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Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Comunicação Social - Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por agências de notícias e redações, como Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

A VIDA IMITA A ARTE?

Kinea compara Trump ao Capitão América em Guerra Civil: o erro está em ignorar que o campo de batalha mudou

Para a gestora, presidente dos EUA rompe com as instituições tradicionais para agir de forma mais rápida, porém menos previsível

Larissa Bernardes
2 de fevereiro de 2026
19:14
Tarifas de Donald Trump
Donald Trump - Imagem: Divulgação

Enquanto o cinema brasileiro celebra “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, indicado ao Oscar, a gestora Kinea preferiu recorrer a Hollywood para explicar a lógica política de Donald Trump.

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Em sua carta mensal, divulgada nesta segunda-feira (2), a gestora compara o presidente norte-americano ao Capitão América no filme “Guerra Civil” alguém que rompe com instituições para agir rápido, mas que, ao fazê-lo, aumenta a imprevisibilidade.

No filme, que está prestes a completar dez anos de lançamento, o Capitão América defende a autonomia individual ao concluir que “o sistema se tornou lento, politizado e incapaz de responder à urgência dos riscos”.

Do outro lado, Tony Stark, o Homem de Ferro, argumenta que a regulação é essencial para legitimar o poder, defendendo que os Vingadores “precisam ser colocados sob controle”, já que a força do grupo “provoca desafios, que geram conflitos, que produzem catástrofes”.

Trump é sinônimo de imprevisibilidade

Assim como o herói da Marvel, Trump “decide agir por conta própria, centraliza decisões e ganha velocidade, mas sacrifica a institucionalidade, aumentando a instabilidade”, afirmam os analistas.

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Para eles, “Guerra Civil” é menos um filme de super-heróis e mais uma reflexão sobre poder, responsabilidade e limites da ação.

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“Donald Trump opera sob a premissa de que o sistema trava a ação e dilui resultados. A resposta tem sido decisões rápidas, concentradas e assertivas, tanto na economia quanto na geopolítica. O risco, como no filme, não está no gesto inicial, mas no ‘dia seguinte’. Intervir é fácil, governar as consequências, não”, diz a carta assinada pelo time de multimercados liderado por Ruy Alves, André Diniz e Daniela Lima.

Exemplos disso não faltam. “Retirar Nicolás Maduro do poder é uma coisa; administrar a transição venezuelana é outra. Propor a aquisição da Groenlândia é um sinal de força; conduzir um processo diplomático, jurídico e político viável é um desafio completamente distinto”, afirma o texto.

No plano doméstico, segundo a gestora, a lógica é a mesma: “acelerar gastos, como no orçamento de defesa ou intervir em preços sensíveis, como taxas de cartão de crédito, gera efeito imediato. Mas aumenta a incerteza fiscal, pressiona expectativas e testa os limites institucionais”, afirma a Kinea.

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Mercados já sentem o peso da lógica trumpista

De acordo com a gestora, as ações de Trump “já impactam de forma mensurável os preços de diversos ativos”.

Para os analistas, não há ruptura institucional, mas uma erosão gradual da previsibilidade — dinâmica que se reflete nos prêmios de risco e lembra o “capitalismo de Estado”, em que o poder político influencia diretamente preços e decisões privadas.

Nos mercados, o início do ano trouxe sinais claros: dólar enfraquecido, ações fora dos EUA em alta e rotação de liderança dentro do mercado norte-americano, com empresas cíclicas e menores superando gigantes de tecnologia.

Já no cenário internacional, a intervenção em países como Venezuela e Irã elevou o prêmio de risco no setor de energia.

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O dilema, segundo a Kinea, não é entre agir ou não agir, mas entre acelerar o presente e preservar a estrutura que garante estabilidade futura.

“Em uma guerra civil, o erro não está em escolher um lado — está em ignorar que o campo de batalha mudou”, afirma a gestora.

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