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Vinícius Bazan
Crypto News
Vinícius Bazan
É engenheiro e entusiasta de criptomoedas na Empiricus
Olho vivo

3 eventos que serão decisivos para bitcoin e outras criptomoedas

Decisões sobre regulação e novas formas de investir em moedas virtuais devem avançar e atrair capital institucional para essa classe de ativos, o que pode elevar preços no médio e longo prazos

30 de setembro de 2018
6:32 - atualizado às 1:49
Montagem com notas de dólares e simbolo do bitcoin - Imagem: Shutterstock

Bitcoin, ethereum, litecoin, blockchain, criptografia, mineradores… Estes são alguns termos que, em algum momento dos últimos meses, apareceram na tela do computador de milhares de brasileiros, como você.

Tudo isso pode ser resumido em palavra: criptoativos, as tais "moedas virtuais" que ganharam a atenção - e os bolsos - do público, principalmente no fim de 2017.

À época, os preços estavam decolando e uma unidade de bitcoin chegou a valer quase R$ 70 mil aqui no Brasil. Passados cerca de nove meses do pico máximo do mercado de criptoativos, algumas perguntas permanecem no ar.

Uma delas, e talvez a principal, é em relação ao futuro dessa classe de ativos. Inevitavelmente, eu também me deparo com esse questionamento todos os dias.

Sendo direto, a verdade é que ninguém sabe como será o futuro para os ativos digitais como o bitcoin. Afinal de contas, trata-se de um grupo de ativos que possui história relativamente curta - o próprio bitcoin tem menos de 10 anos de vida.

A natureza de inovação tecnológica e de um mercado antes inexplorado fazem com que seja impossível fazer projeções precisas de longo prazo.

Apesar disso, há alguns pontos importantes no mercado que têm ligação direta com a forma que os criptoativos podem se comportar e se desenvolver nos próximos meses.

Em especial, separei três deles, que trarei ao longo deste texto. Antes, porém, precisamos de um pouco de contexto.

A tempestade após a bonança

No ano passado, vimos altas expressivas em diferentes ativos. O bitcoin chegou a subir 1.700%, o ether (ativo da rede Ethereum), incríveis 13.600%, enquanto o ripple, 48.240%. Isso para falar só dos três principais ativos em valor de mercado atualmente, segundo o site CoinMarketCap.

Isso significa duas coisas: (1) algumas pessoas fizeram muito dinheiro em um curto espaço de tempo; e (2) as autoridades governamentais e reguladores passaram a olhar mais de perto o mercado.

Dessa maneira, o ano de 2018 tem sido marcado por uma forte correção nos preços, com os principais ativos tendo de 50% a 90% em relação às suas máximas. Tem sido forte, também, a discussão sobre como regular essa nova classe de ativos.

A Securities Exchange Comission (SEC), o paralelo da CVM nos Estados Unidos, tem se engajado de maneira relevante nas discussões sobre o tratamento das moedas virtuais e dos tokens - como são chamados os ativos criados por meio das Initial Coin Offerings (ICOs).

Enquanto um certo medo e a incerteza em relação à futura regulação das criptomoedas tenham adicionado pressão vendedora no mercado cripto ao longo dos últimos meses, há também motivos para ficar otimista com o mercado, especialmente com os preços mais baixos.

Veja 3 coisas que podem impactar o mercado de cripto:

1 - Regulação: SEC e G20 de olho no mercado cripto

Os reguladores ligaram seus sinais de alerta após o sobe e desce do mercado. Na verdade, isso apenas se intensificou depois que o mercado passou de US$ 18 bilhões para mais de US$ 800 bilhões, na máxima.

Enquanto alguns países como China e Índia passaram a apresentar medidas mais restritivas em relação ao mercado, outros, a exemplo de Japão e Alemanha, tiveram uma abordagem pró-cripto ao regular positivamente o uso dos ativos digitais.

As diferentes visões fizeram com que os países integrantes do G20 passassem a se preocupar com um estudo mais profundo do mercado, a fim de desenvolver um modelo regulatório que faça sentido para o mercado.

As duas últimas cúpulas do G20, uma em abril e outra em julho, trataram do tema e é esperado que um definição regulatória mais clara seja apresentada já na próxima reunião, em outubro.

Paralelamente, a SEC tem feito um trabalho de grande profundidade, buscando entender os diferentes modelos de distribuição de ativos e definir se os ativos em questão devem se enquadrar como valores mobiliários ou não.

Ao mesmo tempo, a comissão vem autuando projetos e empresas que apresentem algum tipo de irregularidade em seus modelos de atuação.

O ponto central aqui é que, apesar de a regulação do mercado no futuro assustar alguns investidores, essa movimentação toda pode ser bastante positiva, ao abrir novas portas para o crescimento do mercado.

Isso nos liga ao segundo ponto: a criação de instrumentos de investimento e plataformas de negociação mais robustos e profissionais, chamando a atenção dos investidores de grande porte.

2 - Investidores institucionais, onde estão vocês?

Muito tem se falado sobre o interesse, cada vez maior, dos investidores institucionais pelo mercado cripto.

Já perdi a conta do número de manchetes que li falando sobre grandes instituições financeiras e outros players grandes do mercado dando seus primeiros passos no ambiente dos criptoativos.

Há muito a ser explorado ainda por esse grupo. Trata-se de um movimento está apenas começando.

É por esse motivo que acredito que será a figura do investidor institucional a responsável pelo próximo ciclo de valorização das criptomoedas.

Estamos falando de dinheiro novo (e muito dinheiro) que movimentará o mercado e o ajudará a crescer.

Para que isso seja possível, entretanto, é necessário que as soluções de investimento se desenvolvam de modo a ficar à altura dos usuários institucionais.

Ou seja, há interesse, mas ainda é preciso pavimentar melhor o caminho. Isso nos leva ao terceiro ponto.

3 - Profissionalização: ETFs, custódia e novas plataformas

Como disse, há um número bastante relevante de investidores de grande porte buscando formas de se expor à nova classe de ativos digitais, porém carecem dos meios apropriados para isso.

Hoje já são negociados contratos futuros de bitcoin na Chicago Mercantile Exchange (CME) e na Chicago Board Options Exchange (CBOE), plataformas reguladas pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC).

Eles permitem que o investidor especule os movimentos do bitcoin no futuro. Porém, por não se tratar de contratos com liquidação física, em que há entrega efetiva do ativo ao fim do contrato, tem pouco ou nenhum impacto no aumento da demanda por bitcoins.

Assim, o instrumento mais aguardado pelo mercado é um ETF de bitcoin. Esse tipo de fundo negociado em bolsa permitiria que grandes investidores, de forma bastante fácil, se expusessem à criptomoeda sem precisar tê-la consigo.

Um investidor compraria uma cota do ETF e a instituição provedora do veículo teria o equivalente em bitcoins sob custódia.

Os últimos meses têm sido marcados por diferentes players propondo à SEC (Securities Exchange Commission) a criação desse tipo de ETF.

Até o momento, contudo, nenhum deles foi aprovado, devido ao receio que a comissão de valores mobiliários americana tem em relação à maturidade do mercado.

A proposta que, hoje, tem mais chances de ser aprovada é a da CBOE, submetida neste ano. A SEC resolveu adiar, no último dia 20, a decisão sobre a aprovação - ou não - do ETF.

O que se espera é que a aprovação de um ETF dê vazão à alta demanda de investidores institucionais, injetando uma quantia massiva de dinheiro novo no mercado e, consequentemente, puxando os preços para cima.

O mercado, assim, segue apreensivo aos próximos capítulos dessa história.

O que esperar para os próximos meses?

Apesar do interesse latente das grande instituições, a realidade é que ainda é muito difícil para uma instituição comprar grandes quantias de bitcoin, movimentar esses valores e custodiá-los.

Nesse sentido, diferentes soluções têm sido desenvolvidas. Entre as principais estão serviços de custódia focado em investidores institucionais - a Coinbase, uma das principais exchanges dos EUA, lançou recentemente um serviço dedicado a isso - e veículos de investimento regulados, como os ETFs.

Muito aguardado, também, é o lançamento, previsto para novembro, da plataforma Bakkt, criada pela InterContinental Exchange, a "dona" da Bolsa de Valores de Nova York.

Criada por uma das instituições mais importantes do sistema financeiro mundial, tem enorme potencial de mudar o jogo no mercado de criptomoedas.

Verdade seja dita, o bitcoin e seus pares têm ganhado cada vez mais espaço no mercado de investimentos. O aumento progressivo de players importantes entrando nesse mercado só me faz acreditar em um futuro bastante interessante para as criptomoedas.

Teremos muitas novidades chegando ao mercado nos próximos meses.

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