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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

DEMANDA NAS ALTURAS

A seca acabou: PicPay estreia na Nasdaq com oferta de US$ 500 milhões e reabre a janela de IPOs de empresas brasileiras

Fintech estreia na Nasdaq no topo da faixa de preço, após demanda forte de investidores globais, e valor de mercado deve alcançar cerca de US$ 2,6 bilhões

Camille Lima
Camille Lima
29 de janeiro de 2026
9:05 - atualizado às 9:49
Escritório do PicPay em São Paulo.
Escritório do PicPay em São Paulo. - Imagem: Rogério Cassimiro/Divulgação

Depois de quase cinco anos de seca, o mercado voltou a ver uma empresa brasileira bater à porta da bolsa — direto de Wall Street. As ações do PicPay estreiam nesta quinta-feira (29), sob o ticker PICS, na Nasdaq, a bolsa de tecnologia dos Estados Unidos, após uma demanda robusta no IPO

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A estreia coloca um ponto final na longa estiagem de IPOs de companhias brasileiras, que se arrastava desde 2021. E não foi um retorno tímido. A fintech conseguiu precificar sua abertura de capital a US$ 19 por ação, no topo da faixa indicativa, que ia de US$ 16 a US$ 19. 

O IPO do PicPay 

Na operação, o banco digital da família Batista vendeu cerca de 22,9 milhões de ações Classe A, levantando aproximadamente US$ 434 milhões (R$ 2,25 bilhões, no câmbio atual).  

Mas esse valor pode ser ainda maior. Os investidores ainda terão um prazo de 30 dias para exercer a opção de compra de mais 3,4 milhões de papéis no lote adicional — o que pode elevar o valor total da transação para algo próximo de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões). 

Com o resultado da oferta, o valor de mercado do PicPay deve alcançar cerca de US$ 2,6 bilhões (R$ 13,5 bilhões). 

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Segundo a companhia, os recursos captados serão destinados a capital de giro, despesas operacionais, exigências regulatórias e ao financiamento da aquisição da Kovr Seguradora. 

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Nos bastidores, os números ajudam a explicar o sucesso da estreia. De acordo com o Pipelinea procura pelas ações da fintech brasileira superou em 12 vezes o volume inicialmente ofertado, com mais de 200 investidores institucionais participando do book.  

Isso permitiu uma alocação relevante para fundos long only — com horizonte de investimento mais longo — além de veículos focados em tecnologia e mercados emergentes. 

Parte dessa demanda, inclusive, já estava contratada antes mesmo da estreia. A Bicycle Capital, gestora do empresário Marcelo Claure (ex-SoftBank), entrou como investidora âncora do IPO, com um compromisso de aporte de US$ 75 milhões. 

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O IPO foi coordenado globalmente por Citigroup, Bank of America (BofA) e RBC Capital Markets. Também participaram da operação Mizuho, Wolfe e Nomura Alliance, Bradesco BBI, BB Securities, BTG Pactual e XP, como bookrunners

Foi só o primeiro? O retorno das ofertas de ações das brasileiras 

O movimento ganha ainda mais peso quando se olha pelo retrovisor.  

Desde a abertura de capital do Nubank, em dezembro de 2021, nenhuma empresa brasileira havia conseguido acessar o mercado de ações — nem no Brasil, nem no exterior. Até agora, com o IPO arrasa-quarteirões do PicPay.  

Nos últimos meses, cresceu a lista de companhias interessadas em uma estreia nos Estados Unidos. A expectativa é que outras empresas sigam a fila iniciada pelo PicPay, como o Agibank, que também entrou com processo de listagem no exterior recentemente. 

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Você confere nesta reportagem especial por que Wall Street tem se mostrado mais atraente para abrir capital do que o mercado brasileiro. 

Quem é o PicPay, a fintech brasileira que rompeu a seca dos IPOs

Adquirido em 2015 pelo Banco Original, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, o PicPay passou por uma série de transformações até assumir o formato atual. A virada veio quando a empresa passou a concentrar as operações de varejo do banco. 

Em setembro, o banco digital somava 42,1 milhões de clientes ativos. Cerca de um terço deles já utiliza o PicPay como conta principal. 

É preciso destacar que há uma diferença fundamental em relação à primeira tentativa de abertura de capital do PicPay, em 2021.  

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Desta vez, a fintech chega ao mercado como uma empresa lucrativa. A estimativa apresentada no prospecto aponta para um lucro ajustado de R$ 418 milhões em 2025, um crescimento de 66% em relação ao ano anterior. 

A receita anual, segundo o documento, pode alcançar R$ 10 bilhões. A maior fatia desse resultado vem de atividades mais tradicionais de banco de varejo, como crédito, além das comissões geradas pelo marketplace da plataforma. 

Veja aqui todos os planos estratégicos do PicPay — que incluem ao menos três avenidas de crescimento para ampliar a base de clientes daqui para frente. 

*Com informações de Reuters e Estadão. 

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