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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

DEPOIS DA CRISE

O problema não é a vitrine, é o caixa: BTG Pactual entra no debate do FGC após crise do Banco Master

Para o maior banco de investimentos do país, o problema não está na distribuição — mas no uso excessivo do FGC como motor de crescimento

Camille Lima
Camille Lima
9 de fevereiro de 2026
19:03 - atualizado às 18:12
Escritório do Banco Master.
Escritório do Banco Master. - Imagem: Divulgação

Após semanas de críticas cruzadas e “alfinetadas” públicas entre executivos do sistema financeiro, o BTG Pactual (BPAC11) resolveu sair do modo silencioso e entrar de vez no debate. O recado do CEO, Roberto Sallouti, é que o problema exposto pela crise do Banco Master não está na vitrine — está no caixa. 

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Na leitura do maior banco de investimentos do país, o episódio não revela uma falha do modelo de distribuição de produtos financeiros nem do uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em si.  

O que veio à tona, segundo os executivos do BTG, foi uma distorção no uso do instrumento: a dependência excessiva — e abusiva — do seguro como motor de crescimento. 

“O instrumento do FGC não pode ser demonizado por conta do erro de uma instituição”, afirmou o CEO do BTG, ao comentar o caso durante a teleconferência de resultados do banco. 

“Os eventos recentes do Banco Master mostram, na verdade, uma oportunidade de melhorar a regulamentação e a supervisão”, acrescentou. 

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Leia também: 

A “culpa” pela popularidade dos CDBs do Banco Master no mercado 

A crise no Banco Master acendeu um debate no sistema financeiro brasileiro: até onde bancos médios e pequenos podem — e devem — se apoiar no FGC para crescer?  

Leia Também

E, principalmente, em que momento esse apoio deixa de funcionar como proteção ao investidor e passa a incentivar uma tomada de risco excessiva? 

Há poucos dias, o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, teceu duras críticas a bancos e plataformas que distribuíram títulos do Banco Master e de outras empresas que mais tarde enfrentaram dificuldades financeiras, como a Ambipar (AMBP3).  

Sem citar nomes diretamente, o executivo afirmou que “interesses próprios vieram à frente dos interesses do sistema” e deixou como herança uma conta de cerca de R$ 55 bilhões para o sistema financeiro.  

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O que diz o BTG Pactual 

Embora o BTG tenha sido apontado como uma das instituições que mais distribuíram CDBs do Banco Master antes da crise, a administração afirma que os alertas internos surgiram bem antes do desfecho do caso. 

Segundo o diretor financeiro (CFO), Renato Hermann Cohn, já no início de 2024 o banco começou a identificar dificuldades na análise do balanço da instituição de Daniel Vorcaro. 

“Houve um exagero”, afirmou. “Diante disso, iniciamos um processo de educação e aconselhamento com os nossos clientes, para que permanecessem dentro dos limites do FGC e de uma alocação saudável de portfólio. Depois, passamos a impedir novas posições.” 

A resposta, de acordo com Cohn, foi gradual. Primeiro, o BTG reduziu a oferta dos papéis. Em seguida, passou a restringir novas posições. Por fim, em outubro de 2024, decidiu interromper completamente a distribuição dos CDBs do Banco Master. 

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Crise no Master: o problema não é a vitrine — é o caixa 

Na avaliação do BTG, é importante separar as coisas. Para a administração do banco, as plataformas de investimento — que ganharam escala ao permitir que investidores pessoas físicas tivessem acesso a produtos de bancos médios e pequenos — não são a raiz do problema. 

“O erro não está na distribuição”, reforçou Cohn. “Está no que o banco fez com o dinheiro captado.” 

Para os executivos do BTG, o caso Master escancarou uma fragilidade do sistema: o uso do FGC como principal alavanca de captação, sem a contrapartida de uma gestão de risco, de capital e de liquidez à altura. 

Esse abuso, segundo eles, “precisa ser coibido” — mas isso não significa enfraquecer o instrumento nem desmontar o modelo que democratizou o acesso aos investimentos no Brasil.  

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Pelo contrário. A visão do banco é de que o desafio agora é calibrar melhor as regras — preservando o que funcionou e corrigindo os excessos. 

Os dois objetivos do FGC, segundo o CEO do BTG 

“O FGC tem um objetivo dual”, explicou o CEO, Roberto Sallouti. “Proteger o investidor e fomentar a concorrência, inclusive de instituições que não têm acesso a grandes volumes de investimento institucional.” 

Hoje, essa proteção é limitada a R$ 250 mil por CPF e por conglomerado — um teto que, segundo o BTG, precisa ser respeitado tanto pelos bancos quanto pelos investidores. 

Parte da preocupação do BTG é que a reação ao caso Master acabe gerando um efeito colateral indesejado: um retorno ao passado, quando o investidor tinha poucas opções além do balcão do próprio banco. 

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“Antes das plataformas, o cliente precisava ir até sua agência para comprar um CDI”, diz Sallouti. “As plataformas ampliaram o acesso, trouxeram ofertas mais competitivas e estimularam a concorrência. Precisamos tomar cuidado para que novas regras não tornem o modelo inviável.” 

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