Latina e Caribe, segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), "Melhores Gastos para Melhores Vidas", lançado nesta terça-feira, 7.

"Se mantidos os níveis atuais de gasto, os sistemas de Previdência poderiam aumentar dos atuais 40% do Orçamento para 138% em 2065, inviabilizando o equilíbrio fiscal", destaca o estudo.

Esse cenário, diz a pesquisa, implicará em redução dos recursos para outras prioridades, como desenvolvimento de capital humano e infraestrutura, essenciais para sustentar o crescimento econômico ao longo do tempo. O documento atesta que gasta-se sete vezes mais com a população mais velha que com os mais jovens.

O estudo aponta que, sem reformas, o gasto público com o envelhecimento na região deverá aumentar de 16% para 27,6% do PIB de 2015 a 2065.

Os custos com as aposentadorias deverão contribuir mais para o aumento desse gasto, com alta de 8 pontos porcentuais. O gasto com saúde deve crescer 5,2 pontos porcentuais até 2065, enquanto o gasto com educação deve cair 1,6 ponto porcentual, uma vez que o estudo aponta estabilidade nos gastos por estudante.

"É preciso analisar todos os direitos previdenciários com que os países da América Latina e do Caribe se comprometeram, implícita ou explicitamente, a pagar. Esses direitos podem ou não estar no orçamento de curto ou médio prazo, mas são compromissos que os países deveriam considerar", diz o texto.

O relatório faz ainda reflexão de qual é o resultado de se gastar mais com idosos em vez de com outras necessidades, tais como segurança pública ou programa para crianças.

"Os governos precisam escolher entre prioridades concorrentes no âmbito de um processo orçamentário mais equânime", diz o estudo, destacando que as crianças são os principais beneficiários de serviços de educação, enquanto idosos são os principais beneficiários de serviços de saúde e aposentadoria.

Segundo o documento, os governos da América Latina e do Caribe gastam em média US$ 4 mil per capita com pessoas acima de 65 anos e US$ 1 mil com jovens entre 10 e 25 anos. "Os benefícios dos idosos deveriam pagar sua parcela de impostos antes de transferi-la para a geração seguinte", diz o documento.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Gastos públicos ineficientes podem custar até 3,9% do PIB

O estudo aponta que os gastos públicos ineficientes no Brasil podem representar um prejuízo de até US$ 68 bilhões por ano, o equivalente a 3,9% do PIB do País.

O prejuízo seria resultado da ineficiência na alocação de recursos públicos e na forma de execução de programas e projetos, tais como compras governamentais, na gestão do funcionalismo público e nas transferências de recursos.

Para tornar mais eficiente o gasto público no Brasil, o estudo sugere melhorar a gestão do investimento público, com prioridade para projetos com maior impacto social e que garantam o crescimento futuro do País.

As recomendações incluem investir mais em crianças na comparação com o investimento em idosos, aprimorar a gestão do funcionalismo público, com revisão da estrutura de carreiras e salários, fortalecer os sistemas de compras públicas e criar mecanismos que assegurem as transferências de recursos para os que realmente necessitam.

Recomendações de políticas públicas

O relatório do BID apresenta algumas recomendações de políticas para melhorar a eficiência do gasto no Brasil. A primeira delas é a reforma do sistema previdenciário, com unificação dos sistemas próprios de Previdência e o aumento gradual da idade de aposentadoria ao longo dos anos.

O estudo sugere ainda que seja incorporada a projeção de passivos previdenciários no marco fiscal de médio prazo e no orçamento plurianual.

Com relação às compras públicas, a sugestão é para que se adote licitações competitivas e eficientes, limitando ao mínimo o uso de exceções, com fortalecimento do sistema de compras eletrônicas ComprasNet.

Melhorar a gestão do investimento público é outra recomendação do BID, de forma a priorizar projetos mais rentáveis socialmente e melhorar a qualidade do investimento público a nível subnacional.

Com relação ao funcionalismo público, o BID sugere a redução das diferenças salariais entre funcionários públicos federais e os funcionários do setor privado para um mesmo nível de habilidade. Sugere ainda a continuidade das auditorias das folhas de pagamento em todo o setor público, incluindo empresas públicas.

O estudo recomenda também que seja assegurada a melhoria da arrecadação própria dos governos subnacionais. Sugere um maior gasto por aluno acompanhado de medidas de resultados, assim como maior nível de formação de docentes e de ajuste salarial baseado em desempenho. "A eficiência aumenta quando se paga melhor aos professores, que geral melhores resultados", destaca o documento.

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Nas ruas do país

Atos pró-Bolsonaro chegam a 93 municípios de 25 Estados e DF

Em São Paulo, a manifestação a favor do governo ocorre na Avenida Paulista e os participantes estão distribuídos por sete quarteirões

Entrevista

“Reforma tem boa chance de passar. Talvez não no prazo ideal”, diz Pedro Parente

Ex-ministro e atual presidente da BRF, Parente vê com naturalidade a atual desarticulação entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso

Dia de manifestações

Bolsonaro posta no Twitter vídeos de atos pró-governo

A conta do presidente na rede social trouxe três vídeos de manifestantes nas cidades do Rio de Janeiro, em São Luís, no Maranhão, e em Juiz de Fora, no interior de Minas

Trabalho para os liberais

Kleber Bambam e o twitter de Bolsonaro: por que a economia não sai do paredão?

Para Adolfo Sachsida, secretário de política econômica do Ministério da Economia e fã do Big Brother Brasil, problema está no desajuste fiscal herdado das gestões petistas, e não nas polêmicas do Twitter

Das redes ao asfalto

Manifestações nas ruas testam apoio a Bolsonaro

Receio da equipe de Bolsonaro é de que, se não houver uma adesão de peso às manifestações, isso seja interpretado como um sinal de perda de popularidade

Armas

Novo decreto de Bolsonaro mantém brecha para compra de fuzis

Governo mudou texto para evitar venda de fuzis a civis, que fez as ações da Taurus dispararem na semana passada. Mas Procuradoria diz que novo decreto mantém essa possibilidade

Cannabusiness

O dia não tão distante em que os supermercados americanos venderão produtos feitos com planta de maconha

Todos querem sua fatia de uma indústria que deve ultrapassar os US$ 2 bilhões nos EUA até o próximo ano, uma vez que pesquisas vêm mostrando que os consumidores estão dispostos a pagar preços mais altos pelos produtos

Reduzindo os gargalos

Judiciário prepara pacote de medidas para acelerar recuperações judiciais

Em média, em São Paulo, são 567 dias (cerca de um ano e meio) entre a Justiça aceitar o pedido de recuperação de uma empresa e apreciar o plano de reestruturação

Seu Dinheiro no sábado

MAIS LIDAS: Esse filme eu já vi

Na semana em que o futuro pareceu repetir o passado, o assunto mais comentado não podia ser outro: o tsumani político que varreu Brasília. O enredo que incluiu derrotas do governo no Congresso, investigações do Ministério Público, manifestações de rua e investidores à beira de um ataque de nervos de fato me trouxe recordações recentes, […]

Pague pelo celular

Após avanço do Itaú, Mercado Pago amplia parcerias com lojas para pagamentos instantâneos

Empresa do site Mercado Livre fecha parceria com redes de farmácia e de alimentos para aceitar pagamentos pelo sistema de “QR Code”, que agora entrou na mira do Itaú

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements