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Mais um setor travado

Abinee aponta déficit comercial de US$ 8,64 bilhões no setor elétrico e eletrônico brasileiro

Dados mostram que as exportações do setor caíram 8,8% em relação ao período de janeiro a abril de 2018

20 de maio de 2019
14:07 - atualizado às 19:02
Celulares
Imagem: shutterstock

Mais um termômetro da baixa temperatura da economia, a balança comercial da indústria elétrica e eletrônica, fechou o primeiro quadrimestre de 2019 com um déficit comercial de US$ 8,64 bilhões.

As exportações caíram 8,8% em relação ao período de janeiro a abril de 2018. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Apesar da fraqueza eloquente desses resultados, o que mais chamou a atenção do presidente da Abinee, o empresário Humberto Barbato, foi a retração de 3,6% nas importações feitas pela indústria elétrica e eletrônica nos primeiros quatro meses do ano.

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"A produção da indústria de elétricos e eletrônicos depende muito de componentes que são importados. E se a indústria está importando menos é porque a demanda está muito fraca", disse o executivo.

As importações de produtos do setor totalizaram US$ 2,74 bilhões no mês de abril de 2019, ficando praticamente estáveis, 0,3%, em relação a abril do ano anterior, quando totalizaram US$ 2,73 bilhões.

"Assim como aconteceu com as exportações, nas importações também foram verificados comportamentos distintos das diversas áreas do setor", afirma o presidente da Abinee.

Destacaram-se os incrementos nas importações de produtos das áreas de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD), com expansão de 36,1% e de Equipamentos Industriais, 24,2%.

Em GTD, o principal destaque foi a ampliação de 1.019% nas importações de transformadores, que aumentaram de US$ 1,1 milhão em abril de 2018, para US$ 11,7 milhões em abril de 2019.

Nota-se que a maior parte dessas importações veio da China e da Índia. No caso de Equipamentos Industriais, foi verificada expansão de 59% nas compras externas de conversores estáticos para acionamentos de motores.

As importações de bens de Telecomunicações cresceram 8,8% e as de Componentes Elétricos e Eletrônicos subiram 6,4%. Vale ressaltar, que neste último caso, as compras externas somaram US$ 1,66 bilhão, o que representou 61% do total.

Por outro lado, as importações de bens de Automação Industrial recuaram 34,7%. As de Utilidades Domésticas caíram 23,3%, as de Informática, recuaram 16,2% e as importações de Material Elétrico de Instalação encolheram 10%.

A queda nas compras externas de bens de Automação Industrial sofreu influência da retração de 96% nas importações de controladores programáveis, que passaram de US$ 107 milhões em abril de 2018, para US$ 4 milhões em abril deste ano.

Destaca-se, porém, que o montante apontado em abril do ano passado foi pontual e muito acima da média importada nos demais meses de 2018, que estava por volta de US$ 6 milhões.

Os resultados das demais áreas foram influenciados pelas retrações de aparelhos de áudio em 72%, de máquinas de processamento de dados em 26% e de lâmpadas, com redução de 13%, respectivamente. Ao comparar com o mês de abril de 2018, as importações de bens do setor aumentaram 10,4%.

Exportações

Em abril, as exportações de produtos elétricos e eletrônicos somaram US$ 493,4 milhões, valor que se mostrou 10,8% abaixo dos embarques ao valor de US$ 553,1 milhões em registradas em abril de 2018.

Esse resultado, segundo o Departamento Econômico da Abinee, decorreu de movimentos distintos nas diversas áreas do setor, cujas taxas oscilaram de queda de 69,8%, como no caso de GTD a uma expansão de 60,4%, em Material Elétrico de Instalação.

No primeiro caso, é importante destacar que as vendas externas excepcionais de grupos eletrogêneos ocorridas em abril do ano passado foram as principais responsáveis pela forte queda nas exportações de bens de GTD no mês de abril deste ano.

"Nota-se que, em abril de 2018, as exportações de grupos eletrogêneos, principalmente para a Europa, atingiram US$ 73 milhões, resultado muito acima da média dos demais meses de 2018 que estava por volta de US$ 2 milhões", comparou Barbato.

Além de GTD, verificou-se redução de 27% nas vendas externas de itens de Utilidades Domésticas e de 22,9% nas exportações de bens de Informática.

No primeiro caso, notou-se queda nas exportações de diversos itens da linha branca, entre eles: refrigeradores (29%), fornos (39%), freezers (38%), entre outros.

Em Informática, destacou-se o recuo de 86% nas vendas externas de caixas registradoras, que passaram de US$ 5 milhões em abril de 2018 para US$ 693 mil em abril desse ano.

A queda nas vendas externas de Componentes Elétricos e Eletrônicos foi mais modesta, atingindo 2,1%. Com isso, de acordo com a Abinee, as exportações desses itens somaram US$ 213,6 milhões em abril de 2019, representando 43% do total.

Por outro lado, foram observadas taxas de incrementos significativas nas exportações de Material Elétrico de Instalação. Cresceram 60,4% nos bens de Telecomunicações, 51,5% e nos itens de Automação Industrial, com expansão de 35,2%.

No primeiro caso, destacou-se a elevação de 179% nas exportações de disjuntores, que somaram US$ 5 milhões. Em Telecomunicações, foram verificadas taxas de crescimento significativas nas vendas externas de diversos itens como aparelhos de radiocomunicação, com 188%; itens de comutação privada, com crescimento de 1.083%.

As vendas externas de aparelhos de radiodifusão cresceram 548%, a de equipamentos de comunicação sem fio avançou 431%.

As exportações de modem cresceram 415%. E em Automação, observou-se aumento de 88% nas exportações de quadro para comandos abaixo de 1.000 volts. As exportações de Equipamentos Industriais cresceram 11,3%, totalizando US$ 92,1 milhões.

Ao comparar com março, as exportações de bens do setor aumentaram 8,2%, com incremento em todas as áreas, exceto Informática, que recuou 25,4%.

*Com Estadão Conteúdo.

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