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Segundo o Brazil Journal, a seguradora negocia aporte bilionário na rede de clínicas oncológicas, que enfrenta pressão financeira e negociações com credores
Em meio a uma crescente pressão financeira, a Oncoclínicas (ONCO3) tenta ganhar um novo fôlego — desta vez, com a ajuda de um dos maiores grupos seguradores do país.
A rede de tratamentos oncológicos estaria negociando um aporte bilionário da Porto (PSSA3), controladora da Porto Saúde, em uma operação que pode reorganizar parte relevante dos ativos da companhia.
Segundo informações do Brazil Journal, as empresas assinaram na última sexta-feira (13) um memorando de entendimentos (MOU) para viabilizar um investimento de cerca de R$ 1 bilhão na operação de clínicas da Oncoclínicas.
O movimento ocorre em um momento delicado para a empresa de tratamentos contra o câncer, que enfrenta uma crise de liquidez e negociações com credores para reestruturar suas dívidas.
A possível parceria com a Porto surgiria nesse contexto, como uma tentativa de reforçar o caixa e reorganizar parte da estrutura da companhia.
Pelo desenho discutido entre as empresas, a Oncoclínicas separaria toda a sua rede de aproximadamente 200 clínicas em uma subsidiária dedicada a essa operação.
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Seria nessa nova estrutura que a Porto Saúde faria o investimento, segundo o site.
Ficariam de fora da transação os hospitais da Oncoclínicas, além do ativo internacional da companhia na Arábia Saudita, que permaneceriam diretamente sob o controle da empresa.
O formato do aporte também envolveria uma combinação de capital e instrumentos financeiros.
De acordo com o Brazil Journal, cerca de R$ 500 milhões seriam investidos diretamente via ações (equity), o que daria à Porto Saúde 33% do capital total da nova operação e 66% das ações com direito a voto.
Outros R$ 500 milhões seriam aportados por meio de debêntures conversíveis em ações, um instrumento que poderia ampliar a participação da Porto no futuro, dependendo das condições da conversão.
Apesar do avanço nas conversas, o negócio ainda não está garantido. Segundo as informações publicadas, a conclusão da operação depende do cumprimento de duas condições principais.
A primeira é a realização de uma due diligence — etapa fundamental para fusões ou aquisições — detalhada nos ativos envolvidos na operação.
A segunda é a renegociação e o reperfilamento das dívidas da Oncoclínicas com seus credores — um processo que se tornou central para o futuro financeiro da companhia.
Em comunicado enviado ao mercado na noite de sexta-feira, a Porto confirmou que analisa oportunidades de investimento no setor, incluindo ativos ligados à Oncoclínicas.
A companhia afirmou que “avalia de forma permanente a possibilidade de potenciais investimentos em diversos negócios e verticais”, entre eles “certos negócios explorados pela Oncoclínicas”.
A empresa acrescentou, no entanto, que "não há, neste momento, nenhum documento vinculante assinado que se refira aos negócios mencionados na matéria”.
A situação financeira da Oncoclínicas entrou em modo de alerta no mercado após um novo corte em sua avaliação de crédito.
A Fitch Ratings rebaixou recentemente a nota nacional de longo prazo da companhia para C(bra) — um patamar que indica risco de crédito muito elevado e possibilidade de inadimplência. Trata-se do segundo rebaixamento da empresa pela Fitch apenas neste mês.
Na avaliação da agência, um dos principais fatores por trás da decisão foi o início das negociações da companhia com credores para suspender temporariamente pagamentos de principal e juros da dívida.
Para a Fitch, o anúncio dessas conversas já coloca a companhia em um território sensível. Caso a empresa avance para uma renegociação formal das dívidas ou altere os termos das debêntures, o evento pode ser classificado pela agência como “default restrito”, categoria usada para caracterizar situações de calote técnico.
A pressão financeira também deve aparecer nos números. Segundo as estimativas da agência, a Oncoclínicas deve encerrar 2025 com menos de R$ 100 milhões em caixa, enquanto o cronograma de dívida prevê vencimentos relevantes nos anos seguintes — cerca de R$ 745 milhões em 2026 e R$ 810 milhões em 2027.
Ao mesmo tempo, o nível de alavancagem permanece elevado. Pelos cálculos da Fitch, a relação entre dívida e geração de caixa da companhia gira em torno de seis vezes o Ebitda, um patamar considerado alto para o setor e que limita as alternativas de refinanciamento.
Além da estrutura de capital pressionada, a agência aponta outros fatores que continuam pesando sobre o desempenho financeiro da empresa, como necessidade elevada de capital de giro, despesas financeiras crescentes e dificuldades para retomar um ritmo consistente de crescimento operacional.
Diante desse cenário, investidores e credores acompanham de perto os próximos passos da companhia.
De acordo com a empresa, a gestão de Reynaldo Passanezi Filho, que deixa o cargo, foi marcada por um ciclo de crescimento da companhia, avanços em eficiência operacional e investimentos em níveis recordes
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