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Essa não é sua primeira tentativa de se recuperar. Em 2023, a empresa encerrou um processo de recuperação judicial que durou quase dez anos, após uma crise desencadeada pela Operação Lava Jato
Em crise há mais de uma década, a Lupatech (LUPA3) pediu mais uma proteção contra seus credores. A fabricante de produtos para o setor de óleo e gás divulgou a minuta do seu plano de recuperação extrajudicial, que envolve mais seis subsidiárias, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Essa proposta será apresentada aos credores, e envolve vendas de diversos ativos, a simplificação de sua estrutura e busca de mais crédito no mercado para pagamentos de dívidas.
No meio de março, ela já havia pedido uma tutela de urgência cautelar, medida que normalmente antecede um pedido de RE ou RJ.
Essa não é sua primeira tentativa de se recuperar. Em 2023, a empresa encerrou um processo de recuperação judicial que durou quase dez anos, após uma crise desencadeada pela Operação Lava Jato.
Além da Lupatech S.A., suas subsidiárias também foram envolvidas no pedido:
A empresa tem uma dívida de R$ 386 milhões, com R$ 15 milhões a vencer neste ano, valor que vai subindo até R$ 61 milhões a serem pagos no ano de 2033.
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"Ao longo dos anos, a sombra de tamanha dívida tornou inviável a captação de novos empréstimos de longo prazo, assim como a obtenção de recursos relevantes pela emissão de ações", disse a empresa no plano.
Cerca de 18,45% do seu capital social está nas mãos do fundo de investimentos Arara Azul, 8,95% estão com o investidor Jose Maria de Oliveira e Silva e 5,09% com o investidor Antonio Amaral Vilas Boas Neto. Os 67,51% restantes estão distribuídos no mercado financeiro.
O objetivo é permitir que ela volte a ter capacidade de pagar suas dívidas, simplificar seu portfólio de negócios e reorganizar a estrutura societária. A conversão de dívida em ações da empresa também está nos planos.
A Lupatech também incluiu a venda de Unidades Produtivas Isoladas (UPIs) no documento, como a fabricação de cordas e cabos de fibra sintética, válvulas para óleo e gás, válvulas industriais, produtos de fibra de vidro e serviços petroleiros.
Não são modificados os créditos trabalhistas sujeitos à Recuperação Judicial do Grupo Lupatech. O plano também apresenta condições de pagamentos de dívidas trabalhistas e com fornecedores.
Fundado na década de 1980, o Grupo Lupatech tornou-se nos anos 2000 um dos principais fornecedores brasileiros de produtos e serviços para o setor de óleo e gás.
Entre seus produtos, estão válvulas, cabos de ancoragem, tubos em fibra de vidro, ferramentas de coluna para poços de petróleo, serviços de perfuração, completação e serviços em poços, entre outros.
Em 2006, estreou na bolsa de valores, tendo arrecadado apenas R$ 155 milhões no IPO. Nos anos seguintes, realizou 17 aquisições, financiando as compras com captação de dívida, principalmente bonds no mercado internacional no total de US$ 275 milhões.
Com a crise financeira global de 2008, passou por dificuldades, gerando menos caixa que o previsto e com um alto custo da dívida. Em 2011, incorporou ainda as empresas brasileiras da San Antonio International (SAI), empresa controlada pela GP Investments, dedicadas principalmente à perfuração de poços terrestres.
Os acionistas BNDESPar e Petros, junto com a GP e a SAI, aportaram R$ 375 milhões na empresa pela fusão, de um total de R$ 700 milhões necessários.
Em 2013, a Lupatech pediu recuperação extrajudicial, concluída em setembro de 2014, com a conversão em ações de 85% da dívida financeira e promessas de venda de ativos fora do Brasil.
No entanto, no mesmo ano os preços do petróleo despencaram de US$ 100 para US$ 30 por barril. "As empresas que seriam vendidas perderam substancialmente o seu valor, e o plano extrajudicial fracassou pela impossibilidade de obter capital pela via prevista", disse a companhia.
Pouco depois, estourou a Operação Lava Jato, que também prejudicou a Lupatech com redução nas vendas.
A companhia pediu recuperação judicial em 2015, deixou todas as atividades de serviços e voltou-se à produção industrial. Durante o processo, converteu 85% de sua dívida em ações, encerrou sua divisão de serviços petroleiros com a demissão de 1.800 funcionários e venda de sua unidade na Colômbia e de ativos na Argentina.
A crise do setor petroquímico e a consequente pandemia também afetaram seus negócios, diz a empresa. Em 2017, todas as suas fábricas estavam paralisadas.
Em 2023, a recuperação judicial foi encerrada. No entanto, o pagamento da dívida tornou-se impraticável, visto que a empresa atingiu apenas a metade do nível de atividade previsto para o momento atual, disse ela à CVM.
O atual plano de investimento da Petrobras tem apontado para uma forte recuperação dos seus dispêndios para os próximos anos, o que deve finalmente favorecer o ambiente de negócios da Lupatech. Contudo, a proporção da demanda a ser executada ou adquirida no país ainda é incerta.
De acordo com a empresa, a gestão de Reynaldo Passanezi Filho, que deixa o cargo, foi marcada por um ciclo de crescimento da companhia, avanços em eficiência operacional e investimentos em níveis recordes
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