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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

ALÍVIO FINANCEIRO

Oncoclínicas (ONCO3) atinge meta de R$ 1 bilhão para seguir em frente com aumento de capital. Isso é suficiente para reerguer as finanças?

Com a subscrição de R$ 1 bilhão alcançada no aumento de capital, a Oncoclínicas tenta reverter sua situação financeira; entenda o que vem pela frente

Camille Lima
Camille Lima
12 de novembro de 2025
14:47 - atualizado às 13:44
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3)
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3). - Imagem: Divulgação

Sob forte pressão financeira, a Oncoclínicas (ONCO3) conseguiu uma vitória importante. A empresa, dedicada ao tratamento oncológico com mais de 140 unidades no Brasil, anunciou nesta quarta-feira (12) que alcançou a demanda mínima de R$ 1 bilhão necessária para seguir adiante com o aumento de capital bilionário — um passo essencial para reequilibrar as contas.

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A notícia trouxe um alívio imediato às ações. Os papéis ONCO3 operam em forte alta, impulsionados pelo otimismo de que a injeção de recursos possa dar fôlego novo à reestruturação da rede de tratamentos oncológicos.

Por volta das 14h30, as ações subiam 7,37%, cotadas a R$ 2,04 na bolsa brasileira. Apesar da performance robusta hoje, os ativos da companhia ainda amargam uma desvalorização de 52% em 12 meses e de quase 90% desde a estreia na bolsa, em 2021.

Vitória da Oncoclínicas rumo ao aumento de capital bilionário

O aumento de capital, proposto em setembro, prevê a emissão de até 666,6 milhões de novas ações a R$ 3 por papel, com potencial de levantar até R$ 2 bilhões para a Oncoclínicas. 

Mas a empresa havia definido um piso para levar a operação adiante: R$ 1 bilhão. 

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O valor foi alcançado antes mesmo do fim do período de sobras — etapa em que investidores podem adquirir as ações não compradas na primeira rodada da oferta —, que termina nesta sexta-feira (14).

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Segundo a Oncoclínicas, o montante final ainda pode aumentar até o teto de R$ 2 bilhões até o fim do prazo. 

Uma fonte revelou ao Seu Dinheiro que o valor final de captação deve ficar próximo de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,5 bilhão, impulsionada pelas conversões de dívidas de credores e debenturistas em ações na operação.

Reestruturação em curso

Vale lembrar que esta é a terceira injeção de liquidez na rede de tratamentos oncológicos desde 2023.

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O novo aporte acontece em meio à tentativa da Oncoclínicas de se reencontrar com sua essência. Após uma trajetória de crescimento arrojado — e marcada por alguns erros estratégicos como a entrada no segmento de hospitais e a joint venture na Arábia Saudita —, a companhia precisou revisar a rota para enfrentar o endividamento elevado e o consumo intenso de caixa.

“A Oncoclínicas consumiu muito caixa. É uma companhia muito alavancada. Mas, quando tira os ativos hospitalares e a Unimed FERJ da conta, é um negócio que para de pé, que funciona e que gera caixa”, disse uma fonte próxima à companhia. 

No entanto, a geração de caixa não é o suficiente para pagar os juros do endividamento que ela tem hoje. Então, para retomar a rota da companhia, é necessário injetar capital, afirmou a fonte.

A transação, no entanto, não vem sem custo: os acionistas que não participarem da oferta podem ver sua fatia reduzida em até 66,8%, segundo cálculos de mercado. Os números finais da diluição, porém, só serão divulgados após o encerramento da operação.

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Para atrair investidores, a empresa também incluiu um incentivo adicional: bônus de subscrição — um direito que permite a compra de novas ações no futuro — na proporção de um bônus para cada ação adquirida.

R$ 1 bilhão é suficiente para resolver os problemas da Oncoclínicas?

Fontes ouvidas pelo Seu Dinheiro afirmam que o R$ 1 bilhão que já foi arrecadado resolve “parcialmente” o problema da empresa, equilibrando o nível de endividamento ao porte atual da empresa. 

No melhor cenário, com a captação chegando a R$ 2 bilhões, o cenário de endividamento da Oncoclínicas seria “significativamente resolvido”. 

Isso porque, no último balanço da companhia, o endividamento da Oncoclínicas era de R$ 3,9 bilhões. Com a transação bem-sucedida e no melhor cenário, a dívida líquida cairia para R$ 1,9 bilhão, um alívio considerável. 

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E, se os bônus de subscrição forem totalmente exercidos, a companhia poderia até zerar sua dívida, segundo pessoas com conhecimento da operação.

Afinal, caso o componente de bônus seja integralmente exercido ao longo de dois anos, a Oncoclínicas poderia alcançar uma injeção de até R$ 4 bilhões no caixa — um movimento que resolveria, de fato, os problemas financeiros da companhia.

Porém, fontes afirmam que a captação final deve ficar próxima de R$ 1,3 bilhão — o que, considerando os bônus de subscrição, ainda deixaria um endividamento líquido da ordem de R$ 1,3 bilhão na Oncoclínicas.

Esse valor seria suficiente para a companhia encerrar 2025 com uma alavancagem próxima a 2,9%, inferior aos covenants das dívidas do final do ano, de 3,5 vezes. Contudo, há a ressalva de que a medição acontece somente em 31 de dezembro, e a performance do segundo semestre ainda precisa estar aderente às expectativas do mercado.

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"Com o aumento de capital, a Oncoclínicas terá uma redução inorgânica da dívida acontecendo nos próximos dois anos, mas também terá uma diminuição orgânica de endividamento", afirmou uma pessoa próxima à operação.

Segundo ela, à medida que a empresa reduzir a dívida depois do aumento de capital, ela também passará a pagar menos juros.

"O simples fato de rodar com o core business, que gera caixa, pagando menos juros, e com menos capex [investimentos], a empresa vai gerar o caixa suficiente para reduzir organicamente a dívida. O plano é reduzir a dívida para zero, especialmente em momentos de alta de juros."

Banco Master no escanteio

O aumento de capital não só ajuda a situação financeira da empresa, mas também reduz o risco no quadro societário da Oncoclínicas. 

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O Banco Master, um dos principais (e mais controversos) sócios da Oncoclínicas, deverá ver sua participação diluída com a operação. 

O banco enfrenta sérias dificuldades financeiras e, como resultado, não participará da capitalização.

No aumento de capital de 2023, o Banco Master atuou como investidor âncora, adquirindo ações a R$ 13 — quase o dobro do preço de mercado na época. 

Atualmente, o banco detém cerca de 15,2% das ações da Oncoclínicas, mas essa participação deverá cair para algo em torno de 5%, uma vez que a diluição dos atuais acionistas será significativa.

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“O Banco Master já sinalizou que não fará parte do aumento de capital. Então, essa é uma boa notícia para muitos investidores e para o mercado como um todo. Porque um investidor que tem hoje 16% da companhia e que não é bem visto pela maioria dos investidores vai ser relevantemente diluído”, afirmou uma pessoa próxima às negociações.

Nos últimos meses, o vínculo entre o Banco Master e a Oncoclínicas gerou controvérsias no mercado. 

Em outubro, a empresa confirmou oficialmente o que muitos já temiam: parte relevante do caixa da Oncoclínicas estava aplicada em CDBs do Banco Master, no valor de R$ 478 milhões — risco esse que já havia sido alertado pelo Seu Dinheiro nesta reportagem especial.

O temor era de que a companhia não conseguisse mais acesso ao dinheiro, dado o momento difícil no Master. 

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No entanto, a Oncoclínicas anunciou que conseguiu estabelecer um cronograma de resgate desses valores. Esse acordo visa a dar previsibilidade a um relacionamento que gerou desconfiança no mercado.

Apesar de o cronograma estar sendo cumprido até o momento, o prazo do acordo é extenso. Mas, mesmo que o montante eventualmente não seja recuperado, a companhia não teria problemas de liquidez, disse um executivo ao Seu Dinheiro.

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