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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

RESULTADO

Itaú Unibanco (ITUB4) entrega o esperado — e um pouco mais — na largada de 2026, com rentabilidade de quase 25% no 1T26

Lucro cresce, ROE segue elevado, mas banco reforça disciplina em meio a sinais de pressão no crédito; confira os destaques do balanço

Camille Lima
Camille Lima
5 de maio de 2026
18:21 - atualizado às 18:11
Fachada de agência do Itaú Unibanco (ITUB4).
Fachada de agência do Itaú Unibanco (ITUB4). - Imagem: Divulgação

Itaú Unibanco (ITUB4) começou 2026 fazendo o que o mercado já espera: entregar resultados fortes e sem grandes surpresas. O maior banco privado do Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 (1T26) com um lucro líquido recorrente de R$ 12,282 bilhões

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O resultado veio ligeiramente acima das expectativas de analistas, que previam um lucro médio de R$ 12,191 bilhões, segundo o consenso Bloomberg

O montante representa um aumento de 10,4% em relação ao mesmo período do ano passado, mas leve queda de 0,3% em relação ao trimestre anterior. Trata-se da segunda contração sequencial dos lucros do Itaú desde o primeiro trimestre de 2020, após a queda trimestral da lucratividade no 4T22, quando o banco foi impactado pelas provisões ligadas ao caso Americanas.

Segundo o Itaú, se desconsiderado o efeito da distribuição antecipada de dividendos no fim de dezembro de 2025, o lucro teria chegado a R$ 12,7 bilhões, o que representa crescimento de 3,2% no trimestre.

Mais do que o número em si, a performance também reforça o que tem sido a principal marca do Itaú nos últimos anos: consistência.

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Em um cenário que mistura juros ainda elevados, incertezas macroeconômicas e sinais pontuais de deterioração no crédito no setor financeiro, o banco segue crescendo sem abrir mão do controle de risco.

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"Começamos 2026 em um cenário que exige cautela e disciplina no crédito", afirmou o CEO, Milton Maluhy Filho, em nota à imprensa. "Mantivemos nossa estratégia de crescer de forma responsável, garantindo que a qualidade da nossa carteira siga os padrões que historicamente nos definem."

Em termos de rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROAE) do maior banco privado do Brasil chegou a 24,8%, acima dos 24,4% esperados pelo mercado de acordo com a média das projeções compiladas pelo Seu Dinheiro.

O indicador avançou 2,3 pontos percentuais (p.p) em relação ao mesmo período do ano passado e 0,4 ponto na comparação trimestral — um patamar que mantém o Itaú com folga na liderança entre os grandes bancos privados do país.

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Para efeito de comparação, pares como o Santander Brasil vêm operando com níveis de retorno significativamente mais baixos — o banco reportou ROE de 16% no 1T26.

De olho na carteira de crédito e inadimplência 

A performance do portfólio de crédito do Itaú ajuda a explicar parte relevante do desempenho no trimestre. A carteira ampliada cresceu 9% frente ao mesmo trimestre de 2025 e avançou 1,2% em comparação com os três últimos meses, para R$ 1,482 trilhão.  

Até aqui, a qualidade dos ativos também segue sob controle. O índice de inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9%. 

"Ao longo dos últimos anos, o Itaú calibrou a composição do portfólio com foco em qualidade de originação e adequação das condições de crédito ao perfil de cada cliente. Esse processo resultou em uma carteira mais equilibrada e com menor exposição a ciclos de estresse", afirmou o banco.

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Segundo a instituição, essa estabilidade "em um cenário macroeconômico desafiador reforça a robustez da política de crédito e a disciplina na gestão de riscos".

Ainda assim, há sinais de maior prudência na gestão de risco. As provisões contra calotes (PDD) cresceram 7,9% no comparativo anual, para R$ 10,2 bilhões em perdas previstas no crédito no primeiro trimestre do ano. 

Enquanto isso, o custo do crédito aumentou 4,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e 2,5% na comparação trimestral, para R$ 9,9 bilhões. Segundo o Itaú, o crescimento reflete a sazonalidade do primeiro trimestre, que também afetou de forma negativa a recuperação de crédito do segmento.

“Os resultados do trimestre refletem a execução consistente da estratégia do banco, com desempenho operacional sólido, preservação da qualidade da carteira e avanços contínuos em eficiência", afirmou o diretor financeiro (CFO), Gabriel Amado de Moura.

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"Essa combinação sustenta a resiliência do resultado e a capacidade do banco de operar com consistência ao longo de diferentes fases do ciclo econômico.”

Outros destaques do balanço do Itaú (ITUB4) no 1T26 

Do lado das receitas, a margem financeira, que considera a receita com crédito menos os custos de captação, encerrou o trimestre a R$ 32,3 bilhões, o que representa um avanço de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Já a margem com clientes do Itaú, principal motor do resultado, teve alta de 4,5% na base anual, apesar de leve contração de 0,7% na comparação trimestral, a R$ 31,5 bilhões. 

Segundo o Itaú, a expansão em relação a 2025 deve-se principalmente ao crescimento da carteira, além da maior margem com passivos e de um melhor mix de produtos.

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Por sua vez, a margem financeira com o mercado — ligada às operações de tesouraria — caiu 11,2% frente ao mesmo período de 2025, mas avançou 37,4% na comparação com os três meses imediatamente anteriores, somando R$ 820 milhões.  

O banco afirma que o movimento anual reflete o "aumento do custo do hedge" do índice de capital, com destaque para o maior resultado obtido pela mesa de trading no trimestre.

Tarifas, despesas e eficiência

As receitas do Itaú com prestação de serviços totalizaram R$ 10,9 bilhões, com alta de 2,4% em relação ao ano anterior, mas queda de 7,1% na comparação trimestral — refletindo, em parte, a sazonalidade do início do ano.

Do lado das despesas, os custos não relacionados a juros cresceram 4,8% em 12 meses, alcançando R$ 16,2 bilhões.

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O banco atribui a alta, principalmente, ao aumento dos investimentos em tecnologia — incluindo maior uso de computação em nuvem e desenvolvimento de sistemas — além de despesas com pessoal, impulsionadas pelo acordo coletivo e maior participação dos funcionários nos resultados.

Mesmo assim, o Itaú conseguiu avançar na busca por eficiência. O índice de eficiência no Brasil ficou em 34,9%, o melhor patamar histórico para um primeiro trimestre. No consolidado, o índice de eficiência fechou o período em 37,1%.

Vale lembrar: o banco estabeleceu uma meta ambiciosa de reduzir o índice de eficiência no varejo para 35% até 2028.

Segundo o banco, o trimestre foi marcado pela continuidade da agenda de transformação: expansão da oferta digital, fortalecimento do modelo de atendimento consultivo e ajustes na presença física — movimentos que ajudam a sustentar ganhos de produtividade no médio prazo.

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