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PROJETO TRILIONÁRIO

Arábia Saudita cansou de queimar dinheiro com a Neom? Megacidade que seria do tamanho da Bélgica vai encolher

Pressionada por custos elevados, petróleo barato e déficit fiscal, Arábia Saudita redesenha o megaprojeto urbano lançado em 2017

Equipe Trends
28 de janeiro de 2026
12:49 - atualizado às 11:43
arábia saudita petróleo projeto futurista neom
Projeto futurista Neom na Arábia Saudita - Imagem: Neom/Divulgação

Enquanto o passado não pode ser mudado, o futuro é uma folha de papel em branco cujos traços são desenhados a partir das condições do presente — e no caso da Arábia Saudita, elas estão longe de serem ideais. Com o preço do barril de petróleo Brent estagnado abaixo dos US$ 70 há cerca de um ano, os planos para o megaprojeto urbano futurista Neom tiveram que encolher bastante.

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Segundo informações do Financial Times, o projeto deve ser redesenhado e significativamente reduzido com base em uma revisão interna de cerca de um ano que está prestes a ser concluída.

A mudança reflete a insatisfação do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que preside a iniciativa, diante dos atrasos, dos custos muito acima do previsto e das falhas na execução originalmente planejada.

Anunciada em 2017, a empreitada ambiciosa fazia parte das intenções da monarquia de diversificar a economia do país, muito dependente do petróleo.

O objetivo seria atrair investimentos estrangeiros, turismo e talentos globais — em um movimento alinhado ao plano “Visão 2030” do país, que queria mostrar ao mundo a capacidade da Arábia Saudita em liderar tendências urbanas, tecnológicas e competir com centros como Dubai.

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O orçamento inicial era de US$ 500 bilhões, mas esse valor foi bastante superado, com estimativas que chegaram na casa do US$ 1,5 trilhão ao longo do desenvolvimento.

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O megaprojeto virou apenas um projeto?

Segundo o jornal, o projeto — que foi pensado para ter um tamanho próximo ao da Bélgica — pode ser reformulado em uma versão mais modesta, aproveitando parte da infraestrutura já construída. A reportagem não cita qual seriam as novas dimensões.

De acordo com fontes consultadas pela publicação britânica o Neom poderá ser agora um polo de centros de dados, caminho para o qual os sauditas já vinham acenando desde o ‘boom’ da Deepseek, no ano passado.

Com isso, o país poderia se consolidar como um polo de inteligência artificial, já que o processamento de dados é uma das principais demandas do setor.

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No ano passado, foi anunciado um novo data center em Oxagon, polo industrial dentro do Neom, com infraestrutura de 1,5 gigawatts na primeira fase, prevista para entrar em operação até 2028.

Apesar da remodelação, e, segundo o Financial Times, a Neom segue operando com prazos apertados para ficar pronta a tempo de receber a Expo 2030 e a Copa do Mundo de 2034.

O orçamento ‘apertado’ da Arábia Saudita

O reposicionamento do Neom acontece diante de uma estagnação do preço do barril do petróleo Brent, referência Internacional de negociação. Há mais de um ano que a commodity não ultrapassa a casa dos US$ 70, o que prejudica a capacidade de investimento da Arábia Saudita.

O cenário evidencia o dilema enfrentado por Riad: reduzir a dependência do petróleo exige investimentos massivos, mas é justamente a commodity que sustenta o caixa necessário para viabilizar essa transição.

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Para 2026, a Arábia Saudita projeta um déficit de 165 bilhões de riais (US$ 44 bilhões), o equivalente a cerca de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O número representa uma redução em relação aos 245 bilhões de riais (cerca de US$ 65 bilhões) estimados para 2025, após a queda nos preços e na produção do petróleo pressionar a receita, enquanto as despesas superaram o orçamento em aproximadamente 4%.

A expectativa de um rombo menor está ligada ao redirecionamento dos gastos públicos para setores considerados prioritários, como indústria e logística, em uma tentativa de ampliar a arrecadação não petrolífera.

Nesse contexto, o governo também passou a reorientar o fundo soberano de US$ 925 bilhões, afastando-o de grandes projetos imobiliários atrasados e direcionando recursos para áreas consideradas estratégicas, como logística, mineração, inteligência artificial e turismo religioso.

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