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Com 10% da receita vindo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, RD Saúde mostra que o peso das canetas emagrecedoras já impacta o balanço
A RD Saúde (RADL3) fechou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 362 milhões — uma queda de cerca de 5% na comparação com o mesmo período do ano anterior e abaixo das estimativas do mercado, segundo a LSEG.
Ainda assim, as ações sobem no pregão. E a explicação pode estar nas prateleiras: as canetas emagrecedoras seguem puxando o crescimento da rede.
As vendas de medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, já representam 10% do faturamento total da companhia. O salto expressivo causa uma reação positiva do mercado.
“A performance da receita foi o principal destaque do trimestre, sustentada pela continuidade da força nas vendas de GLP-1, que superaram a marca de dois dígitos como percentual das vendas do varejo”, escreveu o Itaú BBA em relatório.
Por volta das 14h00 (horário de Brasília), RADL3 avançava 2,38% no Ibovespa, cotada a R$ 24,49. Em um ano, os papéis da companhia acumulam alta de 40,7%.
De outubro a dezembro, a dona das redes Drogasil e Raia reportou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 936 milhões, alta de 38,2% em relação ao mesmo período de 2024.
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O número veio levemente abaixo do esperado. Segundo dados da LSEG, os analistas projetavam, em média, lucro líquido de R$ 388 milhões e Ebitda de R$ 952 milhões no trimestre.
A receita bruta somou R$ 13 bilhões, um avanço de R$ 2,15 bilhões na comparação anual.
Mais cedo, a companhia anunciou a venda da 4Bio Medicamentos Especiais por R$ 600 milhões para a rival Profarma. Desconsiderando a operação vendida, o lucro líquido ajustado teria sido de R$ 350,1 milhões e o Ebitda ajustado, de R$ 924,3 milhões no quarto trimestre.
A alavancagem encerrou dezembro em 1,2 vez a relação dívida líquida/Ebitda, levemente acima das 1,1 vez registradas no terceiro trimestre e no fim de 2024.
No balanço, a empresa sinalizou que seguirá avaliando alternativas para otimizar a alocação de capital em 2026, seja por meio da revisão do portfólio de ativos, seja com novos projetos voltados à expansão e à geração de valor.
A companhia também reafirmou o plano de abrir entre 330 e 350 lojas neste ano, depois de ter inaugurado 330 unidades em 2025 e alcançar 3.547 farmácias em operação — consolidando-se como a maior rede do país.
Para o Itaú BBA, o momento do setor segue favorável, com a RD bem posicionada para capturar o avanço dos medicamentos de maior valor agregado.
O banco estima que os produtos de GLP-1 saltaram de participação de baixa para média unidade percentual da receita no 4T24 para dois dígitos no 4T25 — movimento que ajuda a diluir despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A).
No horizonte mais longo, os analistas apontam a possível chegada do genérico da semaglutida a partir do segundo semestre de 2026 como um gatilho relevante para revisões de lucro em 2027.
A tese considera que o aumento de volume pode compensar, ao menos parcialmente, uma eventual compressão de preços, que pode se aproximar de 50%.
"No geral, seguimos vendo a RADL com desempenho sólido no curto prazo", diz o banco.
*Com informações da Reuters
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