Menu
2019-04-04T13:45:52+00:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Mercados se desviam de incertezas políticas

17 de janeiro de 2019
5:28 - atualizado às 13:45
mercadodesviapolitica
Mercado tenta se desviar das preocupações políticas nos EUA e no Reino Unido, mas se depara com incertezas econômicas

O noticiário político rouba a cena no mercado financeiro global, em meios às preocupações com a paralisação do governo dos Estados Unidos (shutdown), que entra hoje no 27º dia, e com a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), após a sobrevida dada a Theresa May no cargo de primeira-ministra. Mas os investidores tentam se esquivar desses dramas.

Em alusão à célebre frase de James Carville durante a campanha presidencial do então candidato Bill Clinton, no início dos anos 90, “é a economia” (!) que segue no centro das atenções. Mas o cenário econômico também está repleto de incertezas.

Durante a sessão asiática, as bolsas da região tentaram acompanhar os ganhos exibidos na véspera em Wall Street, mas foram prejudicadas por relatos de que os EUA estão investigando a chinesa Huawei por supostamente roubar segredos comerciais de empresas norte-americanas. Foi o suficiente para zerar a alta.

No final, Tóquio, Xangai e Hong Kong registraram leves baixas, reacendendo as preocupações sobre as relações entre os dois países. Autoridades de Washington e Pequim se esforçam para chegar a um acordo comercial, antes do fim da trégua tarifária, em março. Uma negociação de alto nível está marcada para este mês.

Em Nova York, os índices futuros apagaram o sinal positivo, deixando indefinida a direção para o dia. Até então, os balanços dos bancos Goldman Sachs e Bank of America sustentavam os negócios. Hoje, é a vez dos resultados trimestrais de Morgan Stanley e Netflix. Nos demais mercados, o petróleo e o dólar medem forças.

Os investidores ainda tentam manter um “rali de alívio”, apostando no apoio dos principais bancos centrais, à medida que a economia global se desacelera. A perspectiva de que os estímulos monetários serão mantidos - ou, pelo menos, o processo de retirada deles será interrompido - tenta manter o apetite por risco.

Não é bem assim...

Apesar da percepção de que o cenário econômico não está tão ruim assim, é crescente o receio quanto ao impacto na atividade norte-americana da paralisação do governo dos Estados Unidos. O chamado shutdown entra hoje no 27º dia, ainda sem sinais de desfecho, em meio ao impasse entre o presidente Donald Trump e os democratas sobre a verba para a construção de um muro na fronteira com o México.

Cálculos da Casa Branca indicam que o shutdown pode retirar 0,5 ponto percentual (pp) Produto Interno Bruto (PIB), se durar ao longo deste mês. E os investidores não vão poder ignorar essa pausa recorde na administração federal por muito mais tempo, apoiando-se apenas no tom mais suave (“dovish”) do Federal Reserve em relação a novas altas na taxa de juros norte-americana.

Afinal, o shutdown é apenas mais um erro político de Trump que pode impactar a economia. O outro erro vem da guerra comercial travada pelos EUA contra a China e os efeitos dessa disputa tanto na economia chinesa quanto no crescimento econômico global.

Mas no centro das atenções políticas, prossegue o drama britânico do Brexit, o que deprime a libra esterlina nesta manhã. Theresa May venceu ontem a moção de desconfiança contra ela e irá continuar no cargo de primeira-ministra. Um dia após a derrota esmagadora, ela obteve uma vitória apertada, por apenas 19 votos, com 325 a favor e 306 contra.

O placar significa que a maioria do Parlamento britânico confia na capacidade de May para permanecer liderando o governo e, principalmente, na habilidade dela para negociar a saída do Reino Unido da União Europeia. Ela tem até a próxima segunda-feira para propor um novo acordo para o Brexit e já negocia com a oposição, a apenas 10 semanas antes do prazo final.

Em compasso de espera

No Brasil, a espera por novidades sobre a reforma da Previdência encurta o fôlego de alta do mercado financeiro. Uma vez que a proposta da equipe econômica só deve ser conhecida no fim deste mês, falta um gatilho para os ativos locais esticarem o rali deste início de ano.

A previsão é de que as novas regras para a aposentadoria sejam apresentadas ao presidente Jair Bolsonaro na semana que vem, antes da viagem ao fórum de Davos. Porém, ele só deve “bater o martelo” sobre as medidas na volta da estreia internacional, onde estará nos holofotes da elite financeira e política mundial.

Assim, os negócios locais devem ficar carentes de notícias relevantes nos próximos dias. Com isso, a Bolsa brasileira e do dólar devem ter um desempenho mais correlacionado ao do exterior, após a recente divergência doméstica frente ao mercado internacional.

Ao menos no curtíssimo prazo. Em fevereiro, quando o Congresso volta às atividades, a tendência é de que haja um novo “descolamento” do mercado brasileiro em relação ao exterior. Afinal, é no Legislativo que os investidores poderão captar o apoio político à agenda de reformas do governo Bolsonaro.

Agenda econômica sem destaques

Na agenda econômica do dia, destaque para o índice da atividade brasileira, calculado pelo Banco Central. O IBC-Br deve rondar a estabilidade pelo segundo mês consecutivo em novembro em relação a outubro, o que reforça os sinais de que a economia doméstica ficou praticamente parada na reta final de 2018.

Já na comparação com novembro de 2017, o indicador deve avançar pela sexta vez seguida, em +1,7%. Os resultados efetivos serão divulgados às 8h30. No exterior, destaque para a leitura final do índice de preços ao consumidor (CPI) na zona do euro em dezembro, às 8h.

No calendário econômico norte-americano, estão previstos dados sobre a construção de moradias no país em dezembro; os pedidos semanais de auxílio-desemprego e o índice regional de atividade na Filadélfia. Se confirmados, todos esses indicadores dos EUA devem ser divulgados às 11h30.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

Apoio declarado

Em podcast, Maia diz que decisão do governo de transferir Coaf para BC é boa

Presidente da Câmara afirmou também que a Casa irá discutir a proposta de autonomia do Banco Central

Seu Dinheiro na sua noite

Belo, recatado e dólar

Foi Edmar Bacha, um dos criadores do Plano Real, quem ensinou a jamais fazer previsões sobre o dólar. É dele a conhecida frase de que a taxa de câmbio foi criada por Deus apenas para humilhar os economistas. Hoje foi um típico dia de humilhação para quem acompanha o mercado financeiro. Mesmo com o noticiário […]

Google e Facebook na mira

Procuradores dos EUA preparam investigação antitruste de gigantes de tecnologia

Investigações devem se concentrar no uso de algumas plataformas de tecnologia dominantes para ofuscar a concorrência

Dança das cadeiras

Receita confirma substituição do subsecretário-geral João Paulo Ramos Fachada

Servidor de carreira, Fachada era o número dois da Receita e é, na prática, o responsável pela gestão do dia a dia do Fisco

Agilidade

Líder do governo defende votar reforma tributária em 45 dias no Senado

Se executado, o prazo coincidiria com a tramitação da reforma da Previdência na Casa

Grupo das aéreas

Avianca Brasil deixará Star Alliance em setembro

Com o movimento, a rede global de companhias aéreas não terá mais empresas brasileiras entre seus membros

Enquanto isso, no Congresso...

Projeto de Lei que reduz para 1% royalties de campos de petróleo marginais avança no Congresso

PL 4663/2016, de autoria de Beto Rosado (Progressista/RN) propõe cortar de 10% para 1% o royalty sobre a produção de campos marginais

BR Distribuidora na conta

Postos ‘bandeira branca’ ganham força e geração de caixa de gigantes de distribuição decepcionam no 2º tri

No centro do problema, as gigantes do setor BR Distribuidora, Raízen Combustíveis e Ipiranga apontaram um vilão em comum: a crise econômica

Expectativas

Vice-presidente da Toyota Brasil diz que venda direta deve chegar a 50% no país em 2019

Vendas diretas são como o setor chama os veículos vendidos pelas montadoras diretamente para os clientes

Comércio com o exterior

Balança comercial tem superávit de US$ 701 milhões na terceira semana de agosto

Em agosto, o superávit acumulado é de US$ 1,222 bilhão. Já no total do ano, o superávit é de US$ 29,697 bilhões

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements