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Bruna Furlani
Bruna Furlani
Jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB). Fez curso de jornalismo econômico oferecido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem passagem pelas editorias de economia, política e negócios de veículos como O Estado de S.Paulo, SBT e Correio Braziliense.

Incertezas à vista! Citibank rebaixa para “venda” os papéis de Cemig, Copasa e Sabesp

Na avaliação do analista Marcelo Britto, há um risco de queda no preço dos papéis das três companhias após o rali de eleições, mesmo que ocorra a privatização das empresas

16 de janeiro de 2019
11:25 - atualizado às 17:59
Imagem: Shutterstock

Após o banco Morgan Stanley elevar em 50% o preço-alvo das ações da Cemig ontem (15), o Citibank optou por rebaixar para "venda" os papéis da companhia e de outras duas grandes empresas, a Sabesp e a Copasa, um dia depois (16). Na avaliação do analista Marcelo Britto, há um risco de queda no preço dos papéis das três companhias após o rali de eleições.

Britto rebaixou os papéis da Cemig (código CMIG4) para venda, com preço-alvo de R$ 11,50, e afirmou que isso implicaria potencial de baixa de 17% em relação ao último fechamento. O preço-alvo médio das ações é de R$ 13,04. Por volta das 11h desta quarta-feira, a ação preferencial da empresa caía 1,59%.

A Copasa (código CSMG3), por sua vez, também foi rebaixada para venda, com preço-alvo de R$ 53,40, o que implica potencial baixa de 19% em relação ao último pregão. O preço-alvo médio da ação está em R$ 56,02. Ao redor das 11h de hoje, a ação ordinária da empresa caía 3%.

As ações ordinárias da Sabesp (código SBSP3) seguiram a mesma recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 40,20. A mudança implica potencial de queda de 3,4% em relação ao último pregão. Por volta das 11h desta quarta-feira, os papéis ordinários da empresa estavam apresentando queda de 0,72%.

Companhias mineiras

Em sua justificativa, o analista disse que o Estado de Minas Gerais enfrenta problemas fiscais e que provavelmente tentará a venda das duas companhias mineiras Cemig e Copasa para aliviar o impacto negativo nas contas públicas.

Porém, no caso da Cemig, "a privatização não é fácil e nem rápida de ser alcançada devido a barreiras políticas e legais, mas pode ser necessária no caso de um acordo de renegociação das dívidas do Estado".

O problema é que mesmo que a privatização seja aprovada não está claro se os minoritários colheriam o "grosso dos retornos". Britto se mostrou preocupado com os minoritários.

No documento, o especialista destacou que os acionistas menores que não tem direito a voto e que não tem direito ao tag-along (mecanismo de proteção aos acionistas menores no caso de mudanças no controle da companhia) podem não se beneficiar de eventual prêmio pago pelo controle da empresa.

O analista também disse que o ato de tornar a Copasa uma empresa privada seria um desafio. Britto afirmou que a Prefeitura de Belo Horizonte precisa aprovar qualquer intenção de privatizar a companhia. Com isso, seria mais difícil conseguir a mudança de controle do Estado para o setor privado.

Sapesp

No caso da empresa paulista, o analista destacou que o atual governador de São Paulo, João Doria falou que iria privatizar a companhia em entrevistas. E que, recentemente, outras autoridades de Estado manifestaram interesse semelhante.

Segundo Britto, o ponto é que há muitas barreiras políticas e legais, assim como as demais estatais mineiras (Cemig e Copasa). Ele também destacou que não vê a possibilidade de que o "grosso" dos ganhos de eficiência sejam divididos com os consumidores, o que pode gerar um custo para cobrir tais "buracos" e menos retorno para os acionistas.

Durante a análise das três empresas, o analista disse que a subida no preço dos papéis teve como maior combustível o rali eleitoral, mas questionou como será o cenário para as ações das companhias analisadas após o período eleitoral e em cenários de bear e bull market.

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