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Fazendo as contas

Balança comercial tem superávit de US$ 6,06 bilhões em abril

Resultado veio dentro do intervalo das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, que iam de R$ 4,8 bilhões e R$ 7,3 bilhões

2 de maio de 2019
16:07 - atualizado às 17:36
porto-santos
Porto de Santos - Imagem: Shutterstock

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 6,061 bilhões em abril, de acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia. O valor é 2,3% maior do que o registrado em abril do ano passado.

O superávit da balança comercial em abril veio dentro do intervalo das 23 estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, que iam de R$ 4,8 bilhões e R$ 7,3 bilhões, mas ficou abaixo da mediana de R$ 6,800 bilhões.

Na quarta semana de abril (22 a 28), o saldo comercial foi de um superávit de US$ 1,290 bilhão. Já na quinta semana (29 e 30), com apenas dois dias úteis, foi registrado um déficit de US$ 41 milhões.

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No mês passado, as exportações somaram US$ 19,689 bilhões, uma redução de 0,1% ante abril de 2018. Já as importações chegaram a US$ 13,628 bilhões, uma redução também de 1,2% na mesma comparação.

No mês, houve um aumento nas vendas de produtos básicos (+2,1%), manufaturados (+ 0,8%), e de semimanufaturados (7,1%), este último resultado de alta nos embarques de açúcar em bruto (25,8%) e celulose (25,2%), principalmente.

Pelo lado das importações, houve alta de combustíveis e lubrificantes (+10,4%), mas queda nos bens intermediários (-0,2%), bens de capital (-10%) e bens de consumo (-6,6%).

De janeiro a abril, o superávit comercial soma US$ 16,576 bilhões, saldo 8,7% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. A previsão do governo para 2019 é que o saldo da balança comercial seja de um superávit de acima de US$ 50,1 bilhões.

Devagar, quase parando

Os dados do Ministério da Economia também mostram que, com a demanda mundial desaquecida e a economia brasileira em marcha lenta, o comércio entre o Brasil e outros países caiu nos primeiros quatro meses do ano, com recuo de 2% na corrente de comércio e quedas de 2,7% nas exportações e 0,8% nas importações. Ainda assim, houve aumento de 2,3% no saldo comercial, que fechou abril em US$ 6,061 bilhões.

De acordo com o subsecretário de Estatísticas de Comércio Exterior da Secex, Herlon Brandão, a principal causa da queda nas exportações é a redução do preço de produtos da pauta brasileira, como soja, petróleo, açúcar, café e automóveis, e do menor volume de minério de ferro exportado.

No caso da soja, houve redução de 8% no preço no quadrimestre, resultado de uma combinação de menor demanda chinesa e excesso de oferta mundial. Já as vendas de minério de ferro foram afetadas pelos problemas enfrentados pela Vale que, desde a tragédia de Brumadinho, reduziu a produção. Com isso, houve uma redução de 7% no volume exportado no quadrimestre.

A crise econômica pela qual passa a Argentina também afetou as vendas, principalmente de automóveis. Com isso, houve redução de 46,5% no total exportado para o país e 37,9% para o Mercosul.

Já as vendas para o Oriente Médio registraram alta de 30,4%, mesmo depois das ameaças de boicote aos produtos brasileiros por países árabes por conta da aproximação com Israel. "A questão comercial está apartada da política, o Brasil continua exportando normalmente, principalmente carnes", afirmou.

No total, as exportações de carne bovina in natura subiram 48% em abril e 6% no quadrimestre, enquanto carne de frango cresce 36% no mês e 3,3% no ano. Já a carne suína avançou 51% no ano e 7,7% em abril.

Importações

Houve redução também no volume importado neste ano, com o Brasil comprando menos combustíveis e bens como automóveis. "Combustível é um insumo importante para agricultura e transporte de mercador é um indicador da atividade econômica. Temos uma atividade econômica em recuperação lenta, isso faz com que a demanda por produtos importados seja menor", avaliou.

Apesar desse quadro, Brandão disse que a perspectiva é de melhora para o ano, com crescimento da importação e das exportações. "Ainda esperamos crescimento do comércio para o ano", completou.

*Com Estadão Conteúdo.

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