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Depois de alguns trimestres lutando contra a concorrência acirrada de asiáticas e Amazon, a plataforma argentina entra em mais uma divulgação de resultados com expectativas de margens pressionadas, mas vendas fortes e México em destaque
Se no clássico milenar “A Arte da Guerra” uma das grandes lições é que a vitória suprema está em derrotar o inimigo sem lutar — porque uma boa estratégia evitaria o confronto direto —, no varejo brasileiro a realidade é outra: é preciso combinar tática e enfrentamento para sair na frente. O Mercado Livre (MELI34) que o diga.
A plataforma argentina de nascença e brasileira de coração está nas trincheiras no setor há alguns trimestres. Ao longo do último ano, não faltaram iniciativas para tentar conter o avanço da concorrência por aqui: corte no preço mínimo elegível para frete grátis, reforço no marketing, mais investimentos em logística e assim por diante.
Nesta terça-feira (24), com a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25), o mercado ficará sabendo se a ofensiva virou ainda mais vantagem no campo de batalha, considerando que a plataforma segue como líder incontestável no nosso mercado.
De modo geral, os analistas esperam crescimento consistente das vendas, enquanto as margens devem continuar pressionadas pelos investimentos feitos para enfrentar Amazon, Shopee e outros gigantes estrangeiros que atuam por aqui.
Cabe lembrar que, no comércio eletrônico brasileiro, Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3) já não jogam no mesmo nível do Meli, uma vez que a dupla não está em posição de sacrificar rentabilidade em nome do crescimento como a estrangeira.
Ainda com a concorrência mais acirrada preocupe os analistas, a expectativa é que o volume bruto de mercadorias (GMV, na sigla em inglês) continue sequencialmente robusto.
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O Santander estima crescimento de 34% na comparação anual do GMV, para US$ 19,2 bilhões, mesmo sobre uma base desafiadora. O motor disso deve ser o México, onde o banco enxerga crescimento de 33% nas vendas ano contra ano.
O Bank of America (BofA), por sua vez, também destaca as vendas no país, calculando que a plataforma de e-commerce deve seguir superando os pares no país — onde a Amazon está investindo pesado em uma afronta direta ao Meli.
Já na Argentina, o banco norte-americano projeta que as taxas de crescimento Mercado Livre devem desacelerar à medida que a empresa aceita reduzir rentabilidade para implementar um novo projeto por lá também. No caso, o lançamento do cartão de crédito.
Cabe lembrar que o país passou um bom tempo sendo o destaque positivo dos resultados do Meli, com vendas acelerando bem mais que no Brasil e México. Essa dinâmica mudou no terceiro trimestre de 2025 com a rápida deterioração da confiança do consumidor argentino, resultado do aumento da incerteza política, acompanhado pela desvalorização da moeda local.
Já o Citi espera que o Meli supere as expectativas do mercado em vendas no trimestre, com o impulso do Brasil e México, onde o GMV deve saltar 36% e 33% na base anual, respectivamente, versus o consenso de 34% e 31% do consenso VisibleAlpha.
No entanto, os analistas indicam que a rentabilidade sentirá o peso dos gastos necessários para sustentar a liderança no mercado brasileiro. Nas expectativas do Santander, a margem Ebit (lucro antes de juros e impostos) deve recuar 2,65 pontos percentuais na comparação anual, para 10,9% no trimestre.
O BofA tem uma posição parecida. “O crescimento mais rápido do marketplace e o maior investimento em cupons, branding e marketing de afiliados também devem impulsionar uma contração adicional das margens no Brasil”, dizem os analistas em relatório.
O Citi enxerga que o aumento sequencial dos custos sazonais de frete deve levar a uma margem bruta sequencialmente menor, também impactada por maior participação de 1P (quando a empresa compra o produto, mantém em estoque e vende direto ao consumidor).
Outro ponto levantado pelo Citi foi a pressão contínua sobre o take rate — ou seja, a taxa efetiva que a companhia captura sobre o volume transacionado —, em linha com o número observado no terceiro trimestre de 2025. Além disso, o time de análise enxerga que as despesas com marketing devem chegar ao topo histórico de 11,5% da receita.
O BofA espera um Ebit praticamente estável na comparação anual, em cerca de US$ 823,6 milhões.
Essa linha do balanço também pode ser afetada positivamente por efeitos tributários. Um deles é a recuperação de cerca de R$ 33 milhões relacionados ao diferencial de alíquota do ICMS (Difal), que ajusta a cobrança em vendas interestaduais para que parte da arrecadação fique no estado de destino da mercadoria.
O lucro por ação tende a cair 14,5%, para US$ 10,79, pressionado por uma base de comparação mais difícil. No quarto trimestre de 2024, a companhia registrou uma alíquota de imposto excepcionalmente baixa, de 16,3%, o que favoreceu o resultado naquele período e torna o comparativo anual menos favorável agora.
Confira as estimativas compiladas pela Bloomberg para o Mercado Livre no 4T25, os dados foram publicados em um relatório do BofA:
O Citi projeta um forte crescimento das receitas do braço financeiro do Meli, movimento também evidenciado pela expansão do número de usuários ativos diários, indicador que mede quantas pessoas utilizam a plataforma a cada dia e funciona como um termômetro de engajamento e frequência de uso.
Segundo os analistas isso deve levar a uma alta de 44% da receita consolidada do trimestre na comparação anual.
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