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A grande maioria dos agentes financeiros espera a manutenção dos 15% nesta semana, mas há grandes nomes que esperam um primeiro ajuste nesta quarta-feira
Desde que o Comitê de Política Monetária (Copom) parou de aumentar a taxa básica de juros (Selic), em julho de 2025, a pergunta que se faz em toda nova reunião é a mesma: vai manter ou vai cortar?
A taxa Selic está em 15% ao ano — o maior nível de juros do país em duas décadas.
As primeiras expectativas de corte se concentraram em dezembro de 2025, então foram para janeiro, e agora a maior parte do mercado aposta em março. No entanto, há quem sustente a ideia de um primeiro ajuste nesta quarta-feira (28).
Uma pesquisa do Valor Econômico, que consultou 120 instituições financeiras, mostra que apenas oito veem uma redução na taxa básica em janeiro. As 112 restantes esperam a manutenção dos juros em 15% neste encontro.
Porém, entre essas oito casas que nadam contra a maré há dois nomes de peso: BTG Pactual, representado pelo economista-chefe Mansueto Almeida, e Bank of America (BofA), representado pelo economista-chefe David Beker.
Em ambos os casos, os economistas defendem que os juros estão em território “claramente contracionista”, ou seja, em um nível que freia a atividade econômica, de modo que um primeiro ajuste não comprometeria os níveis de restrição da economia.
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Beker já esperava por esse corte em dezembro, mesmo sabendo que sua posição discordava do consenso.
Ao elevar a taxa Selic para 15% ao ano, o objetivo do Copom era diminuir o fluxo de dinheiro na economia para levar a inflação de volta à meta de 3% ao ano.
Para Beker, essa missão está encaminhada. Em 2025, a inflação (IPCA) fechou o ano em 4,26% — acima da meta, mas dentro da banda de tolerância (4,5%) definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o que já é um sinal positivo de convergência.
Porém, o Banco Central olha para além do resultado corrente. O que importa é a meta de 3% ser alcançada em sua projeção de horizonte relevante. Na prática, os diretores olham para o futuro, para um período de cerca de 18 meses à frente.
Na reunião de amanhã, esse horizonte alcançará o terceiro trimestre de 2027, e a expectativa do BofA é de que a projeção do BC chegue a 3% — em dezembro, o horizonte estava no segundo trimestre de 2027, com uma projeção de inflação em 3,2%.
Almeida tem a mesma expectativa de Beker: “as projeções indicam inflação ao redor da meta no horizonte relevante, mesmo em cenários conservadores para a trajetória da Selic”, escreveu em relatório.
Com isso, o economista-chefe do BTG defende que, mesmo após um eventual corte inicial de 25 pontos-base, o juro vai continuar alto, garantindo condições monetárias restritivas o suficiente para levar a inflação à meta no futuro.
Vale lembrar que quando o Copom elevou a Selic para 15% ao ano, a inflação corrente (últimos 12 meses) era 5,35%, de modo que o juro real (diferença entre o juro nominal, como a Selic, e a inflação) estava na faixa de 9,65%. Agora, com a queda da inflação para 4,26%, o juro real está em 10,74%.
Para Almeida, isso é um indicativo de que já há espaço para um corte residual agora, para 14,75%. Beker espera mais: 50 pontos-base de corte, para 14,5%.
Enquanto BTG e BofA sustentam os fatores positivos que embasam um corte na Selic, a grande maioria do mercado olha para os fatores de resistência, que pedem cautela no próximo movimento do Copom.
Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, tinha um cenário-base de corte dos juros agora em janeiro, em 25 pontos-base. Porém, dados que reafirmaram o mercado de trabalho ainda forte fizeram o economista mudar de ideia.
Sua projeção foi para um primeiro corte em março, de 50 pontos-base.
O mercado de trabalho e a inflação de serviços são os principais pontos de atenção levantados pelos economistas ouvidos pelo Seu Dinheiro. Para eles, esses dois núcleos sustentam a renda da população e dificultam o processo de arrefecimento da inflação como um todo.
Ao longo de 2025, a maior parte da desaceleração dos preços de bens e alimentos foi sustentada pela valorização do real frente ao dólar. Entretanto, a fraqueza do dólar é um fator externo, sobre o qual o Copom, o BC ou qualquer outra instituição brasileira não tem ingerência.
Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, acredita que os diretores do Copom devem optar por esperar os próximos dados antes de iniciar a redução dos juros.
Entretanto, depois de dada a largada, ele espera corte em todas as reuniões subsequentes, até a Selic chegar em 12,5% ao ano, em dezembro.
Além do ‘vai cortar ou não’, outro debate acerca das reuniões do Copom é: ‘vai sinalizar ou não?’”
Quando o comitê elevou os juros de 12,25% para 15%, entre o final de 2024 e início de 2025, o comunicado foi muito aberto e claro sobre esse movimento. Desde então, as mensagens após cada reunião têm sido mais sutis.
De um lado, há agentes financeiros que defendem que o Copom irá sinalizar, de alguma forma, sua intenção de cortar juros pelo menos uma reunião antes do corte.
Entretanto, o próprio presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já afirmou que não há nenhuma obrigação ou código do BC nesse sentido.
"Não sei se a gente tem alguma obrigação de criar algum tipo de código dentro da comunicação do Banco Central que vá telegrafar quando o Banco Central vai fazer algo", afirmou Galípolo no início de dezembro.
Em outra fala, ele destacou que os comunicados não têm nenhuma “mensagem subliminar” ou algo do tipo.
“Se por acaso você entendeu que alguma questão da nossa comunicação foi um sinal sobre que o Banco Central pode vir a fazer no futuro, você entendeu errado”, disse Galípolo.
Para o Santander, a comunicação da decisão de amanhã será “muito semelhante à de dezembro”. Eles esperam que o Copom mantenha a sinalização de juros restritivos “por período bastante prolongado”, com reconhecimento de melhora na inflação, mas observando que serviços continuam pressionados.
Com relação à projeção do BC para a inflação no horizonte relevante, o Santander não espera que atinja 3% em janeiro — somente em março. A ver.
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