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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

UMA AÇÃO, UM VOTO

Axia (AXIA3) quer subir ao Novo Mercado: o que está por trás da nova aposta da ex-Eletrobras e como ficam os acionistas?

Empresa convoca acionistas para votar migração ao segmento mais alto de governança da B3; veja o que muda para os investidores

Camille Lima
Camille Lima
19 de fevereiro de 2026
10:13
Imagem criada por inteligência artificial para ilustrar o logo da Axia Energia (ex-Eletrobras) à frente de uma linha de transmissão.
Imagem criada por inteligência artificial para ilustrar o logo da Axia Energia (ex-Eletrobras) à frente de uma linha de transmissão. - Imagem: Copilot/Montagem Seu Dinheiro

A Axia Energia (AXIA3) decidiu dar um passo decisivo em busca de novos patamares de governança. A empresa — antiga Eletrobras — convocou seus acionistas para votar a migração ao Novo Mercado da B3, o segmento que concentra as empresas com os mais elevados padrões de governança corporativa do país. 

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Se aprovada, a mudança consolidará a transformação iniciada com a privatização, em junho de 2022. 

A assembleia geral extraordinária (AGE) e as assembleias especiais que vão decidir sobre a migração estão marcadas para 1º de abril de 2026.  

O coração da proposta é converter todas as ações preferenciais de classe A1 e B1 — que garantem dividendos mais polpudos — em ações ordinárias (ON) — aquelas que dão direito a voto.  

É o movimento necessário para cumprir a regra básica do Novo Mercado: “uma ação, um voto”. 

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Por que a Axia quer migrar para o Novo Mercado 

A migração ao Novo Mercado não surge como uma decisão isolada. Para a Axia, trata-se de um desdobramento natural do processo de desestatização que transformou a empresa em uma corporation, sem controlador definido e com capital pulverizado na bolsa. 

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Desde então, a companhia passou por uma reestruturação profunda: revisou custos, incorporou Furnas, avançou na venda da Eletronuclear, firmou acordos com o governo federal e até mudou de nome e ticker na bolsa.  

A empresa argumenta que, depois dessa reorganização, faz sentido dar o próximo passo. 

“A administração entende que a AXIA se encontra diante de importante janela de oportunidade para deliberar sobre a Migração ao Novo Mercado, um passo natural e coerente com a trajetória de aprimoramento institucional da companhia, reconhecendo e reforçando esta evolução e trazendo perenidade a tais avanços”, disse a empresa, na proposta. 

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A Axia afirma que o ingresso no Novo Mercado é “passo fundamental” para aprimorar a estrutura de capital, fortalecer a política de dividendos e beneficiar de forma relevante sua base acionária. 

Na prática, a empresa aposta que a migração pode: 

  • Atrair novos investidores, especialmente estrangeiros; 
  • Melhorar sua percepção em critérios ESG (ambientais, sociais e de governança); 
  • Aumentar a liquidez das ações; e
  • Dar mais flexibilidade à alocação de capital, seja em recompras, seja em distribuição de dividendos. 

Os detalhes das propostas para os acionistas  

Hoje, a estrutura acionária da companhia ainda carrega diferentes classes de ações. Atualmente, o capital social está dividido da seguinte forma: 

  • Ações ON: 69,5796% do capital, com direito a um voto por ação; 
  • Ações PNA1: 0,0050% do capital, sem direito a voto, mas com dividendo ao menos 10% superior ao das ON e prioridade de 8% ao ano sobre o capital da classe; 
  • Ações PNB1: 9,6021% do capital, também sem voto, com dividendo pelo menos 10% maior que o das ON e prioridade de 6% ao ano; 
  • Ações PNC: 20,8133% do capital, com direito a voto, conversíveis em ON e resgatáveis até 2031; e
  • Golden Share da União: uma ação preferencial especial, sem voto nas assembleias gerais, mas com direito de veto. 

Para ingressar no Novo Mercado, é preciso simplificar essa estrutura. A proposta prevê a conversão das ações PNA1 e PNB1 em ON na proporção de 1,1 ação ordinária para cada ação preferencial. 

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Segundo a companhia, essa relação de troca foi desenhada para “equilibrar os interesses econômicos e políticos”, levando em conta que as preferenciais hoje têm um prêmio de dividendos de pelo menos 10% em relação às ordinárias. 

O tratamento excepcional e os cenários possíveis 

Um ponto relevante é que as ações PNA1 representam apenas 0,005% do capital social. Dada essa baixa representatividade, a B3 concedeu uma autorização para tratamento excepcional. 

Isso significa que, mesmo que a assembleia específica dessa classe não aprove a conversão, a migração poderá ser concluída — desde que seja assegurado o direito de voto pleno a esses acionistas por meio de alteração do estatuto da Axia. 

No caso das ações PNC e da Golden Share da União, a B3 já autorizou a manutenção mesmo após a migração. 

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A Axia detalha dois cenários possíveis para a AGE: 

  1. Cenário ideal: todas as assembleias aprovam a conversão e a companhia passa a ter estrutura alinhada ao Novo Mercado, com unificação das classes relevantes. 
  1. Cenário alternativo: a assembleia das PNA1 rejeita a proposta, mas a migração segue adiante com a concessão de voto adicional a esses papéis, conforme o waiver concedido pela B3. 

Confira como ficaria a estrutura acionária após a migração para o Novo Mercado: 

E quem não concordar com a migração da Axia para o Novo Mercado?  

Há a possibilidade de que os investidores de ações preferenciais possam não concordar com abrir mão dos dividendos mais polpudos em uma eventual migração para o Novo Mercado.  

É por isso que a proposta da Axia também abre espaço para dissidência.  

Acionistas preferenciais que não concordarem com a operação poderão exercer o direito de retirada (recesso), solicitando o reembolso de suas ações com base no valor patrimonial por ação calculado a partir do balanço do quarto trimestre de 2025. 

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Mas há uma condição: o direito é restrito aos investidores que já detinham os papéis na data do anúncio da proposta, em 18 de fevereiro, e que permaneçam com eles até o efetivo exercício do recesso. 

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