Menu
Ivan Sant’Anna
Seu Mentor de Investimentos
Ivan Sant’Anna
É trader no mercado financeiro e autor da Inversa
2019-07-08T15:15:00+00:00
SEU MENTOR DE INVESTIMENTOS

A magia do câmbio e dos juros: como os gringos podem faturar em cima do real e da Selic

Trade cria a possibilidade de se trocar uma moeda forte por outra (historicamente fraca, mas em processo de se tornar conversível num futuro não muito distante) e faturar um lucro que cada vez está mais difícil de se obter nos mercados de renda fixa.

8 de julho de 2019
15:15
Mágico tira dinheiro do chapéu
A 'magia' que fará os gringos virem atrás do real e da Selic - Imagem: Shutterstock

Quando, recentemente, sugeri a venda de dólar futuro a R$ 4,00, minha recomendação se baseava em algumas premissas. Entre elas:

  • Considerava a aprovação da reforma da Previdência extremamente provável. Agora dou como favas contadas.
  • Apostava num amplo programa de privatizações a ser posto em prática durante os três anos e meio que faltam para o fim do mandato de Jair Bolsonaro.
  • Embora a taxa Selic esteja em suas mínimas de todos os tempos, assim como acontece com os juros reais (descontada a inflação), supunha, e continuo supondo, que o dinheiro externo comece a fluir em maior quantidade para o Brasil.

O mundo no qual estamos vivendo é completamente diferente daquele dos meus tempos de trading desk. Naquela ocasião, o dólar subia sempre (com eventuais flutuações de correção de exageros), primeiro por causa da inflação, depois da inflação galopante e, finalmente, da hiperinflação. Era uma questão de ajuste permanente.

Durou décadas, esse processo.

Agora não. Segundo o boletim Focus, os bancos acreditam que a moeda americana esteja valendo R$ 3,80 tanto no fim deste ano quanto no do ano que vem.

Se essas previsões se materializarem, e me parecem razoáveis, o gringo que trocar dólares por reais, levando-se em conta a cotação atual de R$ 3,82, e aplicar em papéis do Tesouro brasileiro, mesmo considerando a hipótese, mais do que provável, de que a taxa Selic seja reduzida de 6,5% para 5% ao ano, terá um ganho, em reais, de 7,50%.

Na verdade, será mais, já que o Copom não fará esse corte de uma vez só. Entre os 6,5 e os 5% transcorrerão alguns meses e várias etapas de 25 e/ou 50 pontos-base.

Vamos fazer as contas direitinho. Tomemos como base um milhão de dólares. Este valor será trocado por nossa moeda e se transformará em R$ 3.820.000,00, que poderão ser aplicados em papéis do Tesouro.

  • Ao final de 2020, considerando a taxa de 5% ano, como se ela fosse imediatamente implantada, os R$ 3.820.000,00 crescerão para R$ 4.106.500,00.
  • Como, sempre segundo o Focus, o dólar custará R$ 3,80 no final de dezembro de 2020, os R$ 4.106.500,00 poderão comprar US$ 1.080.657,89.
  • Conclusão: o gringo terá obtido uma taxa de retorno de 8,07%. Como a inflação americana em um ano e meio deverá ser de 2,72%, isso significará um ganho real de 5,35%.

No momento, os títulos do Tesouro dos países ricos estão dando rentabilidade negativa (se é que esta expressão faz sentido). Com isso, os fundos de investimento precisam desesperadamente procurar vias alternativas para preservar o valor de suas quotas.

Na hora em que o Brasil for considerado confiável, quem sabe até recuperando o grau de investimento, o real será muito procurado, tal como aconteceu durante o boom dos BRICS.

Finalmente, e mais importante, a entrada de recursos externos no país, aliada ao superávit da balança comercial brasileira, atuará para valorizar nossa moeda. Nessa pressuposição, os prognósticos de câmbio do boletim Focus irão diminuir aos poucos, com a cautela que costuma prevalecer, tal como acontece nas súmulas das reuniões do Copom.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Outros fatores contribuirão para esse quadro. Entre eles, a assinatura do tratado comercial entre o Mercosul e a União Europeia, a independência do Banco Central brasileiro, cuja concessão está em pleno andamento nas Casas do Congresso em Brasília, e uma possível entrada do Brasil no bloco da OECD, sigla em inglês para Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que propicia a seus membros uma série de regalias.

Como se tudo isso não bastasse, os mercados de câmbio costumam exagerar em seus movimentos. Nessas ocasiões, ocorre o efeito manada. Todo mundo quer passar por uma porta estreita ao mesmo tempo.

Isso será ótimo para o estrangeiro que comprar a moeda brasileira neste momento, antes do estouro da boiada.

Outros cenários

Se o real começar, como acredito, a se valorizar, há muito espaço de queda para o dólar. Não duvido que, ainda este ano, ou no primeiro semestre de 2020, tenhamos a moeda americana cotada a R$ 3,50.

Neste último cenário, na hora do câmbio dos reais por dólares no final de 2020, aquela continha acima passa a ter o seguinte resultado:

  • Troca hoje de US$ 1 milhão por reais a 3,82: Resultado: R$ 3.820.000,00.
  • Aplicação de R$ 3.820.000,00 a 5% por 18 meses: R$ 4.106.500,00.

Até aqui, tudo igual.

Só que se o dólar cair para R$ 3,50, o gringo vai levar de volta para casa, em vez do que previ nos cálculos do início deste artigo (US$ 1.080.657,89), US$ 1.173.285,71.

Tal número representará para ele um ganho de 17,32%. Se a operação for alavancada, muito mais.

Essa é a magia do câmbio e das taxas de juros. Cria a possibilidade de se trocar uma moeda forte por outra (historicamente fraca, mas em processo de se tornar conversível num futuro não muito distante) e faturar um lucro que cada vez está mais difícil de se obter nos mercados de renda fixa.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

Mercado de trabalho

Emprego informal recorde derruba produtividade da economia brasileira

O crescimento do trabalho informal tem afetado os índices de produtividade da economia do país, de acordo com cálculos da Fundação Getulio Vargas

Shake it off

Taylor Swift, o grupo de investimentos Carlyle e uma briga feia no mundo da música pop

O Carlyle está no centro de uma discussão envolvendo Taylor Swift e sua antiga gravadora, a Big Machine Records, que estão disputando os direitos autorais da obra da cantora pop

Seu Dinheiro no sábado

MAIS LIDAS: O jovem bilionário do Facebook

20 de janeiro de 2010: essa é a data da minha primeira postagem no Facebook. Nada muito inspirador, eu estava só reclamando do clima chuvoso. Nos meses seguintes, todas as minhas interações tratavam de joguinhos on-line — aparentemente, eu era um grande fã de FarmVille. Acessar o túnel do tempo das redes sociais é revelador. […]

Fim das atividades

Braskem encerra extração de sal-gema em Alagoas, alvo de ações de R$ 40 bi

Após supostos prejuízos causados a ruas e casas em Maceió (AL), a petroquímica Braskem decidiu encerrar as atividades de extração de sal-gema cidade

Ultrapassou Jeff Bezos

O maior bilionário: Bill Gates volta a ser o homem mais rico do mundo

Com uma fortuna avaliada em US$ 110 bilhões, o fundador da Microsoft, Bill Gates, ultrapassou Jeff Bezos na disputa pelo posto de maior bilionário do mundo

O segundo passo

Binance e Bittrex, duas exchanges estrangeiras de criptomoedas para chamar de sua

Entenda por que vale a pena abrir conta em uma corretora de fora e veja quais são as principais diferenças entre as duas casas sugeridas por especialistas com grande experiência no mercado

Dicas do Fausto Botelho

Bitcoin e outras criptomoedas que estão com tendência de alta

Neste vídeo, o analista gráfico faz projeções para o Bitcoin e muitas outras criptomoedas, além de fazer comentários sobre a tendência do S&P

Abertura de capital

XP Investimentos dá a largada para o IPO e apresenta documentos à CVM americana

A XP Investimentos protocolou os documentos referentes ao seu processo de abertura de capital nos EUA. A operação será feita na Nasdaq, com ofertas primárias e secundárias

Tensão nos ares

Crise na Boeing: sindicatos de companhias aéreas temem a liberação do 737 Max

Com a possibilidade de as aeronaves 737 Max da Boeing serem liberadas novamente para voar, os sindicatos das companhias aéreas mostram-se preocupados

Protestos no país

Banco Central do Chile anuncia novas medidas para conter a queda do peso

A autoridade monetária do Chile irá adotar mais ferramentas para frear a trajetória de desvalorização da moeda do país, em meio à onda de protestos sociais vistos nos últimos dias

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements