Menu
2019-09-03T06:11:17-03:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Nova York volta de feriado, mas tensão continua

Expectativa é pelo encontro entre EUA e China, mas desconfiança é crescente e data não foi definida

3 de setembro de 2019
5:38 - atualizado às 6:11
TENSAOCONTINUA
Mercado local fica à mercê do exterior e testa BC, encostando o dólar em R$ 4,20

O mercado financeiro volta a funcionar a pleno vapor nesta terça-feira, com o retorno do pregão em Nova York, após o feriado ontem nos Estados Unidos. Mas nem por isso os investidores deixam de lado a cautela, com a guerra comercial ainda tensionando os negócios. E a ausência de gatilhos internos deixam os ativos locais à mercê do exterior, com os investidores voltando a testar o Banco Central, aproximando o dólar de R$ 4,20.

A expectativa lá fora é por novidades sobre o encontro entre EUA e China previsto para este mês, em Washington. Mas autoridades dos dois países estariam relutando em acertar o cronograma para continuar com as negociações, após a nova rodada de tarifas entrar em vigor no domingo, mostrando que a tendência é de escalada do conflito - e não suavização.

O fato é que a desconfiança de ambos os lados é crescente. Por isso, uma data ainda não foi definida. Mas isso não significa, necessariamente, que a reunião para tratar de questões comerciais não irá acontecer. Ainda assim, os temas a serem tratados no encontro não foram definidos, nem mesmo os termos básicos para chegar a um acordo foi alcançado.

Em reação, os índices futuros das bolsas de Nova York voltam do feriado em queda firme, contaminando a abertura do pregão europeu, após uma sessão mista na Ásia. Wall Street reage não apenas à indefinição sobre a reunião, mas também às novas tarifas em curso, que colocam em risco o crescimento da economia global. Os investidores temem que a mais recente sobretaxa seja mais prejudicial aos EUA.

Ao mesmo tempo, esse temor fortalece a crença de que o Federal Reserve deve lançar estímulos adicionais, entregando uma nova queda na taxa de juros norte-americana neste mês. Mas o cenário sem novo cortes pode ser de grande frustração, já que um ciclo de afrouxamento monetário não parece ser algo que o Fed deseja.

Dólar é porto seguro

Esse acúmulo de incertezas atrapalha a intenção dos investidores de sustentar um rali entre os ativos de risco (bull market). E o que se vê é uma busca por proteção. O dólar é um porto seguro certo, sendo que a moeda norte-americana tira proveito da piora da situação do Brexit e da crise na Argentina, para se fortalecer ainda mais.

Com isso, a libra esterlina caiu abaixo de US$ 1,20 nesta manhã, em meio a especulações de que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, irá convocar eleições em 14 de outubro. A possibilidade de uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem acordo também pesa no euro, que já está abaixo de US$ 1,10. Essa força do dólar no mundo prejudica o petróleo.

Ontem, o dólar ficou levemente abaixo da máxima histórica de fechamento em relação ao real, e também fechou próximo ao patamar que marcou a primeira intervenção do BC no mercado à vista, vendendo dólares das reservas internacionais. A sensação é de que a autoridade monetária será pressionada para novos leilões desse tipo, sem a contraparte no mercado futuro.

Apesar da baixa liquidez na sessão de ontem por causa da ausência do investidor em Nova York, o desempenho do real chamou a atenção justamente pela diferença em relação às demais moedas emergentes. Assim, a percepção é de que o BC deve atuar apenas se o dólar subir de forma descorrelacionada de seus pares, em movimento acentuado e desproporcional, e não necessariamente se alcançar o nível de R$ 4,20.

Indústria em destaque

Depois de surpreender no segundo trimestre deste ano com um crescimento de 0,7%, em base trimestral, a produção industrial deve começar a segunda metade de 2019 ainda em território positivo. Os dados da indústria a serem conhecidos hoje (9h) devem reforçar a visão de que a atividade tende a impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

A previsão é de alta de 0,5% em julho em relação a junho, interrompendo dois meses seguidos de queda, mas em relação ao mesmo mês do ano passado, a indústria deve ter recuado 1,0%. Os dados são o grande destaque da agenda doméstica do dia. No exterior, também serão conhecidos índices sobre a indústria nos EUA em agosto, às 10h45 e às 11h.

O calendário norte-americano traz também os gastos com a construção em julho e as vendas de veículos no país em agosto. Logo cedo, sai o índice de preços ao produtor (PPI) na zona do euro em julho e, no fim do dia, a China informa o índice Caixin sobre a atividade no setor de serviços no mês passado.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

CARRO-CHEFE

Pesquisa e tecnologia fazem o país bater recorde na exportação agrícola

As exportações, puxadas pelo aumento expressivo das vendas de milho, algodão e carne, devem atingir as 200 milhões de toneladas neste ano

Lula solto impacta mais ainda eleições, diz Doria

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai impactar ainda mais o cenário eleitoral depois de ser colocado em liberdade, avalia o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Doria disse que para o petista é uma “questão de honra” lançar uma chapa competitiva para disputar a Prefeitura de São […]

Melhora da economia interrompe perda de popularidade de Bolsonaro, diz Datafolha

O otimismo em relação à atividade econômica nos próximos meses aumentou para 43%, ante 40% em agosto e 50% no início do governo

NOVO RACHA

PSDB terá candidato à presidência em 2022, garante Bruno Araújo

João Doria prepara sua própria candidatura à sucessão de Jair Bolsonaro. Enfrenta, porém, um concorrente interno: Eduardo Leite, governador do RS

Saiba três formas de investir nas ações ou ganhar dinheiro com o IPO da XP

Você pode investir diretamente nas ações da XP lá fora abrindo conta em uma corretora americana, via fundos ou comprando papéis de um banco aqui no Brasil

O que você precisa saber sobre o IPO da XP na bolsa americana Nasdaq

Eu conto para você se vale a pena se tornar sócio da empresa responsável por inaugurar no Brasil o modelo de plataforma aberta de investimentos para o público de varejo

A terceira onda. Um novo milagre econômico vem por aí?

Tudo indica que um novo bull market das commodities esteja começando. E, como das outras vezes, isso será extremamente benéfico para o Brasil

Oxford Economics eleva previsão de crescimento do PIB do Brasil em 2020 para 2%

Casa avalia que as recentes tarifas sobre o aço e alumínio brasileiro não devem atrapalhar a recuperação da atividade, que vem ganhando fôlego

Marfrig confirma oferta subsequente de ações que pode somar R$ 3,3 bi

A oferta será primária e inclui um lote secundário, para a venda de ações detidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES)

BLACK WEEK

MAIS LIDAS: Quem bombou na Black Friday?

Meus vizinhos se empolgaram na Black Friday. E não foram só eles: os números do varejo mostram um crescimento considerável na edição deste ano

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements