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Companhia avança na reestruturação com novo acordo de acionistas, migração dos fundadores para conselho consultivo e a entrada da Advent International, que pretende comprar até 10% das ações no mercado
A Natura (NATU3) anunciou um avanço em seu processo de reestruturação — e com um reforço de peso. A companhia informou nesta segunda-feira (30) um novo acordo de acionistas com duração de dez anos, além da migração dos fundadores para um conselho consultivo.
O movimento vem acompanhado do interesse da Advent International, uma das maiores gestoras globais de private equity, em entrar no capital da empresa.
A Advent se comprometeu a comprar entre 8% e 10% das ações da Natura no mercado, com preço-alvo médio de R$ 9,75, em um prazo de até seis meses. Na prática, isso representa uma fatia de pelo menos 109,9 milhões de papéis, podendo chegar a cerca de 137,4 milhões.
O investimento será feito no mercado secundário — ou seja, sem injeção direta de recursos no caixa da companhia —, mas ainda assim é visto como um voto de confiança na tese de recuperação da empresa.
Se a operação for concluída, a gestora poderá indicar até dois membros para o conselho de administração e participar de alguns comitês.
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Por outro lado, não terá poder de veto nas decisões da Natura nem obrigação de voto alinhado com os atuais blocos de controle, exceto em temas ligados à composição da administração.
O acordo também prevê mecanismos de liquidez e uma trava de 12 meses para a venda das ações adquiridas.
Paralelamente, os principais acionistas assinaram um acordo com prazo de 10 anos, mantendo suas participações.
Os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos apresentarão renúncia ao conselho de administração para migrar a um novo conselho consultivo — órgão sem poderes executivos que ficará responsável por preservar valores e legado da empresa — sujeita à aprovação na assembleia geral ordinária e extraordinária (AGOE) de 2026.
Fábio Barbosa, que já foi CEO da Natura, também seguirá para esse conselho consultivo, se eleito.
A administração propõe recompor o Conselho de Administração para mandato de dois anos.
A chapa indicada mantém nomes como Duda Kertész, o CEO João Paulo Ferreira e Alessandro Carlucci — que deve assumir a presidência do conselho — e inclui novos membros (Pedro Villares, Guilherme Passos, Luiz Guerra, Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto).
Bruno Rocha e Gilberto Mifano deixarão o conselho, sendo Mifano mantido como líder do comitê de auditoria e finanças até a transição.
A operação depende de aprovações: além da formalização do acordo com a Advent, será necessária uma Assembleia Geral Extraordinária para aprovar a dispensa da obrigação de a Advent realizar oferta pública (OPA) por eventual alcance de participação relevante, e outra para aumentar o tamanho do conselho para acomodar as indicações (até 10 vagas).
O compromisso da Advent pode ser rescindido caso o preço médio das ações ultrapasse R$ 9,75 dentro de três meses ou se o investidor não atingir a participação mínima em até seis meses.
Após enfrentar uma série de problemas, a ação da Natura parece estar voltando aos eixos. No ano, o papel sobe 28%. Segundo o CEO João Paulo Ferreira, é uma empresa com alta capacidade de gerar lucro.
O balanço mostrou lucro líquido das operações continuadas de R$ 186 milhões no quarto trimestre de 2025.
A companhia conseguiu reverter o prejuízo de R$ 227 milhões registrado no mesmo período de 2024, mesmo em um trimestre marcado por queda de receitas e impactos contábeis ligados à simplificação do grupo.
O CEO da companhia reconhece que a Natura precisou lidar com um cenário em que as decisões não levaram ao retorno esperado e tornou-se necessário recalcular a rota.
“Todos os investidores enxergam na Natura, na América Latina, uma potência. Mas nós tivemos que lidar com aquisições que não geraram retorno esperados. E decidimos, em 2022, retornar às origens. Foram três anos para fazer a venda da Aesop, da The Body Shop e retornar à nossa fortaleza dentro da América Latina”, disse João Paulo Ferreira.
De acordo com o executivo, os investidores estavam esperando este momento chegar para voltar a olhar para as ações da Natura com atratividade, e esse momento chegou.
*Com informações do Money Times
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