Menu
2019-08-09T06:32:24-03:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Mercado segue preocupado

Ausência de reviravoltas na guerra comercial trouxe alívio passageiro ao mercado financeiro ontem, mas investidores estão preocupados com impacto da disputa na economia global

9 de agosto de 2019
5:39 - atualizado às 6:32
mercadoseguepreocupado
No Brasil, Senado começa discussões da reforma da Previdência

O sentimento positivo visto no mercado financeiro ontem, em meio à sensação de que a guerra comercial arrefeceu, é substituído hoje pela retomada da tensão entre Estados Unidos e China, após o Banco Central chinês (PBoC) fixar a taxa de referência do yuan (renminbi) acima de 7 por dólar pelo segundo dia seguido e a Casa Branca adiar a decisão sobre a permissão para empresas norte-americanas fazerem negócios com a Huawei.

Mas os investidores estão mesmo preocupados é com o impacto de uma potencial escalada da disputa sino-americana no crescimento econômico global. Novos números mostraram que a economia do Japão cresceu em um ritmo bem acima do esperado no trimestre encerrado em junho, com o Produto Interno Bruto (PIB) expandindo-se à taxa anualizada de 1,8%, impulsionado pelo consumo, ante estimativa de alta de 0,4%.

No entanto, os dados mais recentes não significam que a perspectiva para o país seja otimista. A economia japonesa pode ter problemas para crescer nos próximos trimestres, já que o aumento de impostos ora em curso reduz o sentimento do consumidor, ao mesmo tempo em que o conflito comercial entre EUA e China afeta a confiança das empresas. Além disso, o crescimento positivo no trimestre anterior (+2,8%) deve ser descontado.

Tanto que o BC japonês (BoJ) resolveu agir e elevou as compras de bônus de curto prazo, em um movimento que indica que a autoridade monetária está tentando lidar com o achatamento (flattening) da curva de juros. Em reação, o iene se fortaleceu pelo terceiro dia, levando o dólar abaixo da faixa de 106 ienes. Nas demais moedas, o yuan estava estável, cotado a 7,05 por dólar nas negociações offshore, após uma taxa de referência a 7,0136.

Nos bônus, o rendimento (yield) dos títulos norte-americanos de curto prazo avança, enquanto o de vencimentos mais longos recua. Entre as bolsas, as praças europeias abriram em queda, acompanhando o sinal negativo nos índices futuros das bolsas de Nova York, após uma sessão mista na Ásia. Tóquio subiu 0,44%, mas Xangai caiu 0,7%, reagindo também ao avanço da inflação ao consumidor chinês (CPI) para o maior nível em 17 meses.

O CPI teve alta de 2,8% em julho, em base anual, ficando praticamente em linha com a previsão de +2,7%. Os preços dos alimento seguiram pressionados pela gripe suína, registrando alta de 9,1%, na mesma base de comparação. De volta aos mercados, nas commodities, o petróleo oscila em alta, ao passo que o minério de ferro registrou nova queda.

Recessão à vista?

A ausência de novas reviravoltas na disputa comercial ajudou a manter os investidores em um clima de compra ontem, sustentado pela perspectiva de cortes agressivos nos juros pelos bancos centrais pelo mundo. Mas o temor quanto a uma recessão nos EUA até 2021 também assusta, já que as tensões comerciais alimentam incertezas econômicas.

Com isso, os investidores anteciparam as apostas e preveem agora que o próximo corte da taxa de juros pelo Federal Reserve será em setembro, e não em dezembro, com uma nova dose de 0,25 ponto. A questão é que a tensão comercial tem forças para desestabilizar uma economia estável, como a dos EUA.

Em contrapartida, a China tenta fazer o que pode, adotando uma tática na disputa. De qualquer forma, será muito difícil para ambos os lados recuarem agora, o que tende a provocar um impacto negativo tanto para o crescimento quanto para a inflação. Por isso, o conflito entre os dois países tem agitado o mercado financeiro.

Mas é bom lembrar que um acordo duradouro e abrangente entre EUA e China ainda não foi colocado na mesa, o que tende a manter o vaivém nos negócios em ritmo intenso. Afinal, parece que nem o presidente Donald Trump nem Pequim têm qualquer incentivo concreto para chegar à mesa de negociação.

Além das diferentes visões que ambos os lados têm sobre comércio e investimentos, é praticamente impossível que EUA e China consigam alcançar um ponto em comum sobre diferentes tópicos, que envolvem desde direitos de propriedade intelectual até subsídios a empresas estatais. A questão, portanto, não é se as tensões aumentariam, mas quando.

Reforma em foco

Por aqui, os investidores seguem atentos ao andamento da reforma da Previdência, agora, no Senado, enquanto aguardam o início das tratativas em torno da reforma tributária. O senador Tasso Jereissati foi escolhido relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e disse que irá entregar um parecer em até três semanas.

Segundo ele, deve haver o “mínimo possível” de mudança no texto. Diante disso, uma eventual inclusão de estados e municípios na proposta deve ser discutida em outra PEC, de modo a evitar que o processo volte aos deputados. Essa PEC paralela terá uma tramitação autônoma entre os senadores para, então, ser encaminhada à Câmara.

Olho na agenda do dia

A semana chega ao fim com mais dados de atividade no Brasil, desta vez sobre o desempenho do setor de serviços em junho (9h). Somados aos números sobre o varejo e a indústria, o resultado será importante para aferir o desempenho da economia brasileira (PIB) no segundo trimestre deste ano, sendo que o risco de uma recessão é crescente.

Já no exterior, merece atenção uma série de indicadores do Reino Unido, com destaque para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no trimestre passado. Os números serão importantes para avaliar o estado da economia britânica, às vésperas do Brexit. Nos EUA, sai o índice de preços ao produtor em julho (9h30).

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

fim do impasse?

Câmara aprova MP que transfere Coaf para o BC; texto segue para Senado

Outra mudança foi a retirada, com a aprovação de um destaque, da atribuição do Coaf de produzir informação para combate ao financiamento do terrorismo

Dinheiro no bolso do acionista

CVC paga R$ 62 milhões em juros sobre capital próprio aos acionistas

Para o pagamento, que será realizado no dia 8 de janeiro, será considerada a posição acionário em 23 de dezembro de 2019, respeitando a negociação realizada no dia

novos ventos

Estrangeiros injetam R$ 161 bilhões em aquisições no Brasil

Depois de um 2018 permeado por incertezas provocadas pela corrida eleitoral, o ambiente voltou a ficar mais favorável para fechar operações de fusões e aquisições no Brasil

dinheiro no caixa

Notre Dame Intermédica define ação a R$ 57 em nova oferta e movimenta R$ 5 bilhões

Companhia faz a oferta para levantar recursos para novos investimentos, liquidar debêntures e para pagar a aquisição do grupo Clinipam

guerra comercial

Negociadores de comércios dos EUA e China ‘mantêm contato próximo’, diz Pequim

No domingo (15), vence o prazo para que os EUA adotem tarifas extras a mais US$ 156 bilhões em importações chinesas

em brasília

Senado aprova pacote anticrime de olho em possíveis vetos de Bolsonaro

Projeto foi desidratado em relação ao conteúdo original encaminhado pelo ex-juiz da Lava Jato; Moro já defendeu que os pontos retirados sejam novamente discutidos no Congresso

Recado ao mercado

O BC até pode cortar a Selic em 2020, mas deixou claro que o ciclo está perto do fim

O Copom deixou a porta aberta para mais um corte de 0,25 ponto na Selic em 2020. E, ao não se comprometer com o próximo passo, o BC passou a mensagem de que a onda de reduções nos juros está quase terminando

Seu mentor de investimentos

Caça ao tesouro: as joias descobertas em minha longa carreira no mercado financeiro

Ivan Sant’Anna lembra das grandes tacadas que deu em sua carreira como broker e fala sobre o processo de descobrimento dos tesouros enterrados no mercado

A Bula do Mercado

Copom se prepara para aterrissar e Brasil, para decolar

BC brasileiro indica que fim do ciclo de cortes da Selic está próximo, mas mantém porta aberta para novas quedas, enquanto S&P melhora perspectiva do rating do país

UM DOS IPOs DO ANO

Presidente da XP diz que não descarta listar a companhia na bolsa brasileira

O executivo disse que a ideia sempre foi fazer uma listagem no Brasil, visto que a empresa sempre se posicionou “como disruptora do mercado local, democratizando investimentos”

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements