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Esquenta dos mercados

Cessão onerosa deve esquentar mercados hoje

Projeto que autoriza a Petrobras a negociar parte da exploração de petróleo no pré-sal com empresas privadas deve ser votado na terça-feira

22 de novembro de 2018
7:41 - atualizado às 14:51
Selo esquenta mercados
Paulo Guedes, futuro ministro da economia, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, e governadores costuraram ontem um acordo - Imagem: Seu Dinheiro

Bom dia, investidor! O feriado de Ação de Graças fecha os mercados em Nova York e rouba a liquidez por aqui, hoje e amanhã (Black Friday). Mas a Bolsa de Valores de São Paulo pode se animar com as expectativas positivas com relação ao projeto da cessão onerosa, que deve ser finalmente votado na próxima semana (terça-feira, dia 27).

Paulo Guedes, futuro ministro da economia, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, e governadores costuraram ontem um acordo e tudo indica que está certo para o Senado aprovar o projeto que autoriza a Petrobras a negociar parte da exploração de petróleo no pré-sal com empresas privadas - sem emendas, desencantando essa novela.

Para que o texto não seja alterado (e volte para a Câmara), foi acertada com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, a aprovação em regime de urgência de outro projeto, o PL 209, que regulamenta o Fundo Social do pré‐sal. Aprovado, o dinheiro para os Estados e municípios poderá transitar por esse Fundo. Isso atenderá aos governadores, que queriam garantia do compromisso de partilha assumido por Paulo Guedes.

Por esse motivo, Eunício decidiu esperar até terça-feira, quando o PL 209 irá ao plenário na Câmara, abrindo caminho para que o projeto de lei 78/2018, da cessão onerosa, seja finalmente votado no Senado, sem emendas.

Assim, esperamos, encerra‐se a história para destravar o acordo com a Petrobras e o leilão do pré‐sal em 2019, que deve
render em torno de R$ 100 bilhões nas estimativas mais conservadoras de técnicos da área econômica.

Ontem, as ações de Petrobras caíram feio, ajustando‐se ao tombo do ADR na véspera, e nem mesmo a alta do petróleo ajudou a recuperar os preços. Além das incertezas externas, que não são poucas, alguns desencontros no novo governo causam apreensão.

Briga na Câmara

A disputa pela Presidência coloca em frentes opostas Onyx Lorenzoni e Rodrigo Maia, que, aparentemente, está sendo fritado em fogo alto pelo futuro ministro da Casa Civil.

A nomeação de três deputados do DEM para o ministério do presidente eleito Jair Bolsonaro seria, na opinião do próprio Maia, uma tentativa de associar o partido ao governo e “enfraquecer sua reeleição à Presidência da Casa”.

Mais nomes

No final da noite, o Broadcast apurou que Pedro Guimarães (banco Brasil Plural) aceitou convite de Paulo Guedes para presidir a Caixa. Há poucos dias, Ana Paula Vescovi estava cotada para o cargo.

Já para o Banco do Brasil, as chances de Ivan Monteiro (atual presidente da Petrobras) estariam esfriando. Para comandar a Secretaria de Privatização, Bolsonaro convidou Wilson Poit, secretário na prefeitura de São Paulo.

Hoje, há expectativa de que seja definido o nome do novo ministro das Minas e Energia. Há dois candidatos em avaliação: Paulo Pedrosa, ex‐secretário executivo do ministerio e Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Agenda

Em dia sem dados relevantes, destaque é a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas.

O assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, virá ao Brasil na próxima semana para uma reunião com Bolsonaro, em mais um passo para a aproximação com o governo de Donald Trump.

Lá fora

Com Nova York fechada para o feriado de Ação de Graças, o único indicador previsto é a leitura preliminar de novembro da confiança do consumidor da zona do euro (13h), com previsão de ‐3, contra ‐2,7 em outubro.

Às 10h30, o Banco Central Europeu divulga a ata da reunião de política monetária de outubro. Em Roma, o ministro de Economia e Finanças italiano responde a perguntas no Senado, ao meio‐dia, em meio à intransigência sobre o orçamento.

Dólar em fuga

As incertezas externas, combinadas ao quadro fiscal doméstico fragilizado, têm afastado o investidor estrangeiro da bolsa brasileira, roubando as forças do Ibovespa para testar o seu rali de final de ano. A saída do capital externo justifica, em boa parte, a dificuldade para reagir. Na última sexta-feira, (dia 16), houve retirada de mais R$ 254,931 milhões da bolsa. O saldo acumulado neste mês está negativo R$ 3,543 bilhões.

Distrato

As construtoras festejaram a aprovação do texto‐base do projeto do distrato no Senado. Mas já hoje podem devolver os ganhos. Ontem à noite, o Senado acabou aprovando destaques à matéria, que terá de voltar à Câmara, onde poderá ser revisto o porcentual de até 50% de multa para comprador que desistir de comprar imóvel na planta.

Câmbio minado

Tem cada vez mais gente comprada em dólar, diante dos focos de risco que não se limitam à deterioração fiscal das contas públicas domésticas, mas envolvem também a guerra de tarifas e desaceleração nos EUA. Isso levou a moeda americana a encostar nos R$ 3,80 ontem, cotada a R$ 3,7972 no fechamento, em alta de 1,01%.

*Com informações do Bom Dia Mercado, de Rosa Riscala. Para ler o Bom Dia Mercado na íntegra, acesse www.bomdiamercado.com.br

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