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Novas tarifas globais fixadas em 10% entraram em vigor nesta terça-feira (24) e podem estimular empresas brasileiras que desejam exportar para os Estados Unidos
As novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos entraram em vigor nesta terça-feira (24) e atingem todos os países que mantêm relações comerciais com o mercado norte-americano. A alíquota aplicada é de 10%, conforme comunicado da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).
Na visão de especialistas consultados pelo Seu Dinheiro, as pequenas e médias empresas (PMEs) devem sentir os efeitos positivos, já que a taxa anterior aplicada ao Brasil era de 40% a 50%, dependendo do produto.
“O custo total para pequenas e médias empresas brasileiras exportarem aos Estados Unidos tende a cair também, o que pode ampliar margens de lucro e aumentar a competitividade dos produtos no mercado norte-americano", diz Celso Grisi, professor da FIA Business School.
Com tarifas menores, os preços finais ficam mais atraentes, e o potencial de vendas cresce. Ainda assim, o impacto não será uniforme entre os setores.
Os maiores benefícios devem se concentrar em segmentos do agronegócio e em determinados produtos industriais, segundo Grisi.
No campo, café industrializado (torrado, moído e cápsulas), suco de laranja a granel e carnes — especialmente bovina e de frango — tendem a ganhar competitividade. Frutas como abacate, manga e cereja também se destacam.
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"Esses produtos apresentam elevada elasticidade-preço: pequenas reduções de valor costumam gerar aumento significativo no volume exportado”, afirma o professor.
No setor industrial, madeira bruta, tábuas serradas ou preparadas para piso, papel e móveis ganham competitividade frente a concorrentes asiáticos que enfrentam tarifas mais elevadas.
Têxtil e calçados também podem registrar ganhos de médio a alto impacto, competindo melhor com fornecedores asiáticos, como Vietnã e China.
Outro ponto é que PMEs que fornecem para outras empresas que exportam podem ser beneficiadas indiretamente.
Para Hélder Medeiros França, coordenador acadêmico na pós-graduação de Contabilidade, Controladoria e Finanças da FIPECAFI, o Brasil se encontra em posição vantajosa.
Ele lembra que, no auge do temor causado pelo “tarifaço”, diversos países — incluindo aliados históricos dos EUA, como Japão e União Europeia — foram diretamente afetados pela elevação das tarifas e precisaram firmar acordos bilaterais para mitigar perdas.
Segundo França, por decisão política anterior de Donald Trump de não renegociar tarifas impostas com o Brasil, o governo federal optou por diversificar sua matriz de exportações, aproximando-se de parceiros estratégicos como os integrantes dos BRICs e a União Europeia.
Com isso, saiu do papel o acordo entre a UE e o Mercosul, depois de mais de duas décadas de negociação. O tratado também representa uma oportunidade de expansão de negócios para PMEs.
Apesar das oportunidades com a queda das tarifas, a recomendação dos especialistas é cautela. Não há garantia de que o percentual atual será permanente, e há expectativa de novas iniciativas por parte do governo norte-americano para aumentar as tarifas.
A orientação é evitar concentração no mercado norte-americano. “Idealmente, exportações para um único país não deveriam ultrapassar 30% do total”, diz Grisi, que recomenda que os empreendedores busquem diversificar mercados — especialmente entre os europeus e asiáticos.
A gestão de risco cambial também ganha importância. O professor da FIA Business School sugere que as empresas busquem um hedge cambial, mencionando que existem várias modalidades, não apenas as oferecidas por bancos, que podem ser muito caras.
PMEs podem recorrer a instrumentos como os contratos NDF (non-deliverable forward), também conhecidos como mercado a termo, em que é possível travar o câmbio no futuro sem trocar a moeda de verdade. No vencimento, as partes acertam apenas a diferença entre a taxa combinada e a taxa do dia, em dinheiro.
Também é recomendado abrir contas em moeda estrangeira para evitar oscilações de dólar.
Nos contratos internacionais, recomenda-se incluir cláusulas de hardship, que permitem revisão em caso de mudanças extraordinárias, como aumento tarifário, além de mecanismos automáticos de reajuste e compartilhamento de custos adicionais com o importador.
França avalia que a mesma incerteza econômica pode trazer, de alguma forma, benefícios para PMEs.
Isso porque economistas têm alertado que deve ocorrer uma desvalorização cambial do dólar norte-americano, possibilitando que o Banco Central do Brasil realize diversas medidas intervencionistas para estabilizar a moeda do país.
Uma delas é a diminuição da taxa Selic, possibilitando que as empresas tomem empréstimos com juros mais baixos.
“Esse cenário é extremamente favorável para PMEs, uma vez que o acesso facilitado ao crédito permite uma amplificação do caixa das empresas para a expansão de sua atividade econômica, gerando empregos e atraindo investimentos estrangeiros”, afirma.
Ao mesmo tempo, ele ressalta a necessidade de disciplina operacional para conseguir se dar bem em qualquer um dos cenários.
“Para as empresas que pretendam exportar, é necessário um rigoroso controle de estoque e diversificação de possíveis parceiros comerciais, evitando perdas e prejuízos indesejados ao término desse período, o que fatalmente levaria ao seu endividamento.”
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